O Plantão Irã, programa diário transmitido às 16 horas pela Causa Operária TV (COTV) em parceria com o Diário Causa Operária (DCO), dedicou sua edição mais recente ao agravamento da guerra contra o Irã. Ao longo da transmissão, Pedro Burlamaqui, Victor Assis e Chico Muniz trataram da 90ª onda da Operação Promessa Cumprida 4, dos ataques norte-americanos e sionistas contra estruturas civis iranianas, da resposta de Teerã contra instalações ligadas aos EUA no Barém e da crise aberta no estreito de Ormuz.
Logo no início do programa, Burlamaqui informou que o Corpo de Guardas da Revolução Islâmica (CGRI) lançou mísseis e aeronaves não tripuladas contra alvos em Telavive, Ramat Gan, Peta Tikva e Bnei Brak, além de objetivos nos Emirados Árabes Unidos, no Barém, na Jordânia e em bases norte-americanas em outros pontos da região. O apresentador também afirmou que o Irã derrubou mais dois VANTs MQ-9 Reaper e um Orbiter, elevando a 155 o total de aeronaves inimigas abatidas desde o início da agressão.
Sobre a ofensiva iraniana, Victor Assis afirmou que o programa via na ação de Teerã uma resposta planejada e sustentada. “As declarações dos militares iranianos são o oposto das bravatas de Trump. Toda promessa que eles fizeram, eles cumpriram. Avisaram, avisaram, mexeram com eles e é isso que está dando. O Irã está numa posição defensiva e tem uma estratégia muito superior à do governo norte-americano, que aparentemente não tem nenhuma. Quando os iranianos falam que vão fazer alguma coisa, normalmente é porque isso já está muito bem planejado”, declarou.
A edição também destacou os ataques norte-americanos e sionistas contra estruturas civis iranianas. Entre os alvos mencionados estiveram a ponte mais alta da Ásia Ocidental e o Instituto Pasteur do Irã, instituição médica histórica fundada em 1920. Chico Muniz afirmou que esse tipo de ação não altera a correlação militar, mas amplia a agressão contra a população civil. “Você destruir um hospital é uma covardia. Isso foi feito em Gaza repetidas vezes e não adiantou nada recorrer à ONU. A ONU faz o que o imperialismo quiser que ela faça. A única coisa que adianta, do ponto de vista estratégico militar, é reagir”, disse.
No centro da discussão esteve ainda a resposta iraniana ao ataque a civis. Burlamaqui lembrou que o CGRI havia advertido que, para cada pessoa assassinada, uma instalação de empresa norte-americana seria atingida na região. Segundo ele, o Irã cumpriu o aviso ao atacar um centro de processamento de dados da Amazon no Barém, provocando incêndio e interrompendo a operação regional da Amazon Web Services. O programa destacou ainda que o próprio Irã advertiu trabalhadores e moradores próximos a essas instalações para que deixassem a área.
Ao comentar esse ponto, Assis afirmou que a ação iraniana buscou atingir a capacidade operacional do inimigo, e não a população civil. “O Irã vem cumprindo as suas promessas e faz um esforço muito grande para não descontar sua retaliação nas pessoas que não têm a ver com a guerra. Ele procura enfraquecer o poder de guerra do imperialismo e do sionismo. Isso faz diferença porque é mais efetivo e porque deixa claro que o inimigo do Irã e de toda a humanidade é o imperialismo”, declarou.
Outro eixo da edição foi o estreito de Ormuz. Segundo os apresentadores, o Irã passou a operar um sistema de pedágio acompanhado de escolta a navios não hostis, enquanto o fechamento da passagem marítima desde o começo de março aprofunda a crise energética dos países imperialistas. O programa citou ainda relatos de que o preço do diesel alcançou US$200,00 por barril, no maior patamar desde 2022, e que governos da região procuram rotas alternativas para escoar petróleo sem depender do estreito.
Muniz afirmou que o problema criado em Ormuz atinge o conjunto do bloco imperialista e não pode ser simplesmente despejado sobre Donald Trump. “Essa crise afeta o lado do imperialismo em escala mundial. Os governos podem tentar dizer que foi uma guerra do Trump, mas todo mundo viu esses países apoiando a ofensiva contra o Irã desde o começo. Isso gera uma desmoralização muito grande desses governos e da política imperialista ao redor do mundo”, afirmou.
Os comentaristas também chamaram atenção para a reunião de ministros de Relações Exteriores de cerca de 40 países, convocada para discutir a situação do estreito. Segundo o programa, os governos imperialistas exigiram que o Irã interrompesse as ações na região, mas sem apresentar qualquer medida concreta para mudar o quadro. Para Assis, isso não demonstrava uma ruptura entre europeus e norte-americanos, mas a dificuldade em torno da condução da guerra. “Não é que exista uma divisão do bloco imperialista. O imperialismo de conjunto tem a mesma posição. A dificuldade é que a pessoa que está dirigindo o Estado norte-americano, que é o Trump, leva adiante uma política muito caótica”, afirmou.
Na parte final do programa, os comentaristas examinaram o pronunciamento feito por Trump na noite anterior. Para Assis, a fala não esclareceu os rumos da guerra e serviu apenas para ganhar tempo diante da pressão interna e externa sobre a Casa Branca. “Até minutos antes do pronunciamento havia gente dividida entre o anúncio do fim da guerra e o anúncio de envio de tropas. E ele conseguiu não fazer nem uma coisa nem outra. Foi uma fala repleta de contradições, que não deixa claro o que vai acontecer. A única coisa que ele conseguiu com isso foi mais tempo”, afirmou.
O programa também relacionou esse impasse à saída da procuradora-geral dos EUA, Pam Bondi, anunciada pouco antes da transmissão. Para Muniz, a demissão expressa a deterioração do governo Trump em meio ao fracasso da guerra. “Há um desmonte do trumpismo. O imperialismo está tentando jogar nas costas do Trump o fracasso dessa guerra, e isso mostra que a operação está fracassando. Muita coisa ainda pode acontecer, mas a situação é de crise”, disse.




