Causa Operária TV

Plantão Irã destaca exigências iranianas nas negociações

Programa da COTV e do DCO ressaltou a reconstrução de uma ponte bombardeada, a pressão do Irã sobre as tratativas em Islamabade e a resposta do Hesbolá no Líbano

No Plantão Irã desta sexta-feira (10), programa diário da Causa Operária TV (COTV) em parceria com o Diário Causa Operária (DCO), transmitido às 16 horas, Francisco Muniz e Pedro Burlamaqui destacaram uma série de acontecimentos que, segundo afirmaram, confirmam a derrota do imperialismo na guerra contra o Irã. Entre os temas centrais da edição estiveram a reconstrução de uma ponte ferroviária bombardeada pelos Estados Unidos, as condições impostas pelo governo iraniano para o início das negociações em Islamabade, a intensificação da resposta do Hesbolá no Líbano e o crescimento da rejeição popular a EUA e “Israel” nos próprios países imperialistas.

Logo no início do programa, os apresentadores chamaram atenção para a reconstrução da ponte de Iarriabade, destruída nos bombardeios norte-americanos do último dia 7 e recolocada em funcionamento apenas três dias depois. A imagem exibida na transmissão mostrou a primeira travessia de um trem pela estrutura restaurada.

Burlamaqui afirmou que a velocidade da obra é um sintoma da capacidade de mobilização do país atacado. “Essa outra ponte, que inclusive abriga uma estrutura ferroviária, foi somente em três dias colocada pra funcionar de novo. Foi uma coisa, é impressionante uma coisa desse tipo”, declarou. Muniz observou que a obra expressa “um feito impressionante do povo iraniano, do governo iraniano”, numa situação em que o imperialismo procurava atingir a infraestrutura do país para desorganizá-lo

Ainda sobre a situação interna do Irã, os comentaristas deram destaque ao novo pronunciamento do Líder da Revolução Islâmica, Mojtaba Khamenei, apresentado como a primeira mensagem desde o anúncio do cessar-fogo. Segundo Burlamaqui, a fala ressaltou que o povo iraniano foi “o vencedor definitivo da terceira guerra imposta ao país” e deu especial ênfase à participação popular como elemento decisivo da vitória.

No programa, foi lido o seguinte trecho da declaração de Mojtaba Khamenei:

“Hoje e até esse ponto na saga da terceira defesa sagrada imposta, pode-se afirmar com ousadia que vocês, o povo heroico do Irã, foram os vencedores definitivos nesta arena.”

Na sequência, Burlamaqui sustentou que o centro da declaração está justamente no papel desempenhado pelas massas. Mais adiante, ele citou outro trecho da mensagem, no qual Mojtaba Khamenei convocou a população a manter a mobilização mesmo na fase de “silêncio militar”: “é o dever de cada cidadão capaz de estar presente nas ruas, nos bairros e nas mesquitas, para intensificar a sua participação”. Para os apresentadores, a posição reafirma que o governo iraniano não deposita confiança no imperialismo e vincula a defesa do país à atuação direta da população

Outro ponto central do programa foi a situação das negociações entre Irã e Estados Unidos. Muniz e Burlamaqui afirmaram que o governo iraniano condicionou o avanço das tratativas ao fim dos bombardeios de “Israel” contra o Líbano. Segundo eles, a declaração iraniana foi clara: enquanto os ataques continuassem, não haveria negociação de cessar-fogo com o Irã.

Burlamaqui afirmou que, com base em notícia publicada pela Press TV, o Irã forçou “Israel” a interromper os ataques contra Beirute para que as conversações pudessem prosseguir. Ele lembrou que a agressão imperialista de 28 de fevereiro começou quando o próprio Irã já negociava com os norte-americanos e criticou as declarações do vice-presidente dos EUA, J.D. Vance, que tentou apresentar Teerã como parte pouco confiável. “Se o vice-presidente quer falar de enganação, ele tem que primeiro falar sobre o próprio país que assassinou as pessoas com quem ele estava negociando”, afirmou o comentarista no programa

Muniz destacou que os fatos contradizem a tentativa da imprensa burguesa de apresentar Donald Trump como vitorioso no confronto. Segundo ele, se o Irã estivesse derrotado, não teria condições de impor a interrupção dos bombardeios contra o Líbano como requisito para a continuidade das negociações. “Se o Irã conseguiu impor isso daí, é porque há um interesse da parte do imperialismo de negociar o cessar-fogo. O interesse é da parte do imperialismo, é do lado do imperialismo, principalmente. Porque essa guerra está sendo muito custosa para o imperialismo”, declarou

Na mesma linha, Burlamaqui mencionou declarações de autoridades iranianas segundo as quais duas medidas ainda precisavam ser implementadas antes do início das negociações: o cessar-fogo no Líbano e a liberação de recursos iranianos bloqueados pelo imperialismo. Ele também ressaltou que, de acordo com o vice-ministro das Relações Exteriores para Assuntos Políticos, Majid Takht-Ravanchi, todo o processo de negociação será baseado nos dez pontos apresentados pelo próprio Irã.

Enquanto analisavam a situação regional, os apresentadores também trataram da escalada no Líbano. Muniz afirmou que, após o anúncio do cessar-fogo, “Israel” intensificou os ataques contra o país vizinho, com um saldo de mortos que já chegava às centenas. Durante o programa, Burlamaqui corrigiu os números inicialmente citados e informou que, segundo atualização das autoridades libanesas, mais de 300 pessoas haviam sido assassinadas pelas forças sionistas. Ao mesmo tempo, destacou que o Hesbolá realizou cerca de 50 operações em um único dia como resposta à agressão

Os comentaristas também deram destaque à declaração do secretário-geral do Hesbolá, xeique Naim Qassem, segundo a qual o regime israelense fracassou na guerra do Líbano. De acordo com Burlamaqui, Kassem lembrou que “Israel” anunciou por semanas uma invasão terrestre, mas não conseguiu concretizá-la em nenhum momento. Também apontou que o regime sionista foi rebaixando seus objetivos militares à medida que encontrava a resistência libanesa pela frente.

“Israel ficou semanas, meses anunciando que realizaria uma invasão terrestre contra o Líbano e não conseguiu, em momento algum dessa agressão imperialista contra o país, realizar essa operação”, resumiu Burlamaqui. Na mesma intervenção, ele ressaltou que o Hesbolá, dado como liquidado pela imprensa burguesa após os assassinatos de parte de sua direção, segue atuando como força decisiva na defesa do Líbano.

A discussão avançou ainda para o estreito de Ormuz. Segundo Muniz, o acordo entre Irã e Omã sobre a administração da passagem aponta para uma consolidação do controle iraniano sobre uma das principais rotas do comércio mundial de petróleo. Para ele, caso essa situação seja incorporada ao acordo político mais amplo, o resultado representará uma derrota de grandes proporções para o imperialismo.

Burlamaqui reforçou esse ponto, afirmando que o próprio Corpo de Guardas da Revolução Islâmica indicou que o “silêncio militar” abriu uma nova fase na administração do estreito. Segundo ele, o fato de o trânsito marítimo estar restringido com base nas imposições iranianas, sem resposta militar imediata do imperialismo, confirma que Teerã saiu fortalecido do confronto

No encerramento da edição, os apresentadores comentaram pesquisas que mostram o desgaste dos Estados Unidos e de “Israel” diante da opinião pública. Muniz citou levantamento segundo o qual 53% dos britânicos agora veem os EUA como uma força global negativa, ante 35% em dezembro. Também mencionou pesquisa do Pew Research Center indicando que 60% dos norte-americanos têm visão desfavorável de “Israel”, acima dos 53% registrados no ano anterior.

Para Burlamaqui, esses dados ajudam a explicar a crise política aberta nos próprios países imperialistas. Ele afirmou que a agressão ao Irã abalou a base de apoio do governo Trump e mostrou que a política de intimidação do imperialismo encontra resistência cada vez maior. Ao mesmo tempo, observou que a rejeição a “Israel” é ainda mais ampla do que setores da esquerda admitem e defendeu uma posição mais consequente em apoio ao Eixo da Resistência.

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