No Plantão Irã desta quinta-feira (16), programa diário exibido às 16 horas em parceria entre a Causa Operária TV (COTV) e o Diário Causa Operária (DCO), os comentaristas destacaram o aumento da capacidade militar iraniana, a pressão dos países do Golfo por um acordo entre Irã e EUA e o anúncio de um cessar-fogo temporário no Líbano. Ao longo da transmissão, Francisco Muniz, Pedro Burlamaqui e Victor Assis sustentaram que os acontecimentos apontam para um fortalecimento do Irã e para o agravamento da crise do imperialismo norte-americano.
Logo na abertura do bloco principal de notícias, Pedro Burlamaqui afirmou que o Exército iraniano informou ter multiplicado por 10 a velocidade de produção de seus VANTs de ataque desde o fim da guerra de 12 dias, em junho do ano passado. Segundo ele, um dirigente do Corpo de Guardas da Revolução Islâmica (CGRI) também declarou que os lançadores de mísseis iranianos estariam prontos para atingir os navios norte-americanos, em meio às ameaças de bloqueio contra os portos do país.
Ao comentar essas informações, Victor Assis declarou que a situação descrita no programa desmente a propaganda do imperialismo sobre um suposto enfraquecimento iraniano. Segundo ele:
“Se alguma coisa do que o Trump falasse fosse verdade, você teria aí um Irã rendido, você teria declarações indicando uma capitulação, você teria o Irã enfraquecido militarmente, mas o que a gente vê é o exato oposto. É um fortalecimento militar do Irã, nenhum sinal de capitulação, pelo contrário, os sinais ainda que muito ambíguos, ainda que muito confusos de capitulação, vêm do próprio governo norte-americano e até do governo israelense.”
Ainda sobre a situação militar, os apresentadores chamaram atenção para novas declarações do secretário de Defesa norte-americano, Pete Hegseth, que voltou a ameaçar o Irã e afirmou que o bloqueio contra os portos iranianos continuará “pelo tempo que for necessário”. Segundo o programa, o governo dos EUA também intensificou as ameaças contra a infraestrutura energética iraniana, num momento em que as negociações seguem frágeis.
Francisco Muniz avaliou que o imperialismo procura demonstrar iniciativa, mas que os fatos mostram uma situação de debilidade diante da resistência iraniana. Nas palavras dele, “não dá para os Estados Unidos simplesmente permitirem que o Irã demonstre abertamente ter o domínio total da situação”. Ao mesmo tempo, ponderou que parte das declarações norte-americanas pode ser blefe, embora a disposição agressiva permaneça.
O programa também tratou da movimentação diplomática no Golfo Pérsico. Pedro Burlamaqui informou que a Arábia Saudita voltou a pressionar em favor de um acordo, desta vez em reunião entre Mohammed bin Salman e o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, em Jedá. Segundo o relato apresentado, o encontro girou em torno do cessar-fogo e do papel paquistanês como mediador.
Ao comentar essa movimentação, Victor Assis afirmou que a própria pressão dos regimes árabes alinhados ao imperialismo sobre os EUA revela a fraqueza norte-americana na região. Segundo ele:
“O imperialismo está acumulando uma série de derrotas. Derrotas no próprio Iraque, a derrota muito contundente no Afeganistão, a derrota na Ucrânia, as várias derrotas na África, sobretudo na região do Sahel. Isso coloca o imperialismo numa posição de fraqueza, então coloca também os próprios, entre aspas, aliados do imperialismo, que na verdade são os servos do imperialismo, numa posição também de barganha.”
O tema principal do programa foi o cessar-fogo temporário no Líbano, anunciado por Donald Trump. Segundo os apresentadores, o anúncio foi seguido por uma intensificação dos bombardeios de “Israel” contra áreas civis libanesas. O programa informou que, de acordo com a Defesa Civil libanesa, desde 3 de março, quando o Hesbolá entrou oficialmente na guerra ao lado do Irã, o saldo chegou a 2.196 mortos e 7.185 feridos.
Francisco Muniz observou que o comportamento do sionismo segue o mesmo padrão dos acordos anteriores: ampliar os ataques até o último momento possível. Para ele, trata-se de uma demonstração de brutalidade contra a população civil, mas também de fraqueza política e militar diante da nova situação criada pela intervenção iraniana.
Ao abordar a posição do Hesbolá, Pedro Burlamaqui destacou as declarações do deputado Ali Fayad, que afirmou que o partido encara o cessar-fogo com cautela e vigilância, considerando qualquer ataque contra o território libanês uma violação do acordo. O programa também ressaltou que Telavive segue exigindo o desarmamento do Hesbolá, mas que esse ponto, ao que tudo indica, não foi incluído nas condições do acerto divulgado até agora.
Victor Assis afirmou que a posição adotada pelo Hesbolá corresponde à mesma linha seguida pelo Irã nas negociações. Segundo ele:
“Qual que é a alternativa que está colocada? Mesmo diante de toda a reação iraniana, o governo norte-americano vem insistindo que quer acabar com programa nuclear do Irã, que quer abertura total do Estreito de Ormuz, que quer o fim do seu programa balístico, não está colocado agora, mas no início também queria acabar com as relações entre o Irã e as forças de resistência, ou seja, se o Irã não reagisse, no final das contas, o Irã iria desaparecer enquanto país.”
Ele acrescentou que o Hesbolá não pode aceitar o acordo passivamente, uma vez que o histórico do país artificial de “Israel” é o de atacar a população civil e violar os próprios acordos que assina.
Na parte final do debate, os comentaristas destacaram as declarações de Saied Al-Houthi, dirigente do Ansar Alá, no Iêmen. Segundo o programa, Al-Houthi afirmou que apoiar o Hesbolá e o povo libanês é uma necessidade e declarou que os EUA só aceitaram o cessar-fogo com o Irã depois de sofrer derrotas militares e perdas importantes na região. De acordo com a citação lida durante a transmissão, “os inimigos foram forçados a aceitar a trégua após sofrerem pesadas baixas em termos de soldados e efetivos, com centenas de mortos e feridos”.
A partir disso, Victor Assis sustentou que a coordenação entre Irã, Hesbolá, Ansar Alá e as demais forças do Eixo da Resistência expressa um movimento de alcance regional, apoiado amplamente pelas massas. Segundo ele, a força desse bloco não pode ser explicada apenas por recursos militares ou apoio externo, mas pelo enraizamento social e político da luta contra o imperialismo e o sionismo em toda a região.




