O Plantão Irã, programa diário da Causa Operária TV em parceria com o Diário Causa Operária, transmitido às 16 horas desde 17 de março, dedicou sua edição desta segunda-feira (13) à crise no Estreito de Ormuz, ao fracasso das conversas entre Irã e Estados Unidos em Islamabade e às dificuldades do imperialismo para reverter a situação militar criada pela resposta iraniana. Ao longo do programa, Francisco Muniz, Pedro Burlamaqui e Victor Assis afirmaram que o anúncio norte-americano de um novo bloqueio ao estreito expressa, na prática, a incapacidade dos EUA de impor uma saída favorável para a guerra.
Logo no início, o programa retomou declarações do presidente iraniano Masoud Pezeshkian, segundo as quais a resistência nacional destruiu o plano inimigo de provocar o colapso do país. Em seguida, os comentaristas citaram a fala de um ex-chefe de operações da Marinha dos Estados Unidos, que admitiu a falta de preparo norte-americana diante da resistência iraniana no Golfo Pérsico. Segundo a declaração reproduzida no programa, “o bloqueio de Ormuz só causa mais danos ao mundo. Não estávamos prontos e não esperávamos tamanha resiliência dos iranianos. Em um único dia, com disparos em massa de aeronaves não tripuladas, eles desperdiçaram o equivalente a quatro anos da nossa produção de mísseis Patriot. É estúpido não termos considerado o plano de fechamento do estreito, pois estamos no nosso período mais fraco de capacidade de remoção de minas”.
Ao comentar essa avaliação, Muniz afirmou que a declaração mostra a posição de força do Irã no conflito:
“Olha, eu acho que é uma demonstração de fraqueza, inclusive. Porque mostra que eles estão tendo aí uma dificuldade muito grande. Mostra que na questão desse conflito, pelo menos até o momento, da forma como as coisas se encaminharam até aqui, o Irã está por cima do jogo. Os norte-americanos, embora estejam atacando o Irã, estejam atacando o território iraniano, é como o ex-chefe de operações falou: ‘não esperávamos tamanha resiliência dos iranianos’. Os iranianos são muito resilientes, são muito firmes, e o imperialismo tinha a expectativa de uma capitulação rápida, uma negociação imediata dos iranianos, mas não é isso que a gente tem.”
Na sequência, o apresentador ressaltou que a resposta iraniana decorre do caráter decisivo da guerra para a própria sobrevivência do país:
“Existe uma perspectiva maior do ponto de vista dos iranianos do que compreende o imperialismo. Os iranianos compreendem o problema da guerra, compreendem que aqui existe um ímpeto do imperialismo de destruir o país, esfacelar o país, como eles têm intenção de fazer em vários outros locais, e que eles não podem ceder. Não podem deixar de jeito nenhum a coisa chegar a esse ponto. Se eles não forem firmes, não forem efetivos na resposta deles, a própria existência, a integridade territorial do Irã, está correndo perigo.”
O programa também destacou a rapidez da reconstrução iraniana após os ataques norte-americanos e sionistas. Burlamaqui afirmou que, segundo informações divulgadas pelas emissoras do país, as seis pontes ferroviárias bombardeadas pelos EUA e “Israel” foram recuperadas em menos de 40 horas, com retomada integral do tráfego. Comentando esse ponto, Victor Assis declarou:
“A gente tem que se perguntar quantos aviões nos Estados Unidos foram reconstruídos. Quantos radares, quantas bases de lançamento, quantas refinarias. O imperialismo aparentemente não conseguiu reconstruir nada, ou pelo menos nada de essencial. Porque tudo bem, ele conteve um incêndio aqui, conseguiu recuperar e reativar uma outra usina que em um determinado momento ficou paralisada, mas fundamentalmente o imperialismo está aí com tudo destruído. Os danos que o Irã impôs foram muito grandes e relativamente duradouros.”
Ao entrar no tema principal, Burlamaqui recordou que, após o anúncio do cessar-fogo com base em 10 pontos definidos pelo próprio Irã, as negociações em Islamabade terminaram sem acordo. Depois disso, o CENTCOM anunciou um bloqueio ao tráfego marítimo iraniano no Estreito de Ormuz. O apresentador lembrou ainda que o quartel-general Khatam al-Anbiya declarou que “a segurança dos portos no Golfo Pérsico e no Mar de Omã é para todos ou para ninguém” e que, se os portos iranianos forem ameaçados, nenhum porto da região permanecerá seguro. O CGRI também declarou, segundo o programa, que uma eventual retomada da guerra surpreenderá os agressores com novas táticas e capacidades.
A principal avaliação política do programa foi feita por Victor Assis, para quem a ruptura das conversas não representou uma demonstração de força do imperialismo, mas uma manobra para esconder sua derrota.
“Eu acho que vão se confirmando as teses que a gente esboçou ontem sobre esse rompimento do cessar-fogo. A impressão que deu, e parece que isso vai se estabelecer, é de que, de fato, a situação se encaminha para um destensionamento, uma pausa na guerra. Que o imperialismo chegou à conclusão de que o prejuízo está sendo muito maior do que qualquer perspectiva de avanço político, militar na questão do Irã. O rompimento do cessar-fogo ou a negativa de um acordo de cessar-fogo aparece como uma manobra política para procurar apresentar a situação de maneira mais favorável do que ela é. Então, para que os Estados Unidos e ‘Israel’ não saíssem muito desmoralizados, eles realizaram essa manobra de procurar demonstrar força: ‘vamos nunca entrar em um acordo se o Irã não aceitar isso, aquilo, aquilo outro’. Todo mundo sabe que é jogo de cena. A própria imprensa imperialista já colocou, pelo menos alguns órgãos insinuaram, outros falaram abertamente que as expectativas norte-americanas são completamente irreais”, disse.
Assis prosseguiu, afirmando que o governo Trump continua sem um plano real para reverter a situação:
“A medida do Trump só comprova isso. Não é que eles desistiram do cessar-fogo porque eles se reorganizaram e têm um plano para vencer a guerra. Eles continuam na mesma, eles não sabem o que fazer, eles não têm nenhum plano efetivo. Esse plano é ridículo. O Irã vai lá e fecha o estreito de Ormuz. Aí o Trump chega e fala: ‘não, quem fechou fui eu’. E aí? Eu acho que o que tem de acontecer é o contrário do que o Trump está buscando. Ele está querendo um pouco mais de tempo para ele realizar mais algumas pirotecnias e procurar apresentar quem está vencendo a guerra. Mas o que vai acontecer é que com mais tempo a crise política, militar e econômica vai ser maior, ele vai se enrolar ainda mais e vai ficar mais desmoralizado.”
O programa tratou ainda do isolamento dos EUA entre os próprios países imperialistas. Burlamaqui afirmou que Reino Unido, Austrália e Espanha recusaram participação no novo esquema defendido por Trump, enquanto a Holanda rejeitou formalmente o convite. França e Reino Unido, por sua vez, passaram a discutir uma missão “pacífica” para Ormuz. Sobre esse ponto, Muniz declarou:
“Obviamente que é um cinismo do imperialismo colocar-se nessa posição, porque eles apoiaram todas as medidas, a ofensiva contra o Irã, mas o negócio fracassou e agora eles querem jogar esse fracasso nas costas do Donald Trump. Essa solução que o Reino Unido está tentando costurar em torno do problema do Estreito de Ormuz é uma solução diplomática. É uma solução assim por meio da negociação e tal. Eles estão vendo que isso é um vespeiro, você tentar entrar militarmente nessa guerra.”
Na mesma intervenção, ele ressaltou que a guinada diplomática das potências europeias não expressa qualquer política de paz, mas apenas o reconhecimento de que a ofensiva fracassou.
“Eu acho, em todo caso, que o pessoal não deveria se animar muito com essa perspectiva. Porque isso é uma situação específica. É evidente que Donald Trump não soube fazer, tanto de um ponto de vista militar quanto de um ponto de vista político, uma articulação para fazer a ofensiva ao Irã da forma como o imperialismo consideraria que fosse adequada. O Trump fez uma ofensiva fracassada, desde o princípio, algo que tinha toda a pinta de que ia dar errado. Então, não é que o imperialismo quer a paz, o imperialismo quer negociar, o imperialismo quer a diplomacia. Não é isso. É que o imperialismo viu que o negócio não está se encaminhando para um desfecho positivo para ele.”
Segundo o programa, o próprio bloqueio norte-americano já dava sinais de fracasso poucas horas depois de ser anunciado. Burlamaqui afirmou que a imprensa burguesa noticiou a travessia de três navios com bandeira iraniana pelo estreito, enquanto a plataforma TankerTrackers confirmou que petroleiros continuavam operando normalmente nos terminais do país persa. O apresentador também leu uma declaração do ministro da Defesa da China segundo a qual Pequim mantém seus acordos energéticos com o Irã e considera o Estreito de Ormuz aberto para a China.




