São Paulo

Polícia é flagrada torturando homem em favela de Heliópolis

Ação foi gravada por testemunha e mostra vítima de braços erguidos, sem reação, antes de ser derrubada, imobilizada e linchada por agentes

Um policial militar agrediu repetidamente de maneira cruel um homem rendido na favela de Heliópolis, na zona sul de São Paulo, na quarta-feira (13). A violência incluiu socos, chutes, joelho no peito e pisões com o homem já deitado no chão. A ação foi gravada por uma testemunha e mostra a vítima de braços erguidos, sem reação, antes de ser derrubada, imobilizada e linchada por agentes da polícia. A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo afirmou que vai apurar a conduta do policial e analisar imagens das câmeras corporais usadas na ocorrência. 

Duas pessoas se enfrentam próximas a um carro branco e outro vermelho estacionados em uma rua. Uma terceira pessoa de roupa vermelha está parada próxima a uma motocicleta. A cena ocorre à noite, com iluminação artificial.

Dois policiais abordam duas pessoas em uma rua com veículos estacionados. Uma pessoa está deitada no chão próxima a um carro vermelho, enquanto outra está em pé conversando com um policial. A cena ocorre à noite, com iluminação artificial.

O vídeo e os relatos mostram que uma mulher havia sido abordada e colocada no chão. Em seguida, um homem que passava pelo local também foi parado por outro agente. Mesmo depois de levantar os braços, o homem levou um soco no rosto, caiu e passou a ser chutado. As imagens mostram ainda o policial apoiando o joelho no peito da vítima e pisando em seu corpo, enquanto outros agentes participavam da imobilização.

A vítima foi levada ao Pronto-Socorro de Heliópolis. O nome do homem não foi divulgado. A pasta da segurança declarou que a Polícia Militar “não compactua com excessos e desvios de conduta” e abriu investigação para apurar o episódio, mas somente após o vídeo da tortura viralizar.

O caso ocorreu em uma favela da maior cidade do País. A gravação feita por testemunha foi essencial para que a cena viesse a público, pois permitiu verificar a sequência da ação: arma apontada, rendição, golpe no rosto, queda, chutes e imobilização. Sem esse registro, a versão sobre a abordagem dependeria quase integralmente dos agentes envolvidos.

A investigação anunciada pela Secretaria da Segurança terá de apurar a responsabilidade individual do policial que desferiu os golpes e dos demais agentes que participaram ou presenciaram a ação. Também será necessário verificar se o conteúdo das câmeras corporais corresponde ao vídeo feito pela testemunha e se houve tentativa de justificar o uso da força contra uma vítima que, pelas imagens, simplesmente não reagia.

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