O Plantão Irã, programa diário da Causa Operária TV (COTV) em parceria com o Diário Causa Operária (DCO), voltou ao ar nesta terça-feira (2), às 16 horas, com apresentação de Victor Assis e participação de Pedro Burlamaqui. O programa tratou da situação na Palestina, da crise do regime sionista, das ameaças contra o Líbano e da interrupção das negociações entre Irã e Estados Unidos.
O primeiro tema foi a situação na Faixa de Gaza. Burlamaqui destacou que “Israel” continuou sua agressão contra os palestinos apesar do cessar-fogo em vigor desde outubro do ano passado, tendo assassinado duas lideranças das Brigadas Al-Qassam. Em resposta, Abu Obaida, porta-voz das Brigadas, afirmou que o regime sionista se ilude ao imaginar que pode derrotar a resistência assassinando seus dirigentes.
Assis avaliou que a posição contida do Hamas diante das violações do cessar-fogo se explica pela situação favorável à resistência.
“Eu acredito que o Hamas não está retaliando de maneira dura porque eles estão ganhando. Nesse sentido é uma política sábia. Esse teatro de ‘Israel’, assassinar lideranças, assassinar a população civil, não é demonstração de força militar. Isso daí já ficou constatado durante os mais de dois anos de guerra na Faixa de Gaza. Inclusive, esse mito da invencibilidade de ‘Israel’ acabou.”
Segundo o apresentador, “Israel” depende do medo que impõe aos povos da região. Sem a aparência de invencibilidade, o Estado sionista perde seu papel como posto avançado do imperialismo no Oriente Próximo.
“‘Israel’ só tem sentido de existir ali no Oriente Médio a partir do momento em que os seus vizinhos temem a sua força, o seu poder bélico. Na medida que isso aí é colocado em xeque, ‘Israel’ perde totalmente o seu sentido, porque é uma sociedade completamente artificial, é um Estado que foi montado pelo imperialismo para administrar e defender os seus interesses na região.”
O programa também tratou do funeral do aiatolá Ali Khamenei, líder da Revolução Islâmica assassinado em 28 de fevereiro em bombardeio norte-americano e sionista contra sua residência. Segundo as informações apresentadas, as autoridades iranianas esperam entre 15 milhões e 20 milhões de pessoas apenas no cortejo em Teerã, antes do sepultamento no santuário do Imam Reza, em Mashhad.
Para Assis, os números demonstram a força da Revolução Islâmica e o erro cometido pelo imperialismo ao assassinar Khamenei.
“Essa popularidade se deve a duas coisas fundamentalmente. Primeiro, a popularidade do regime iraniano, que é um regime muito diferente de todos os demais regimes que a gente conhece aí no mundo. É um regime nacionalista extremamente radical. É a face mais radical do nacionalismo burguês em todo o mundo. […] É um regime que nasceu de uma grande revolução, uma das maiores revoluções do século XX, que foi a Revolução Islâmica de 1979.”
Na sequência, Burlamaqui apresentou uma breve exposição sobre a SAVAK, a polícia secreta da ditadura do xá Reza Pahlavi, criada em 1957 com apoio da CIA, do Mossad e dos serviços britânicos. A organização mantinha milhares de presos políticos, vigiava estudantes iranianos no país e no exterior e empregava torturas e execuções sumárias contra opositores.
Burlamaqui lembrou que o próprio Khamenei foi preso cinco vezes pela ditadura do xá. No livro Cela nº 14, citado no programa, o dirigente iraniano relatou as torturas sofridas: “me dei conta de que era um leito de tortura. Eles então me seguraram, amarraram a minha perna na cama”. Em outro trecho, afirmou: “não me deixaram descansar nem um pouco. Não posso falar sobre todos os detalhes da tortura, pois são grandes demais para serem absorvidos por uma declaração”.
O tema foi apresentado como parte da preparação para o curso A história do Irã e da República Islâmica, que será ministrado por Rui Costa Pimenta, pré-candidato à Presidência da República pelo PCO, entre 27 de junho e 5 de julho, pela Universidade Marxista.
A parte principal do programa abordou o corte das negociações entre Irã e Estados Unidos. Burlamaqui lembrou que, após 40 dias de guerra, o Irã impôs uma derrota ao imperialismo e levou os Estados Unidos a aceitar um cessar-fogo. No entanto, os norte-americanos voltaram atrás em pontos já discutidos, entre eles a questão do Estreito de Ormuz.
Ao mesmo tempo, “Israel” ameaçou bombardear Dahiyeh, no subúrbio sul de Beirute, apesar do cessar-fogo com o Hesbolá. Diante da ameaça, o Irã informou aos Estados Unidos que, se o ataque fosse realizado, bombardearia “Israel”. O bombardeio foi suspenso, e o Irã cortou os contatos com os EUA até que houvesse um cessar-fogo real também no Líbano.
Para Assis, o episódio mostra a crise profunda do regime sionista.
“Tudo o que ‘Israel’ está colhendo, após praticamente três anos de intensificação de sua guerra à população árabe, à população palestina, aos povos da região, é um gasto imenso, ou seja, um problema econômico. Há a paralisação de setores da economia por causa da guerra, o déficit populacional — cerca de 100 mil colonos deixaram a Palestina ocupada por causa dos conflitos com o Hesbolá —, está ficando desmoralizado internacionalmente. Em tudo que tenta está perdendo.”
O apresentador destacou que o Irã vem unificando as diferentes frentes de luta contra o imperialismo e o sionismo. Para ele, apenas uma parte da força do Eixo da Resistência foi acionada até agora.
“Quem está em ação é um destacamento bastante reduzido do que o Eixo da Resistência é capaz de mobilizar. Nós estamos vendo aí fundamentalmente a guerra do Corpo de Guardas da Revolução Islâmica iraniana, o CGRI, e o Hesbolá em ação. Mas várias outras organizações militares dentro do Irã, a própria população iraniana, que está pronta para ser mobilizada numa situação extrema, numa situação de invasão do país; as diversas organizações armadas na Palestina, incluindo o próprio Hamas […] o Ansar Alá no Iêmen […] as milícias iraquianas.”
Burlamaqui citou ainda a declaração de Donald Trump de que um acordo com o Irã poderia ser melhor que uma vitória militar, além da posição do Ansar Alá, que afirmou que qualquer nova agressão israelense contra o Líbano receberá resposta. Segundo Assis, tais declarações demonstram que os Estados Unidos não conseguiram vencer a guerra.
“Quem é que vai acreditar que o interesse do Trump é a paz mundial? O sujeito que assassinou a maior liderança do Islã enquanto estava negociando com o país? […] Se ele fala que é mais importante o cessar-fogo do que vencer a guerra, ele está dizendo o seguinte: eu não consigo vencer a guerra. Conclusão óbvia.”





