Parceria COTV-DCO

Plantão Irã discute possível cessar-fogo no Líbano

Programa destacou a resistência libanesa, o fracasso norte-americano em Ormuz e a crise política do governo Trump diante do avanço iraniano

O Plantão Irã, programa diário da Causa Operária TV (COTV) em parceria com o Diário Causa Operária (DCO), exibido nesta quarta-feira (15), tratou como principal assunto a possibilidade de um cessar-fogo no Líbano ainda durante a noite, em consequência da pressão exercida pelo Irã sobre a entidade sionista e os Estados Unidos. A edição também abordou a continuidade dos combates no sul libanês, o fracasso do bloqueio norte-americano no Estreito de Ormuz e o aprofundamento da crise política do imperialismo na guerra.

Ao abrir o bloco principal, Pedro Burlamaqui afirmou que a resistência libanesa seguia enfrentando as tropas sionistas em Bint Jbeil, cidade classificada como a capital da resistência no Líbano. Segundo ele, os combatentes impediram o avanço das tropas inimigas na região e realizaram uma emboscada contra soldados sionistas, atraídos para dentro de uma casa que depois foi detonada. Ao mesmo tempo, disse ele, a entidade sionista mantinha bombardeios contra áreas civis, inclusive uma minivan na rodovia de Jiyeh e fazendas próximas ao rio Litani e à região de Al-Wasta.

Na sequência, Burlamaqui destacou a informação divulgada pela emissora libanesa Al Mayadeen de que um membro sênior do aparato de segurança iraniano apontou a possibilidade de um cessar-fogo no Líbano ainda nesta quarta-feira. Segundo o relato apresentado no programa, a trégua duraria uma semana, até o fim do cessar-fogo então vigente entre Irã e Estados Unidos. O comentarista lembrou ainda que uma das condições iranianas para a interrupção dos combates era justamente o fim dos ataques ao Líbano, depois de a entidade sionista ter realizado massacres mesmo após anúncios anteriores de cessar-fogo.

Ao comentar o tema, Victor Assis afirmou que uma eventual trégua significaria uma demonstração clara de recuo por parte da entidade sionista diante da ação iraniana:

“Se de fato acontecer de haver um cessar-fogo, mesmo que breve, de uma semana, é uma demonstração defensiva do Estado sionista perante a retaliação iraniana. A única coisa que levaria ‘Israel’ a entrar numa condição de cessar-fogo é o medo do estrago que o Irã poderá fazer se continuar atacando o território palestino ocupado pela entidade sionista.”

A edição também retomou a situação no Estreito de Ormuz. Burlamaqui informou que mais um petroleiro iraniano, o Alicia, atravessou a região sem enfrentar obstáculos, tornando-se o terceiro navio iraniano a cruzar a área apesar das ameaças norte-americanas. Segundo ele, isso confirmava o fracasso da tentativa dos EUA de impor um bloqueio sobre o estreito. O programa acrescentou que o comandante-geral do principal quartel-general do Corpo de Guardas da Revolução Islâmica (CGRI) advertiu que, caso as ameaças prossigam, novas áreas do Golfo e também a rota do Mar Vermelho poderão ser atingidas.

Francisco Muniz avaliou que esse quadro mostra um imperialismo enfraquecido e em crise. Segundo ele, o Irã demonstra controle da situação, enquanto o governo Trump aparece cada vez mais incapaz de conduzir a guerra de maneira estável. Para Muniz, a própria retomada das negociações indica que os EUA e a entidade sionista buscam conter uma derrota que já se tornou muito grande no terreno político.

“A gente tem aqui duas questões interessantes. Uma é o fato de que o Irã tem o controle da situação. Nesse sentido, o que diz respeito a um conflito com o imperialismo é algo bastante importante e demonstra uma fraqueza muito grande do imperialismo. (…) Com relação à situação em si, acho que o negócio das negociações parece ser o caminho natural. Porque o imperialismo também não quer continuar o conflito nessa base, está muito desmoralizada a situação dos norte-americanos e de ‘Israel’.”

O programa informou ainda que o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, agradeceu ao Paquistão por sediar as conversas com os Estados Unidos, depois de receber em Teerã o chefe do Exército paquistanês, Asim Munir. Também foi destacada uma declaração do presidente iraniano Masoud Pezeshkian, segundo a qual nenhum poder no mundo pode forçar a nação iraniana a se submeter. Ao mesmo tempo, foi relatado um alerta do Conselho de Segurança Nacional da Rússia de que os Estados Unidos e a entidade sionista podem utilizar as conversas de cessar-fogo para preparar uma operação terrestre contra o Irã.

Na parte final, os apresentadores relacionaram a situação militar à crise interna do imperialismo. Burlamaqui mencionou a queda de mais um VANT espião norte-americano no Golfo Pérsico, um MQ-4C Triton avaliado entre US$235 milhões e US$250 milhões, além do custo crescente da guerra para a entidade sionista, que já teria chegado a US$112 bilhões desde a Operação Dilúvio de Al-Aqsa. Também foi citada a movimentação de parlamentares democratas por um processo de impeachment contra o secretário de Guerra Pete Hegseth.

Assis afirmou que a guerra vem mostrando uma diferença nítida entre a situação interna do Irã e a do governo norte-americano. Segundo ele, enquanto o regime iraniano preservou sua coesão, o trumpismo começa a sofrer um processo de desgaste e dispersão que pode atingir o próprio futuro político de Trump.

O programa ainda tratou da divulgação de documentos do arquivo do Exército israelense, revelados a pedido do jornal Haaretz, que mostram a tentativa da milícia sionista Lehi de se aliar à Alemanha nazista durante a Segunda Guerra Mundial. Para os comentaristas, o episódio ajuda a caracterizar o sentido político do sionismo e do aparato que deu origem ao país artificial de “Israel”.

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