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Plantão Irã destaca ataque a Haifa, martírio de Tangsiri e crise em Ormuz

Programa diário da COTV, em parceria com o DCO, tratou da ofensiva conjunta do Irã e do Hesbolá, da 87ª onda da Operação Promessa Verdadeira 4 e dos efeitos econômicos da guerra

O episódio 13 do Plantão Irã, transmitido nesta segunda-feira (30), concentrou-se na escalada da guerra no Oriente Médio, com destaque para a operação conjunta do Irã e do Hesbolá que atingiu a refinaria de Haifa, para o anúncio do martírio do almirante Alireza Tangsiri e para a discussão sobre o controle do Estreito de Ormuz. Apresentado por Pedro Burlamaqui, o programa contou com comentários de Juca Simonard, Francisco Muniz e Victor Assis.

Logo no início, Burlamaqui destacou que a operação conjunta do Irã com o Hesbolá atingiu cinco pontos na Palestina ocupada, tendo como principal alvo a refinaria de Haifa, uma das instalações mais importantes da ocupação sionista. Ele também informou que sirenes soaram em Netânia, na Galileia Baixa e em Tiberíades, indicando o alcance da ofensiva. Na avaliação apresentada durante a transmissão, a ação mostrou a continuidade da resposta iraniana aos ataques contra a infraestrutura do país.

Francisco Muniz afirmou que a entrada do Iêmen e do Iraque ao lado do Irã amplia as possibilidades de escalada regional e dificulta o esforço do imperialismo norte-americano e de seus aliados para conter a contraofensiva iraniana. Segundo ele, a destruição tende a se aprofundar dos dois lados, o que pode levar a uma crise generalizada em toda a região.

A situação na frente libanesa ocupou parte importante do programa. Juca Simonard chamou a atenção para o fato de que a própria imprensa israelense passou a admitir que o Hesbolá segue em plena atividade militar, em contraste com a propaganda de que a organização teria sido liquidada. Ele mencionou declarações do canal I24 News e elencou uma série de operações realizadas pela resistência libanesa.

“A própria imprensa israelense reconhece, está reconhecendo agora que o Hezbollah não acabou e a prova disso não é só essa operação conjunta mas várias operações que o Hezbollah fez individualmente na frente libanesa, no sul do Líbano, no norte de Israel. Foram realizadas ontem, 70 operações militares contra posições israelenses e assentamentos no norte da Palestina ocupada em 24 horas.”

Ainda sobre a frente libanesa, o programa relatou ataques contra soldados e veículos israelenses, bombardeios contra assentamentos como Metula e Doviv, o ataque a uma base em Glilot, nos arredores de Telavive, e ações contra meios aéreos inimigos. Simonard acrescentou que o fracasso militar de “Israel” vem sendo acompanhado de massacres contra a população civil do Líbano. De acordo com os números mencionados por ele, desde 2 de março mais de mil pessoas foram assassinadas e mais de três mil ficaram feridas, em meio a bombardeios contra edifícios residenciais, profissionais de saúde e jornalistas.

O tema central do episódio, no entanto, foi o anúncio do martírio do chefe da Marinha do Corpo de Guardas da Revolução Islâmica (CGRI), almirante Alireza Tangsiri. Burlamaqui afirmou que Tangsiri estava empenhado na reorganização e no reforço das posições defensivas iranianas nas ilhas e áreas litorâneas do país, tendo sido ferido em um ataque e assassinado dias depois por “Israel”. O apresentador informou ainda que diversas autoridades iranianas prestaram homenagens ao comandante e que a 87ª onda da Operação Promessa Cumprida 4 foi dedicada a ele.

“Essa operação, a octogésima sétima, teve como alvo centros de comando, hangares de drones e fábricas relacionadas à produção armamentícia, bem como o que eles chamam de esconderijo de forças terroristas, incluindo pilotos norte-americanos e israelenses.”

Segundo o programa, essa onda atingiu cinco bases na região, entre elas Al-Kharj, na Arábia Saudita, Juffair, nos Emirados Árabes Unidos, e a base Vitória, no Iraque. Também foram citados ataques contra alvos no sul, centro e norte da Palestina ocupada, incluindo Haifa, Kiryat Shmona, Tel Aviv, Bersebá e Dimona. Juca Simonard acrescentou que uma onda anterior havia atingido a base de Al-Azraq, na Jordânia, apontada pelo CGRI como um centro operacional importante para os Estados Unidos e seus aliados.

Victor Assis comentou a política de assassinatos seletivos adotada por “Israel” contra dirigentes militares, políticos e religiosos iranianos. Para ele, esse método não resolve a guerra nem desarticula o Estado iraniano. Ao contrário, o comentarista sustentou que o martírio reforça a disposição de combate das forças iranianas e da população mobilizada.

“Não funciona você assassinar uma liderança visando com isso acabar com a organização, com o país, com o governo. E nesse caso aqui funciona muito menos porque tem mais dois elementos que são colocados. O primeiro é a própria crise do imperialismo, que faz com que a capacidade militar seja diminuída bastante pelo seu caos interno. E o segundo é a própria ideologia muçulmana.”

Na sequência, o programa tratou da possível ampliação do conflito com a entrada da Turquia. Burlamaqui informou que Recep Tayyip Erdogan declarou que Ancara poderia intervir caso forças curdas no Iraque passassem a atacar o Irã ao lado do sionismo. Victor Assis avaliou ser difícil uma entrada direta da Turquia por se tratar de um país da OTAN, mas afirmou que ela já participa da crise de maneira indireta e tende a aprofundar esse envolvimento em razão do agravamento da situação na Síria e na própria região.

Outro ponto abordado foi a denúncia de operações de bandeira falsa nos países do Golfo. O programa relatou que o porta-voz iraniano Ebrahim Zofagari negou qualquer participação do Irã no ataque à fábrica de dessalinização no Cuaite e atribuiu a ação a “Israel”. Francisco Muniz argumentou que não haveria qualquer interesse iraniano em sabotar uma instalação de água potável em um país árabe, sustentando que esse tipo de provocação procura empurrar os governos da região para uma participação mais agressiva na guerra.

Na parte final, o Plantão Irã apresentou dados atribuídos ao chefe da polícia iraniana, Ahmad Reza Radan, sobre a repressão a redes de espionagem e sabotagem dentro do país. Segundo Juca Simonard, mais de 200 agentes de espionagem foram presos desde o início da guerra, além de 48 novos dirigentes de redes clandestinas, 46 pessoas envolvidas na venda de aparelhos Starlink em 19 províncias, 77 agentes ligados ao grupo monarquista do Xá, 197 colaboradores de redes de imprensa hostis e 481 pessoas acusadas de perturbar a segurança psicológica da sociedade por meios cibernéticos. Os comentaristas associaram essas prisões à ação do Mossad, da CIA e de setores monarquistas contra o Estado iraniano.

A crise econômica aberta pela guerra também foi debatida. Burlamaqui afirmou que empresas que fornecem insumos à construção civil no Brasil já comunicaram aumentos de preços em materiais derivados do petróleo e do aço. Simonard retomou informações citadas no programa anterior e disse que o Irã elevou suas exportações de petróleo e derivados para uma faixa entre 2,4 milhões e 2,8 milhões de barris por dia, enquanto seus adversários perderam espaço com a restrição do tráfego no Estreito de Ormuz.

“O que isso demonstra, inclusive, é o seguinte: essa capacidade do Irã de impedir uns e permitir outros de passar ou não, mostra que o Estreito de Ormuz está completamente controlado pelo Irã.”

Nesse mesmo trecho, os comentaristas defenderam que a crise mostra a necessidade de o Brasil retomar o controle integral da Petrobrás, das refinarias e da distribuição de gás, vinculando o problema da guerra à dependência nacional em relação ao capital privado e ao setor petrolífero internacional.

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