Causa Operária TV

Plantão Irã destaca entrada do Iêmen na guerra

Programa da COTV em parceria com o DCO tratou da 85ª onda da Operação Promessa Verdadeira 4, do assassinato de jornalistas no Líbano e da ampliação da frente contra EUA e “Israel”

Na edição deste sábado (28) do Plantão Irã, programa diário da Causa Operária TV (COTV) em parceria com o Diário Causa Operária (DCO), transmitido às 16 horas, Pedro Burlamaqui, Victor Assis e Izadora Dias abordaram a escalada da guerra contra a República Islâmica do Irã, a resposta iraniana à agressão norte-americana e sionista, o assassinato de jornalistas no Líbano e a entrada oficial do Iêmen no conflito. Ao longo do programa, os apresentadores ressaltaram que a situação marca um novo patamar da crise no Oriente Médio.

Logo no início, Burlamaqui afirmou que o Corpo de Guardas da Revolução Islâmica (CGRI) denunciou bombardeios dos Estados Unidos e de “Israel” contra alvos ligados à infraestrutura iraniana, incluindo instalações industriais e usinas nucleares civis. Segundo ele, o Irã já havia deixado claro que, caso esse tipo de ataque ocorresse, a resposta seria mais ampla que nas ondas anteriores. Na 85ª onda da Operação Promessa Verdadeira 4, discutida no programa, foram citados ataques a indústrias do “inimigo norte-americano sionista” e também a uma base militar secreta dos Estados Unidos, com cerca de 500 baixas norte-americanas, entre mortos e feridos, de acordo com a informação apresentada na transmissão.

Comentando esse ponto, Victor Assis relacionou a nova etapa da guerra às declarações anteriores de Donald Trump sobre uma suposta trégua. Segundo ele, a agressão mostrou mais uma vez o caráter fraudulento das promessas do imperialismo.

“Isso daí acaba sendo positivo — lógico, do ponto de vista da destruição é negativo —, é positivo no sentido da consciência dos povos oprimidos, que mostra uma vez mais que não dá pra confiar em absolutamente nada do que o imperialismo diz. Tanto a guerra começou em meio a negociações quanto durante a guerra, o que o Trump fala não vale absolutamente nada. Aparentemente a reação foi muito forte. Vamos ver o que vai acontecer daqui para frente, a política do Irã é acertada. Eles chegaram numa etapa em que recuar, em que aceitar as novas agressões vai levar à destruição do país. O que resta ao Irã é responder à altura e também o Irã está correto quando fala que não tem nenhum tipo de limite essa reação.”

Ainda sobre a resposta iraniana, Burlamaqui afirmou que drones do Irã atingiram uma fábrica militar israelense de radares e sistemas de guerra eletrônica, além de armazéns de combustível no aeroporto Ben Gurion, interrompendo operações aéreas. Izadora Dias destacou que, ao contrário dos ataques norte-americanos e sionistas contra civis, a política militar iraniana se concentra em pontos estratégicos.

“Importante destacar que ao contrário do que fazem Estados Unidos e ‘Israel’, o Irã ataca pontos estratégicos. Então eles atacam bases, eles atacam centros de inteligência, centros de radares. Então a gente vê que a política dos Estados Unidos e de ‘Israel’ é atacar diretamente os civis para criar um terrorismo. A ideia deles era, por conta desse terror, até desestabilizar o Irã. Mas o Irã tem uma política de guerra acertada, enfraquecer a estrutura militar de ‘Israel’. Finalmente você está numa guerra, não é válido você ir destruindo qualquer coisa.”

Outro tema central do programa foi o assassinato de dois jornalistas libaneses no sul do Líbano. De acordo com a transmissão, o carro em que eles estavam, claramente identificado como veículo de imprensa, foi atingido diretamente por bombardeio israelense. Izadora Dias acrescentou que, quando a equipe de resgate chegou ao local, os paramédicos também foram atacados, e um deles foi assassinado. Os comentaristas relacionaram o episódio à política deliberada de impedir a denúncia dos crimes cometidos por “Israel” e seus aliados.

Assis afirmou que o ataque a jornalistas não ocorre por acaso, mas faz parte de um plano de intimidação e eliminação física daqueles que mostram ao mundo os crimes em andamento. Burlamaqui observou ainda que a própria imprensa burguesa praticamente silencia diante do assassinato de profissionais da imprensa no Líbano e em Gaza, mesmo quando os ataques ocorrem de maneira ostensiva e documentada.

Na parte final do programa, os apresentadores deram destaque ao que chamaram de principal fato do dia: a entrada oficial do Iêmen na guerra contra os Estados Unidos e “Israel”. Burlamaqui leu um trecho da nota das Forças Armadas iemenitas, segundo a qual a operação ocorreu em apoio à República Islâmica do Irã e às forças de resistência no Líbano, no Iraque e na Palestina, tendo como alvo posições militares na parte sul da Palestina ocupada. O apresentador lembrou ainda que, no dia anterior, os iemenitas já haviam advertido que entrariam diretamente no conflito caso a agressão continuasse.

Ao comentar a entrada do Iêmen, Victor Assis afirmou que a retaliação iraniana “acontece por camadas” e que ainda há recursos e forças que não entraram plenamente em cena. Ele destacou o papel do Ansar Alá e disse que a participação iemenita amplia a intensidade dos danos contra a coalizão agressora. Segundo ele, a atuação do Irã nas semanas anteriores abriu caminho para que outras forças da resistência conseguissem atingir mais alvos.

“A participação do Ansar Alá tende a aumentar bastante a intensidade dos danos causados à coalizão agressora. Porque durante toda a guerra em Gaza, o Ansar Alá, o partido revolucionário que comanda o Iêmen, sustentou quase dois anos de embargo à navegação israelense e norte-americana de maneira muito brava e muito bem-sucedida. A tendência é agora eles conseguirem com mais facilidade, porque eles não estão sozinhos. Eles vão atuar em conjunto com o Irã. A participação do Ansar Alá é péssima notícia para os Estados Unidos, para ‘Israel’. E é mais uma demonstração de força e de unidade da resistência.”

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