A Polícia de Derbyshire afastou um policial de funções de linha de frente no Reino Unido, na segunda-feira (15), após denúncia de uso de inteligência artificial (IA) para criar materiais probatórios em vários casos. O Serviço de Promotoria da Coroa (CPS) confirmou que o agente é acusado de produzir provas do nada com sistemas de IA, em um caso tratado como investigação criminal por possível obstrução da justiça.
O policial não havia sido preso, mas foi retirado das atividades operacionais enquanto a apuração avança. A denúncia abriu um precedente grave para o sistema penal britânico, porque envolve a possível fabricação de elementos usados para incriminar pessoas e sustentar processos judiciais.
O CPS passou a dialogar com equipes de defesa e tribunais em processos que poderiam ter sido afetados, o que indica preocupação com condenações, acusações ou medidas baseadas em informações contaminadas.
O episódio ocorre no mesmo período em que o Reino Unido lançou o PoliceAI, centro nacional voltado ao uso de IA no policiamento. A contradição entre a adoção oficial dessas ferramentas e a falta de regras rígidas para seu uso em procedimentos criminais expõe um risco concreto: a tecnologia, apresentada como meio de acelerar tarefas administrativas, pode ser usada para fabricar fatos, reforçar suspeitas falsas ou simular provas.
A preocupação já havia aparecido em outro caso, quando dados falsos gerados por IA influenciaram decisão policial envolvendo torcedores de um clube de “Israel” em Birmingham. Essa informação havia sido produzida a partir do Microsoft Copilot e incluía uma partida fictícia entre Maccabi Tel Aviv e West Ham United.
Instituições de pesquisa alertam que forças policiais britânicas usam IA em análise preditiva, reconhecimento facial e edição automática de documentos, sem legislação específica para regular seu emprego em processos criminais. O caso de Derbyshire mostra que a ausência de controle pode atingir diretamente o direito de defesa e a presunção de inocência.
Enquanto cria leis para restringir, e até criminalizar, o uso de IAs por pessoas comuns, é o próprio Estado que está utilizando essa ferramenta para prejudicar e oprimir a população.




