Um policial militar matou um homem com oito tiros dentro de um carro em São Paulo, na terça-feira (5). O homem estava desarmado e que havia se rendido, segundo alegação da defesa. A polícia afirmou que se trataria de um confronto, mas não comprovou até o momento que a vítima estivesse armada, reforçando que houve uma execução. O caso ganhou repercussão por ter sido registrado em vídeo e por expor, mais uma vez, a atuação da Polícia Militar como um esquadrão da morte contra a população pobre.
O policial não disparou uma vez em meio a uma reação imediata, mas oito vezes contra um homem que já havia se entregado e, pelo que se pode concluir pelas informações divulgadas até agora, não portava nenhuma arma. A existência de vídeo torna o episódio ainda mais difícil de ser tratado como “simples ocorrência policial”.
Também chama atenção que o episódio envolva um carro. A vítima, nessas condições, tinha mobilidade limitada e estava em espaço fechado.
O fato de a vítima ser apresentada como suspeita de tráfico não autoriza a execução. A condição de suspeito exige investigação, processo e julgamento, não pena aplicada na rua.
Nessas circunstâncias com um suspeito desarmado e rendido, a ação esperada de um agente público seria preservar a vida, deter o cidadão e encaminhá-lo à autoridade competente.
O caso reforça a necessidade de investigação independente. A família e a defesa devem ter acesso às imagens, aos laudos e às informações sobre a ocorrência. Os vídeos das câmeras corporais precisam ser confrontados com a versão oficial e com a perícia.





