Moradores protestaram contra a morte de Carlos Eduardo Souza Ornela durante abordagem policial, em São Gonçalo (RJ), no domingo (31), com fogo nas ruas e bloqueios no bairro Pacheco. A revolta começou depois que o motociclista foi atingido por um disparo em ação da Polícia Militar. Ônibus foram atravessados em vias da região, objetos foram incendiados e o trânsito ficou interrompido.
Carlos Eduardo morava no bairro, trabalhava em dois empregos e era conhecido por moradores. Testemunhas relataram que ele teria sido baleado depois de uma suposta ordem de parada feita por agentes do Batalhão de Rondas Especiais e Controle de Multidão (RECOM). Segundo esses relatos, ele não teria obedecido à ordem e acabou sendo atingido. A morte provocou reação imediata da população local, que ocupou ruas e manifestou a indignação em protesto.
Os atos ocorreram nas ruas Marechal Póvoas e São Pedro. Imagens divulgadas em redes sociais mostraram barricadas em chamas e ônibus usados como bloqueio. A mobilização expressou a revolta de moradores contra a violência policial e contra a forma como a abordagem terminou. Durante a ocorrência, uma mulher também ficou ferida, foi socorrida e levada para o Hospital Estadual Alberto Torres, no Colubandê. Não havia informações atualizadas sobre seu estado de saúde.
A morte de Carlos Eduardo teve forte repercussão entre familiares, amigos e vizinhos. Pessoas próximas afirmaram que ele era trabalhador e querido na região. Um amigo declarou que ele não tinha passagem pela polícia e questionou por que a força policial se volta contra trabalhadores enquanto ladrões continuam agindo contra moradores. A fala resumiu o sentimento de moradores que viram no caso mais um exemplo de ação violenta nas periferias.
Depois dos protestos, a Polícia Militar informou que a Corregedoria-Geral da corporação, por meio da 4ª Delegacia de Polícia Judiciária Militar, abriu investigação para apurar as circunstâncias da ação envolvendo equipes do RECOM. O comando determinou o afastamento imediato do policial envolvido no disparo. A corporação também afirmou que deslocou equipes para a região após os bloqueios e atuou para liberar as vias.
A área onde Carlos Eduardo foi morto foi isolada para perícia. O caso passou a ser investigado pela Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí, responsável por diligências para esclarecer as circunstâncias da morte. A investigação deverá apurar a dinâmica da abordagem, o motivo do disparo e a responsabilidade do agente afastado.
A reação popular mostrou que a morte não foi recebida como caso isolado pela comunidade. O bloqueio de ruas, o fogo em objetos e a interrupção do trânsito expressaram um sentimento acumulado contra abordagens violentas e contra a presença repressiva da polícia em bairros populares.





