O Plantão Irã, programa diário da Causa Operária TV (COTV) em parceria com o Diário Causa Operária (DCO), transmitido às 16 horas desde 17 de março, tratou, em sua edição desta quarta-feira (1º), da nova operação das Forças Armadas iemenitas contra “Israel”, da situação da frente de combate no Líbano, dos bombardeios norte-americanos e israelenses contra áreas civis do Irã e da crise aberta nos próprios Estados Unidos pela continuação da guerra.
No começo do programa, Pedro Burlamaqui destacou a terceira operação das Forças Armadas do Iêmen desde o anúncio de sua entrada direta na guerra ao lado do Irã, do Líbano e de outras forças da resistência. Segundo ele, a ação foi realizada em conjunto com o Irã e o Hesbolá e consistiu em uma salva de mísseis contra alvos no sul da Palestina ocupada, nas proximidades da fronteira com o Líbano. Ainda segundo o apresentado no programa, o próprio comando militar israelense admitiu a operação e disse ter identificado mísseis disparados do Iêmen, com acionamento de sirenes de Dimona ao deserto de Nacabe, além de Ascalon.
Ao comentar o alcance da ação iemenita, Victor Assis relacionou a frente aberta pelo Iêmen ao problema dos estreitos marítimos e ao impacto internacional do conflito sobre o petróleo e o abastecimento. Em sua intervenção, afirmou:
“Só o fato do Irã fechar isso daí fez com que 20% da produção de petróleo mundial não pudesse ser escoada. […] Se ele fechar esse estreito aí, a situação fica muito crítica. […] Você atinge não apenas o problema do petróleo, o próprio abastecimento de alimentos e tudo. O Iêmen também pode causar um estrago grande no próprio ‘Israel’ […] e também pode atacar a Arábia Saudita, caso a Arábia Saudita ataque o Irã.”
Na mesma discussão, o programa relacionou o agravamento da guerra ao aumento anunciado pela Petrobrás no querosene de aviação, informado pelos apresentadores como sendo de 55%. Para Assis, a situação demonstra que o Brasil não precisaria estar submetido a esse tipo de pressão internacional caso tivesse pleno controle sobre suas reservas e sobre a exploração do petróleo.
“Esse é o problema. Se a Petrobrás pertencesse ao Estado, fosse um Estado minimamente popular, não estaria passando por essa situação”, afirmou o comentarista, ao relacionar os preços dos combustíveis no Brasil à submissão da política petrolífera nacional aos interesses dos acionistas e do imperialismo.
Outro ponto destacado pelo programa foi a situação da frente libanesa. Pedro Burlamaqui afirmou que, ao mesmo tempo em que “Israel” intensificou sua propaganda sobre supostos êxitos militares na fronteira com o Líbano, o próprio exército israelense admitiu que 48 soldados foram atingidos em 24 horas por operações do Hesbolá. Os comentaristas observaram ainda que as forças israelenses reconheceram mortes entre seus oficiais e soldados desde o começo da guerra contra o Irã e o Líbano, enquanto o Hesbolá segue ampliando o número de operações.
A esse respeito, Francisco Muniz destacou a importância dos canais de comunicação da resistência e explicou por que o imperialismo busca censurar a Internet:
“Esses canais da resistência colocam atualizações diárias ou por hora nos sítios deles, nos grupos de Telegram, nas redes deles. E isso daí é mais um demonstrativo de por que o imperialismo quer tanto censurar a Internet. Porque, se não fosse pela Internet, ninguém ia nem saber o que o Hesbolá está fazendo, o que a resistência palestina está fazendo, o que pensa, o que declara o Corpo de Guardas da Revolução Islâmica.”
Muniz afirmou ainda que a situação no norte do Líbano aprofunda a crise do Estado de “Israel”, uma vez que o avanço da resistência e a insegurança crescente empurram colonos para fora da região, agravando a instabilidade política interna do regime sionista.
Na parte seguinte do programa, os apresentadores se detiveram sobre os ataques norte-americanos e israelenses contra o território iraniano. Segundo a edição do Plantão Irã, o Irã apresentou provas de que áreas residenciais vêm sendo atingidas, em resposta às alegações dos EUA de que os ataques não teriam como alvo civis. Pedro Burlamaqui recordou, entre os episódios mais graves da guerra, o bombardeio de uma escola de meninas no dia 28, que assassinou mais de 165 estudantes.
O programa citou ainda dados da Sociedade do Crescente Vermelho segundo os quais os bombardeios danificaram ou destruíram mais de 115 mil estruturas civis no Irã ao longo de cinco semanas. Desse total, 91.498 seriam residências e 22.580 estabelecimentos comerciais. Ainda de acordo com os números apresentados na transmissão, somente na província de Terã 44 mil edifícios residenciais foram atingidos. O programa mencionou também 736 escolas e centros educacionais afetados, mais de 300 instituições de saúde atingidas e 18 centros do Crescente Vermelho bombardeados. Em um desses ataques, três trabalhadores de ajuda humanitária foram assassinados e 15 ficaram feridos.
Ao comentar esses números, Izadora Dias afirmou:
“Isso é um terrorismo, o país está em guerra e, para a população, eles querem causar o terror de que a qualquer momento eles podem ser alvos. E aí também eu acho que destaca como o Irã tem reagido, porque é o contrário dos Estados Unidos, que procuram atacar civis. Como resposta desses ataques, o Corpo de Guardas da Revolução Islâmica ameaçou atacar empresas de inteligência e tecnologias ligadas aos Estados Unidos para cada assassinato realizado no Irã.”
Ainda segundo Izadora, o Irã vinha anunciando previamente os alvos de suas ações para evitar a morte de trabalhadores, e as primeiras retaliações contra empresas norte-americanas ligadas aos setores de tecnologia e inteligência começaram a ser registradas às 20 horas daquele dia.
O tema principal da edição, contudo, foi a expectativa em torno do pronunciamento de Donald Trump naquela noite. Pedro Burlamaqui afirmou que havia rumores de que o presidente norte-americano poderia anunciar o encerramento da participação direta dos Estados Unidos na guerra. O programa mencionou também informações atribuídas ao jornal inglês The Telegraph segundo as quais Trump cogitava retirar os EUA da OTAN, diante da recusa dos países europeus em participar abertamente da agressão contra o Irã.
Em resposta, Victor Assis sustentou que o governo norte-americano se encontrava pressionado tanto por sua base interna quanto por setores do próprio grande capital, que não viam vantagem em prolongar a guerra diante dos custos crescentes:
“O problema é que do Trump você pode esperar qualquer coisa. […] Se o Trump fosse minimamente normal e previsível, ele vai anunciar o fim da guerra. Mas pode ser qualquer coisa. […] Há pressão de baixo e de cima. A base sabe que quem vai pagar isso daí são eles. Vai ter inflação, vai ter empresa quebrada. E há também uma pressão do próprio imperialismo, porque o custo vai ser muito maior do que qualquer coisa que eles possam ganhar ali.”
No mesmo bloco, foi citado um levantamento da Reuters em parceria com o instituto Ipsos indicando que 66% dos norte-americanos defendem um fim rápido da participação do país na guerra, contra 27% favoráveis à continuidade das operações. O programa mencionou ainda estimativas da ONU e do Wall Street Journal segundo as quais o impacto econômico global do conflito já chegava a R$1 trilhão, impulsionado sobretudo pela crise energética e pela alta do petróleo.
Na parte final, o Plantão Irã exibiu fotografias do debate realizado em Florianópolis sobre a guerra contra o Irã. Segundo os apresentadores, a atividade reuniu militantes do PCO, integrantes do sindicato dos servidores públicos de Santa Catarina e outros participantes, com intervenções de José Álvaro, Marlene Gonzaga e Lucas Ferreira.




