O Partido dos Trabalhadores (PT) deverá apoiar um candidato do Partido Liberal (PL) à presidência da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), em troca da manutenção de seu espaço na Mesa Diretora. Segundo reportagem publicada pelo UOL na sexta-feira (6), a bancada petista, segunda maior da Casa, pretende negociar com os bolsonaristas a preservação da Primeira-Secretaria, segundo posto mais importante da direção do Legislativo paulista.
A informação foi confirmada por um deputado do PT, que declarou ao portal que o partido tende a apoiar os candidatos do PL considerados mais moderados, repetindo o acordo realizado com o atual presidente da Assembleia, André do Prado (PL), eleito senador em outubro.
O entendimento ainda não foi formalizado. Entretanto, as negociações demonstram a disposição do PT para apoiar novamente a direção parlamentar bolsonarista, desde que seus próprios representantes conservem uma posição privilegiada no comando da Assembleia.
A situação é particularmente reveladora porque ocorre menos de duas semanas depois da eleição presidencial. Durante a campanha, o PT apresentou a derrota de Flávio Bolsonaro como uma obrigação para todos os que pretendiam combater o “fascismo”. Agora, seus parlamentares discutem apoiar um representante do partido de Bolsonaro para dirigir o Legislativo do estado mais rico do País.
A negociação também não ocorre por acaso. O PL elegeu 27 deputados estaduais em São Paulo, ampliando sua bancada em seis cadeiras. O PT, por sua vez, caiu de 17 para 16 parlamentares, mas continuará sendo a segunda maior bancada da Assembleia. Pela composição pretendida, o PL permaneceria na Presidência, enquanto o PT conservaria a Primeira-Secretaria, atualmente ocupada pelo deputado Maurici.
Petistas procuram o bolsonarista mais conveniente
A disputa pela sucessão de André do Prado envolve diferentes alas do PL. Entre os candidatos estão Alex Madureira, Tenente Coimbra, Thiago Auricchio e Ricardo Madalena, além dos deputados eleitos Rodrigo Ashiuchi e Rogério Franco.
A atual direção do partido procura influenciar a escolha, enquanto parlamentares reeleitos resistem à indicação de nomes que ainda não exerceram mandato na Assembleia.
O deputado Tenente Coimbra, ligado à ala mais identificada com o bolsonarismo, chegou a defender que o PT fosse excluído das negociações. Outros integrantes do PL, entretanto, consideram importante chegar a um entendimento com os petistas.
Um parlamentar do PL ouvido pelo UOL afirmou que seria inviável organizar o funcionamento da Assembleia sem o PT, devido ao tamanho de sua bancada. O partido deverá procurar um nome capaz de reunir apoios entre a direita e a oposição.
Para os petistas, portanto, o principal critério não é a oposição política ao bolsonarismo. O acordo poderá ser realizado com o candidato que oferecer melhores condições para a preservação do espaço ocupado pelo partido.
O problema não se limita à Assembleia Legislativa. Na Câmara Municipal de São Paulo, outra negociação coloca o PT ao lado de políticos que apoiaram o bolsonarismo nas eleições.
Segundo reportagem publicada pela Folha de S.Paulo na quinta-feira (5), os oito vereadores petistas deverão apoiar João Jorge (MDB), aliado do prefeito Ricardo Nunes, à presidência da Câmara. Em troca, pretendem obter a direção de uma comissão temática.
João Jorge ocupa atualmente a Vice-Presidência da Casa e conta com o apoio de Nunes e do presidente da Câmara, Ricardo Teixeira (União Brasil). A eleição da nova Mesa Diretora está marcada para 15 de dezembro.
O PT pretende oficializar sua posição em reunião prevista para terça-feira (10). O acordo envolve a distribuição dos postos de direção e poderá deixar o PSOL isolado entre os partidos que se apresentam como oposição ao prefeito.
Em Minas Gerais, PT e PSOL já anunciaram apoio ao deputado Doorgal Andrada (PP) para presidir a Assembleia Legislativa, juntamente com o PL. A candidatura reuniu o respaldo de 71 dos 77 deputados estaduais.
Na Câmara dos Deputados, a federação composta por PT, PCdoB e PV também anunciou apoio à reeleição de Hugo Motta (Republicanos), em acordo com partidos do centrão para a formação de um grande bloco parlamentar.





