Parceria DCO-COTV

Plantão Irã denuncia repressão sionista no Brasil

Programa tratou do Estreito de Ormuz, da saída dos Emirados Árabes Unidos da OPEP e da condenação de Zé Maria

O programa Plantão Irã, parceria entre a Causa Operária TV (COTV) e o Diário Causa Operária (DCO), tratou nesta terça-feira (28) da situação no Estreito de Ormuz, da saída dos Emirados Árabes Unidos da OPEP, da continuação da agressão de “Israel” contra o Líbano e da condenação do presidente do PSTU, Zé Maria, por criticar o Estado sionista.

Apresentado por Victor Assis e Pedro Burlamaqui, o programa começou destacando o impasse no Estreito de Ormuz. Burlamaqui afirmou que, enquanto o Irã mantém condições próprias para a passagem de navios pela região, os Estados Unidos alegam aplicar um bloqueio contra embarcações iranianas e aliadas da República Islâmica.

Segundo o apresentador, autoridades iranianas declararam que os problemas no trânsito marítimo da região são consequência direta da agressão imperialista. O representante do Irã na Organização das Nações Unidas afirmou, conforme relatado no programa, que o país tem direito de atuar em Ormuz e que, depois da guerra, o trânsito no estreito só será possível mediante os protocolos de segurança estabelecidos pelo Irã.

Burlamaqui também informou que um navio japonês com dois milhões de barris de petróleo atravessou o Estreito de Ormuz depois de obter autorização expressa do Irã. Para Victor Assis, o episódio demonstra a alteração na correlação de forças na região.

“O Japão não apenas é um país imperialista, como é governado por uma fascista, uma mulher de extrema direita, ultraneoliberal, que é uma espécie de herdeira dos fascistas japoneses que apontaram todo tipo de crime contra a população chinesa durante o século XX. Essa mudança de postura, essa postura mansa perante o Irã, é naturalmente uma consequência da resposta do Irã à agressão imperialista”, afirmou Assis.

O apresentador lembrou que o programa já havia noticiado dificuldades de abastecimento no Japão em razão da guerra. Segundo ele, a necessidade japonesa de negociar com o Irã mostra que os Estados Unidos não conservam o mesmo grau de domínio sobre o Oriente Próximo.

“Sim, eu acho que os Estados Unidos, e o caso do Japão já comprova isso, não têm mais o mesmo tipo de controle que tinham nem sobre o Estreito de Ormuz, nem sobre o Oriente Próximo de conjunto. A situação em países como o Barém está prestes a explodir. A região inteira está em convulsão. Você tem manifestações no mundo condenando a barbárie imperialista. Você tem a própria base eleitoral do Donald Trump contra a guerra”, disse.

Outro tema debatido foi o anúncio da saída dos Emirados Árabes Unidos da OPEP e da OPEP+, a partir de 1º de maio. Burlamaqui informou que a decisão ocorre no mesmo momento em que chefes de países do Golfo se reuniram na Arábia Saudita para discutir a situação regional depois do início da guerra contra o Irã.

Segundo foi apresentado no programa, a saída dos Emirados Árabes Unidos foi tratada por parte da imprensa árabe como resultado de divergências em torno das restrições e cotas de produção estabelecidas dentro da OPEP, nas quais a Arábia Saudita exerceria papel dominante. Para Assis, no entanto, a movimentação não pode ser vista de forma isolada.

“Nesta guerra, o país da região que teve uma posição mais pró-imperialista foi os Emirados Árabes Unidos. Ele se revelou ali como um fantoche total do imperialismo norte-americano. Tanto é que, salvo engano, o país em que mais se especulou que o Irã invadiria foi justamente os Emirados Árabes Unidos, pela quantidade de provocações que vem realizando contra a República Islâmica e contra os inimigos do imperialismo”, afirmou.

Assis avaliou ainda que a Arábia Saudita, apesar de manter um governo reacionário e subordinado aos Estados Unidos, precisa levar em conta a pressão existente na região em defesa da Palestina e contra a agressão imperialista. Segundo ele, os Emirados Árabes Unidos adotaram uma posição mais diretamente alinhada ao imperialismo.

O programa também tratou da situação no Líbano. Burlamaqui informou que “Israel” já violou mais de 500 vezes o cessar-fogo desde 17 de abril, com ataques principalmente no sul do país e no Vale do Becá. Segundo ele, a agressão sionista resultou no assassinato de pelo menos sete libaneses nas últimas 24 horas.

Entre as vítimas estavam a brasileira Manal Jafar e seu filho de 11 anos, Gassan Nader, assassinados em um ataque israelense no distrito de Bint Jbeil, no sul do Líbano. O pai da criança, o libanês Gassan Nader, também foi assassinado. Outro filho do casal, igualmente brasileiro, foi hospitalizado.

Burlamaqui leu a nota do Itamaraty sobre o caso. O governo brasileiro afirmou ter tomado conhecimento “com consternação e pesar” das mortes e disse que o ataque constitui “mais um exemplo das reiteradas e inaceitáveis violações ao cessar-fogo anunciado em 16 de abril”. No mesmo texto, porém, o Ministério das Relações Exteriores condenou “todos os ataques perpetrados durante a vigência do cessar-fogo, tanto por parte das forças israelenses quanto do Hesbolá”.

Para Assis, a nota do governo brasileiro foi vergonhosa por tratar a resistência libanesa como se tivesse responsabilidade semelhante à de “Israel” na agressão.

“Temos aí um governo, pelo menos até o final do ano, chefiado pelo senhor Luiz Inácio Lula da Silva, pessoa de esquerda, liderança operária forjada na luta contra a ditadura militar, dirigente do maior partido de esquerda do Brasil, talvez da América Latina, e este governo autoriza a publicação de uma nota nojenta como essa daqui. Uma nota que basicamente fala que quem matou o pessoal foi ‘Israel’, porque esconder isso seria muito difícil, mas a gente tem que destacar que ‘Israel’ só está brigando porque o Hesbolá também está no meio”, criticou.

Assis afirmou que a posição do Itamaraty favorece a política sionista dentro do Estado brasileiro. “O ministro de Relações Exteriores colocou lá sua assinatura, mas isso aqui está mostrando que o Ministério das Relações Exteriores é comandado por um outro país, pelo Estado de ‘Israel’”, disse.

O assunto principal da edição foi a condenação de José Maria de Almeida, o Zé Maria, dirigente do PSTU. Burlamaqui informou que o caso teve origem em uma ação da Confederação Israelita do Brasil (Conib) e da Federação Israelita do Estado de São Paulo (Fisesp), que acionaram o Ministério Público Federal (MPF) contra o militante.

Segundo o relatório apresentado no programa, o MPF acusou Zé Maria de “promover um discurso de ódio e racismo ao Estado de Israel”, alegando que ele pregou “de forma velada a expulsão dos judeus de sua terra ancestral no Oriente Médio”. A acusação se baseou em fala feita durante ato na Avenida Paulista, em São Paulo, em 22 de outubro de 2023.

Burlamaqui leu um trecho do discurso de Zé Maria utilizado no processo:

“Todo ato de força, todo ato de violência do povo palestino contra o sionismo é legítimo, e nós temos que apoiar aqui na Palestina e em todo mundo. Mas não só para isso, é para também colocar de uma vez por todas um ponto final no Estado sionista de Israel para que possa florescer o Estado palestino laico, democrático, do rio Jordão ao mar.”

O caso foi julgado pela 4ª Vara Criminal Federal de São Paulo. O juiz Massimo Palazzolo considerou que a fala teve intenção de discriminar o povo judeu e condenou Zé Maria a dois anos de reclusão, em regime aberto, além de 10 dias-multa. Para Assis, trata-se de uma ofensiva contra a liberdade de expressão e contra a defesa da Palestina.

“Temos que deixar claro aqui também a nossa, independente de qualquer diferença política, solidariedade com o dirigente do PSTU, porque isso daí é um movimento de características fascistas. O Estado brasileiro está usando o seu poder de polícia, de repressão, para esmagar o dirigente máximo de um partido político, ainda mais baseando-se abertamente em suas ideias. Onde é que a gente vai parar com isso daqui?”, afirmou.

Assis relacionou a condenação de Zé Maria a iniciativas no Congresso Nacional que buscam equiparar críticas a “Israel” a antissemitismo e a racismo. Durante o programa, foi citado o projeto da deputada Carla Dickson (União Brasil-RN) para alterar a Lei nº 7.716, de 1989, a mesma lei utilizada no processo contra o dirigente do PSTU.

No encerramento, Burlamaqui trouxe outra informação ligada ao mesmo processo político: a Secretaria Municipal de Ordem Pública do Rio de Janeiro publicou a cassação do alvará de funcionamento do bar Partisan, na Lapa. O estabelecimento havia sido atacado por exibir uma mensagem afirmando que cidadãos norte-americanos e israelenses não eram bem-vindos.

A medida foi tomada após pedido do vereador Flávio Valle. O parlamentar alegou que a conduta do bar feria princípios constitucionais e comemorou a decisão. Segundo Burlamaqui, o estabelecimento já havia sido multado pelo Procon-RJ em R$9.520,00.

Assis afirmou que o caso mostra a extensão da perseguição política contra a defesa da Palestina, agora também por meio de órgãos municipais.

“Nós temos aí um caso de perseguição pela defesa da Palestina, e é um caso de perseguição que não vem do Judiciário, vem de uma secretaria da prefeitura. É uma coisa ainda mais danosa. O povo brasileiro tem que se cuidar pelo que vai falar, porque existe uma burocraciazinha de uma prefeitura que pode fechar o seu bar”, disse.

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