Parceria DCO-COTV

Plantão Irã denuncia sequestro de 175 ativistas da flotilha

Programa afirmou que ataque de “Israel” em águas internacionais mostra a expansão do apartheid sionista para além da Palestina

A edição desta quinta-feira (30) do Plantão Irã, programa diário da Causa Operária TV (COTV) em parceria com o Diário Causa Operária (DCO), denunciou o sequestro de 175 ativistas da Flotilha Global Sumud por forças de “Israel” em águas internacionais, nas proximidades de Creta, na Grécia.

Victor Assis destacou que a flotilha tentava furar o bloqueio imposto à Faixa de Gaza para levar alimentos e ajuda humanitária aos palestinos. O apresentador ressaltou que a interceptação não ocorreu em águas da Palestina ocupada, mas em região distante, no Mediterrâneo.

“A novidade é que elas foram interceptadas não no mar que seria, teoricamente, pertencente ao Estado de ‘Israel’, mas em mares estrangeiros, demonstrando o que a gente já conhece muito bem no Brasil, que é que o Estado de ‘Israel’ atua em todos os países para defender os seus interesses”, afirmou Assis.

Adriana Machado, que participou recentemente de uma atividade ligada à flotilha na Bélgica, explicou que a iniciativa reúne ativistas de diversos países, como Espanha, Brasil, Turquia, México e França. Segundo ela, a campanha buscou ampliar sua atuação, reunindo também deputados e advogados para pressionar pelo fim do genocídio contra os palestinos e pela responsabilização do Estado sionista.

“Dessa vez eles saíram da Sicília há alguns dias e não chegaram nem perto. Estavam em águas internacionais perto de Creta, na Grécia. E ‘Israel’ chegou mais uma vez com navios de guerra apontando armas para os ativistas desarmados que estavam tentando levar comida e ajuda ao pessoal de Gaza. Muito antes de chegarem, os israelenses já capturaram 21 barcos, 175 pessoas, gente do mundo inteiro”, afirmou.

A comentarista lembrou que os ativistas da flotilha já esperavam uma ação de “Israel”, mas destacou que o sequestro ocorreu antes do previsto. Ela também mencionou que, em episódios anteriores, integrantes da flotilha foram submetidos a torturas, humilhações e privação de água e comida.

“Da última vez, a gente viu que os ativistas foram submetidos a um tratamento digno dos sionistas tradicionais. Foram torturados, torturados sexualmente, foram impedidos de beber água, de comer, humilhados. Coisa que eles fazem diariamente com os palestinos, fizeram com os ativistas”, disse.

Adriana relacionou o ataque à avaliação de Francesca Albanese, relatora especial da ONU, de que o apartheid imposto por “Israel” passou a atuar sem fronteiras. Segundo ela, os palestinos já vivem sob um regime de leis, estradas, postos policiais e punições diferentes das aplicadas aos sionistas. Agora, a repressão também atinge cidadãos de outros países que tentam romper o bloqueio contra Gaza.

“É um estado de apartheid há muito tempo e a Albanese está falando aí que agora o apartheid imposto aos palestinos está sem fronteiras, está no mundo inteiro. ‘Israel’ atacou os ativistas em águas internacionais. Então não está respeitando as leis que a gente já sabe, as leis de direitos humanos, as leis do direito internacional. Está aí aterrorizando ativistas de todo o mundo”, afirmou.

O programa também destacou a solidariedade do Hamas e do Hesbolá aos ativistas sequestrados. Adriana afirmou que os dois partidos condenaram a pirataria israelense e saudaram a coragem dos participantes da flotilha.

“O Hesbolá parabenizou os ativistas pela coragem e o heroísmo de participar na flotilha e tentar desafiar o bloqueio da Faixa de Gaza e manter a consciência das pessoas viva sobre o que está acontecendo na Palestina. E o Hamas também falou para os ativistas para manter a força em face a esse ataque terrorista e continuar a nobre missão humanitária que eles estão tentando levar ao povo oprimido de Gaza”, disse.

Assis comparou o caráter desarmado da flotilha com a violência da resposta sionista. O apresentador citou o caso do brasileiro Thiago Ávila, conhecido pela defesa de métodos pacíficos de ação política, para demonstrar que “Israel” trata como terroristas até mesmo ativistas que não recorrem à luta armada.

Adriana respondeu que a própria história da Palestina demonstra por que a resistência armada se tornou uma necessidade. Ela lembrou as entrevistas feitas pelo PCO com representantes do Hamas no Catar.

“O Hamas explica muito claramente para quem acompanhou as entrevistas que o PCO fez com o Hamas no Catar, eles explicam muito bem que pegar em armas foi a única resposta, a única reação que ‘Israel’ entende. Se eles não precisassem, ninguém quer pegar em armas, ninguém quer colocar os corpos na frente das armas para se proteger, a não ser que precise”, afirmou.

Na parte final, o programa relacionou o ataque à flotilha à ofensiva internacional contra a defesa da Palestina. Assis citou um projeto do governo do estado alemão de Hessen, comandado pela CDU, que prevê pena de até cinco anos de prisão para quem negar o direito de existência do Estado de “Israel”. O apresentador comparou a iniciativa ao projeto de Tábata Amaral, no Brasil, que busca punir a crítica ao Estado sionista sob o pretexto de combater o antissemitismo.

Para Adriana Machado, trata-se de uma ação coordenada do imperialismo para calar a denúncia do genocídio palestino.

“Eles acusam o Irã de ser uma ditadura, falam que as sanções contra o Irã são porque o governo do Irã não respeita o povo iraniano. E a gente vê o povo iraniano na rua apoiando o governo e na Alemanha o que a gente vê? Toda vez que alguém sai para defender a Palestina, é totalmente oprimido, violentamente”, afirmou.

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