Na edição deste domingo (29), o Plantão Irã, programa diário da Causa Operária TV (COTV) em parceria com o Diário Causa Operária (DCO), levado ao ar às 16 horas desde 17 de março, tratou da nova etapa da guerra contra o Irã, destacou ações militares iranianas contra alvos norte-americanos e sionistas e fez um balanço político do primeiro mês do conflito. Ao longo da transmissão, os apresentadores discutiram a derrubada de um avião AWACS dos Estados Unidos na Arábia Saudita, o ataque iraniano a um complexo industrial em Bersabá, a ampliação regional da guerra, os prejuízos econômicos do conflito e a posição do governo Lula diante da ofensiva imperialista.
Logo no início do programa, Pedro destacou a informação de que o Corpo de Guardas da Revolução Islâmica (CGRI) destruiu um avião norte-americano AWACS, do tipo E-3, na base de Al-Kharj, na Arábia Saudita. Segundo ele, a aeronave custava cerca de US$700 milhões e foi derrubada com um VANT muito mais barato. A discussão foi aprofundada por Juca, que chamou atenção para o peso militar do equipamento abatido e para o caráter inédito da ação.
“Esse aqui é mais um caso de um avião que nunca tinha sido derrubado. Esse avião é conhecido como AWACS, mas o tipo dele mesmo é E3. Como você falou, ele custa 700 milhões de dólares, e o drone que derrubou ele foi o Shahed 136, que é 20 mil dólares.”
Em seguida, o comentarista procurou explicar a importância do AWACS para as operações militares dos Estados Unidos. De acordo com ele, trata-se de uma aeronave capaz de voar a até 17 quilômetros de altitude e de emitir ondas eletromagnéticas aptas a escanear uma vasta área, de até 310 quilômetros, servindo para localizar posições inimigas. No programa, também foi lembrado que a própria imprensa imperialista reconheceu o feito. Juca citou uma chamada da Bloomberg segundo a qual se tratava do primeiro caso de destruição desse tipo de aeronave na história.
Ao comentar a comparação entre o aparato militar norte-americano e o iraniano, Juca afirmou que o problema central do imperialismo não é falta de poder de fogo, mas a sua estrutura burocrática e parasitária, em contraste com a capacidade do Irã de produzir meios de combate mais baratos e eficazes.
“O imperialismo é a maior força militar do mundo. Mas acontece o seguinte: o imperialismo, como qualquer poder dominante ao longo da história, é composto por uma burocracia ineficiente. Em grande medida também, esse avião custa 700 milhões de uma forma artificial. É um dinheiro que o Estado norte-americano paga para o complexo industrial militar dos Estados Unidos, superfaturado, que é para enriquecer esses caras que de fato mandam no Estado. Então é uma burocracia ineficiente, enquanto o Irã tem um esquema muito mais eficiente, mais inteligente de combate.”
Outro tema central da edição foi o ataque iraniano a Bersabá, uma das principais cidades dos territórios palestinos ocupados em 1948. Segundo Pedro, o Irã lançou três ondas de mísseis em menos de 30 minutos, atingindo um complexo industrial e também áreas de Dimona e Telavive. Ainda de acordo com o apresentado no programa, o Canal 12 sionista informou a possibilidade de vazamento químico no local atingido e classificou a situação como “grave” e “séria”.
Chico afirmou que a operação se enquadra na política de retaliação adotada pelo Irã desde o início da guerra, voltada contra alvos importantes da infraestrutura inimiga, em contraste com a política de destruição generalizada levada adiante por “Israel” na Faixa de Gaza. Para ele, trata-se de uma ação defensiva, mas que não deve ser confundida com fraqueza.
“O Irã, corretamente, tem uma política mais defensiva. ‘Israel’ tem uma política genocida, ofensiva, de destruição total. Ver o que eles fizeram com a Faixa de Gaza é um negócio totalmente criminoso. Enquanto que o Irã procura atingir alvos importantes, mas também a gente não pode, por causa disso, acreditar que está caindo pouco míssil em ‘Israel’, porque não é assim. Muita coisa já foi destruída e muita coisa está sendo destruída a todo momento.”
Juca acrescentou que o alvo atingido em Bersabá era uma planta química localizada no polígono industrial de Neot Hovav, no deserto do Naqab, e afirmou que, na mesma onda de ataques, o Irã também atingiu centros militares sionistas na região. A discussão ainda levou o comentarista a recordar a importância de Bersabá na história da resistência palestina, ao mencionar a prisão no deserto do Naqab onde Iahia Sinuar esteve detido.
A parte principal do programa foi dedicada ao balanço de um mês da guerra. Victor afirmou que, passados 30 dias do início do conflito, o dado mais importante é que o Irã não apenas manteve sua capacidade de defesa como também continuou impondo danos significativos à infraestrutura do imperialismo e do sionismo. Comparando a situação com a invasão do Iraque pelos Estados Unidos, ele destacou que, ao contrário do ocorrido em 2003, as potências imperialistas não conseguiram sequer criar as condições para uma intervenção terrestre no Irã.
“Passado um mês, o Irã continua demonstrando sua plena capacidade de defesa e até de infligir importantes danos à infraestrutura imperialista e sionista. A invasão do Iraque, em 20 dias, os norte-americanos já tinham derrubado o governo. Em coisa de dois meses, os Estados Unidos estavam administrando diretamente o Iraque. Aqui a gente tem um mês sem que tivesse se criado sequer as condições para que os Estados Unidos colocassem tropas no Irã.”
Victor também sustentou que a reação iraniana teve efeitos políticos em toda a região, encorajando uma mobilização mais ampla contra os regimes pró-imperialistas do Oriente Médio. Ele citou, entre outros casos, o do Iraque, o do Barém e a crise dos governos do Golfo diante do apoio popular às ações iranianas. Na sequência, Juca reforçou que o Irã se converteu no principal polo de unidade contra o imperialismo na região, reunindo setores xiitas e sunitas, além de forças laicas e organizações palestinas de diferentes origens.
“O Irã foi um dos países fundamentais para ajudar a resistência palestina a melhorar sua estrutura e finalmente conseguir fazer o que eles fizeram na operação Dilúvio de Al-Aqsa no 7 de outubro”, afirmou Juca. Em seguida, acrescentou: “Durante muito tempo, tentaram apresentar a situação nessa região do mundo como uma briga entre muçulmanos, chiitas e sunitas. Essa briga, em grande medida, foi estimulada pelos próprios governos pró-imperialistas. O Irã hoje tem uma política de unificação de todos esses setores.”
Na mesma discussão, Pedro lembrou que, segundo o que vinha sendo tratado no programa, o Iraque entrou na guerra como país, e não apenas por meio de suas milícias. Ele também comentou a declaração atribuída a Mojtaba Khamenei, novo Líder da Revolução Islâmica, agradecendo ao Iraque e à sua comunidade religiosa pelo apoio ao Irã. Juca, por sua vez, disse que circulavam informações sobre o envio de soldados ucranianos ao Cuaite e aos Emirados Árabes Unidos para reforçar a agressão contra o Irã, e afirmou que esses países do Golfo se consolidaram como pontos de apoio fundamentais do imperialismo na guerra.
Outro eixo da edição foi o custo econômico do conflito. Juca apresentou dados, atribuídos por ele a levantamentos divulgados pela HispanTV e pela agência Anadolu, segundo os quais os Estados Unidos teriam acumulado um gasto de US$27 bilhões em 30 dias de guerra, somente com suas operações militares diretas. Entre os componentes desse custo, ele mencionou mais de 10 mil alvos atacados, interceptações aéreas, perdas de equipamentos, disparo de mais de 800 mísseis Tomahawk e dezenas de saídas de bombardeio.
“A CBS News disse que a velocidade do consumo dos mísseis Tomahawk por parte dos Estados Unidos na guerra contra o Irã supera a velocidade de produção e reposição de suas reservas. Até agora, foram disparados mais de 850 desses mísseis durante o conflito, uma cifra que é quase nove vezes a média anual de compras de Tomahawk pelo Pentágono”, afirmou.
Os comentaristas também relacionaram a guerra à alta dos combustíveis e a possíveis efeitos inflacionários no Brasil. Chico citou reportagens sobre o aumento do preço do diesel no interior de São Paulo e do Paraná, e afirmou que a crise atingia fertilizantes, energia e a cadeia de abastecimento de alimentos. Ao falar do governo brasileiro, Victor classificou como “lamentável” a posição de Lula, lembrando que o presidente se recusou a falar sobre o Irã antes da guerra e, depois da agressão, limitou-se a notas diplomáticas sem qualquer ação efetiva contra o imperialismo.
“É um negócio muito grotesco. Porque o Brasil é um país oprimido, um país que sofre na mão do imperialismo, e diante disso o governante que se diz um governante do povo fica completamente alheio ao que está acontecendo. Isso vai ter um desenvolvimento negativo para o Brasil, porque torna o país muito mais vulnerável para o imperialismo.”





