O programa Plantão Irã, parceria diária entre a Causa Operária TV (COTV) e o Diário Causa Operária (DCO), tratou nesta quarta-feira (29) das novas ameaças do presidente norte-americano Donald Trump contra o Irã, da resposta iraniana às ações de pirataria dos Estados Unidos no Estreito de Ormuz e dos sinais de desagregação da sociedade israelense diante da guerra.
Apresentado por Adriana Machado e Pedro Burlamaqui, o programa destacou que a pressão dos Estados Unidos contra o Irã tem se voltado contra o próprio imperialismo. O ponto de partida foi uma publicação de Trump na rede Truth Social, feita durante a madrugada, em que o presidente norte-americano apareceu armado em uma imagem artificial e ameaçou o Irã com a frase “acabou o senhor bonzinho”.
Segundo os apresentadores, a tentativa de Trump de se apresentar como uma ameaça perdeu força diante da capacidade iraniana de responder às agressões dos Estados Unidos e de “Israel”.
“Está difícil para Trump passar uma imagem ameaçadora, por mais que ele tente. Ele já fez ameaças que chocaram o mundo, ameaçando jogar uma bomba nuclear no Irã, levar o Irã de volta à Idade Média, erradicar a civilização, e não conseguiu nada. Enquanto isso, tudo que o Irã fala que vai fazer, ele faz. Então, Trump não tem mais credibilidade, já virou motivo de chacota”, afirmou Adriana.
A apresentadora também destacou que, enquanto o governo norte-americano tenta ampliar o bloqueio econômico e naval contra o Irã, fontes ligadas ao aparato de segurança iraniano indicaram que o país prepara uma resposta decisiva às ações de pirataria marítima nas águas próximas ao Estreito de Ormuz. Os Estados Unidos sequestraram navios com petróleo iraniano, medida denunciada pelo Irã na ONU.
Adriana afirmou que a diferença entre as ameaças norte-americanas e a posição iraniana está no fato de que o Irã tem respondido concretamente às agressões.
“Os Estados Unidos sequestraram dois navios, se não me engano, com milhões de barris de petróleo. O Irã já denunciou isso na ONU. Eles compararam, inclusive, com o que os Estados Unidos estão fazendo na Venezuela, que é pirataria total, contra qualquer norma internacional. Só que o Irã não está mais esperando a ONU agir. O Irã está se defendendo, com muita segurança e muita firmeza”, disse.
O programa também abordou o plano de negociação apresentado pelo Irã. A proposta tem três fases: a primeira trata do fim da agressão norte-americana e sionista e da garantia de que os ataques não sejam retomados; a segunda aborda o Estreito de Ormuz, em coordenação com Omã, para estabelecer novas regras para a região; e a terceira trata do programa nuclear iraniano, apenas depois de acordos firmes nas duas etapas anteriores.
Segundo Adriana, a proposta mostra que o Irã não recusa negociações, mas não aceita mais acordos vagos que permitam a continuação dos ataques.
“O Irã está colocando bem claras as três fases de negociação. Primeiro, acabar com as agressões imperialistas e sionistas. Não só contra o Irã, mas também contra todo o Eixo da Resistência, contra a Palestina e contra o Líbano principalmente. Primeiro, tem que acabar com a guerra. Não dá mais para aceitar esse cessar-fogo em que ‘Israel’ e Estados Unidos nunca falam o que vão fazer e não se comprometem. Eles sempre quebram a palavra”, afirmou.
A apresentadora acrescentou que a questão do Estreito de Ormuz é central para o Irã. O país defende o direito de controlar a passagem de navios na região e impedir que seus inimigos utilizem a área para ameaçar sua soberania.
“O Irã não só está defendendo o seu direito de cobrar uma taxa pela passagem no Estreito de Ormuz e de não deixar que inimigos passem pelo Estreito para ameaçar a soberania do país, mas também está trazendo Omã, um país vizinho e aliado, que também tem direito à negociação. É tudo muito racional, muito justo e muito correto”, disse Adriana.
Outro ponto abordado no programa foi a reunião do vice-ministro da Defesa iraniano, brigadeiro-general Reza Talaimniq, com os ministros da Defesa da Organização de Xangai. A entidade reúne, entre outros países, Rússia, China, Irã, Índia, Paquistão e países da Ásia Central.
Segundo os apresentadores, o representante iraniano afirmou que o mundo inteiro vê hoje os Estados Unidos e “Israel” como símbolos do terrorismo de Estado. Ele também se colocou à disposição para apresentar aos países independentes a experiência iraniana de enfrentamento ao imperialismo.
Adriana citou o caso do caça F-5 iraniano, dos anos 1960, que conseguiu atingir uma base norte-americana no Oriente Médio, como exemplo da preparação militar do Irã.
“O vice-ministro de Defesa se propôs a discutir não só com os países da Organização de Xangai, mas também com todos os países independentes do mundo, como o Irã levou o imperialismo à derrota. Coisas que vocês já discutiram aqui no programa, por exemplo, como um caça F-5 dos anos 1960 conseguiu destruir a maior base dos Estados Unidos no Oriente Médio. É uma coisa impressionante”, declarou.
A apresentadora também afirmou que o Irã se preparou durante décadas para uma guerra como a atual, desenvolvendo mísseis, VANTs, tecnologia própria e capacidade de resistência política diante das tentativas de golpe e de desestabilização interna.
“O Irã está se preparando para essa guerra há 47 anos. Eles desenvolveram os próprios mísseis, mísseis hipersônicos. Desenvolveram VANTs que ajudaram a Rússia na guerra da Ucrânia. Conseguiram superar todas as tentativas do imperialismo de dar um golpe dentro do Irã, como as manifestações. O imperialismo mandou armas para grupos separatistas no oeste do país e o Irã superou tudo isso”, afirmou.
O programa exibiu imagens de grandes manifestações na Praça da Revolução, em Teerã, onde milhares de iranianos se reuniram em defesa do país. Segundo os apresentadores, os atos têm ocorrido diariamente desde o início da guerra, em 28 de fevereiro, demonstrando a unidade nacional diante da agressão imperialista.
Pedro Burlamaqui destacou que a questão econômica é uma das armas utilizadas pelos Estados Unidos para tentar pressionar a população iraniana contra o governo. Ele citou a desvalorização do rial iraniano, que chegou a 1,8 milhão por dólar, e a declaração de Mohammad Baqer Qalibaf, presidente do Parlamento iraniano, segundo a qual a nação derrotará mais uma vez os planos norte-americanos para dividir o país.
Adriana comparou a ofensiva contra a moeda iraniana com o que os Estados Unidos fizeram contra o Líbano, quando autoridades norte-americanas admitiram ter realizado uma espécie de bombardeio monetário contra o país.
“É mais uma das armas do imperialismo para tentar desestabilizar o governo no Irã. O imperialismo já fez isso no Líbano. Há alguns anos, um integrante do governo norte-americano admitiu em entrevista que os Estados Unidos bombardearam o Líbano monetariamente. Eles admitiram que estavam pressionando, fazendo de tudo para acabar com a força do dinheiro no Líbano para pressionar o governo”, afirmou.
Ao mesmo tempo, o programa destacou que a guerra está atingindo diretamente os próprios países imperialistas. O preço da gasolina nos Estados Unidos chegou a US$4,23 por galão, o maior valor em quatro anos. A crise no transporte de petróleo e gás também atinge o Brasil, que depende de importações para cerca de 30% do diesel consumido internamente.
Adriana afirmou que a alta dos combustíveis, a destruição de instalações energéticas na região e a incapacidade dos Estados Unidos de controlar o preço do petróleo mostram a situação de fraqueza do imperialismo.
“Esse é o maior indício de que o Irã está ganhando a guerra: o desespero do imperialismo na questão econômica. Eles estão sem saída, não têm o que fazer. Enquanto o imperialismo está nesse impasse, não consegue subjugar o Irã, o Irã tem o controle da situação. Os Estados Unidos e o imperialismo mostram que não conseguem controlar o preço do petróleo, não conseguem controlar a inflação e gastam um dinheiro impressionante com a guerra”, disse.





