“Nós, cidadãos do Ocidente, estamos sofrendo enorme opressão por parte dos nossos próprios governos e em nome de outro país”, disse Cenk Uygur, comentarista de esquerda dos EUA, ao ser impedido de entrar no Reino Unido juntamente com seu tio Hasan Piker, por decisão da ministra do Interior, Shabana Mahmood.
O Reino Unido impediu que Uygur, turco-norte-americano, fundador e apresentador do programa de entrevistas The Young Turks, e Piker, que tem seu próprio programa, participassem, nesta semana, da conferência de cinema SXSW, no leste de Londres. Uygur também tinha previsto comparecer a um evento organizado por estudantes da Universidade de Oxford.
Ambos os comentaristas são abertamente críticos a “Israel”, e o governo negou a entrada sob o argumento de que temia que eles pudessem fomentar o antissemitismo. A desculpa surrada serve para justificar a censura contra todos os que se levantam em defesa do povo palestino diante do genocídio que ocorre há décadas na Palestina ocupada pelos sionistas.
Como é de conhecimento público, o Estado sionista, por meio dos serviços de informação, de ONGs e das embaixadas em vários países, atua sobre governos pró-imperialistas para tentar impedir que comentaristas, analistas, partidos políticos e a população em geral apresentem, discutam e divulguem imagens reais do massacre genocida contra o povo palestino, principalmente na Faixa de Gaza e na Cisjordânia. O caso do governo do Reino Unido é apenas mais um entre tantos outros na Europa e nas Américas.
“Ainda somos livres?”, perguntou Uygur em suas redes sociais. Ele também afirmou que “o Ocidente está traindo seus ‘valores liberais’ por um governo estrangeiro fascista e genocida. Em breve, todos nos tornaremos ‘Israel’”.
O Ministério do Interior confirmou o cancelamento da Autorização Eletrônica de Viagem (ETA, na sigla em inglês) de Uygur e Piker, por considerar que a presença deles no Reino Unido poderia “não ser benéfica para o bem público”. A pasta não apresentou outros motivos. A imprensa britânica, no entanto, atribuiu a decisão à suposta luta contra o antissemitismo.
A ETA permite que estrangeiros viajem ao Reino Unido sem a necessidade de visto por um período máximo de seis meses.
Recentemente, a ETA também foi negada a nove pessoas de vários países da Europa e dos EUA que planejavam participar da manifestação convocada pelo ativista Tommy Robinson, no centro de Londres, com o lema “Unite the Kingdom” (“Unir o Reino”, em tradução livre), marcada por mensagens contra o islã e a imigração.
No caso de Uygur e Piker, o veto ocorre em meio à utilização de episódios de violência contra judeus para ampliar a censura contra críticos de “Israel”. Entre os casos citados estão um ataque a quatro ambulâncias da comunidade judaica em Golders Green, no norte de Londres, duas tentativas de incêndio criminoso em sinagogas da capital britânica e ataques com faca contra dois cidadãos judeus em uma rua da cidade.
O episódio revela a radicalização política no Reino Unido. De um lado, cresce a defesa da Palestina diante do genocídio, expressa em grandes manifestações populares. De outro, os setores que defendem o sionismo e o massacre contra os palestinos atuam com o apoio de ONGs e dos serviços secretos dos países imperialistas, em operações semelhantes às chamadas “revoluções coloridas”, como o Maidan, na Ucrânia, entre outros exemplos.
No Reino Unido, o governo trabalhista enfrenta forte desgaste. Sua submissão ao sionismo imperialista é semelhante à dos conservadores. A crise do governo já é grande, e as imposições do sionismo tendem a aprofundá-la, podendo levar a uma ruptura política, como ocorre nos EUA e em vários governos da Europa.
O mesmo acontece no Brasil. Todos os que se manifestam contra o genocídio na Palestina ocupada enfrentam processos, banimento das redes sociais, censura, ameaça de prisão e perseguição, sob influência direta do Mossad, da CIA, do FBI, do MI6 e de outros órgãos do imperialismo. O governo brasileiro também não tem força política e fica à mercê do Congresso e do Senado direitistas, além do Judiciário, que persegue os inimigos do imperialismo. Por medo do povo, o governo sequer cogita mobilizar a população contra o sionismo imperialista, em defesa de um governo de esquerda que, por ora, resolveu fazer da capitulação sua política. E o povo? Que se vire, na opinião do governo.





