Na edição de 7 de abril do programa Análise da 3ª, da Rádio Causa Operária, o presidente nacional do Partido da Causa Operária (PCO), Rui Costa Pimenta, comentou a crise em torno das investigações sobre o INSS e o Banco Master, a situação eleitoral do governo Lula, a escalada da guerra contra o Irã e o projeto de lei de Tabata Amaral que trata como racismo críticas ao Estado de “Israel”. A transmissão contou também com a participação de João Pimenta, que falou de Brasília, onde acompanhava uma audiência pública sobre a entrada de palestinos no Brasil.
Logo no início do programa, João Pimenta afirmou que veio à capital federal para cobrar explicações do governo brasileiro sobre a situação dos palestinos impedidos de entrar no País desde 7 de outubro de 2023. Segundo ele, há uma política de “dois pesos e duas medidas”, já que soldados israelenses acusados de crimes de guerra puderam entrar no Brasil, enquanto palestinos seguem barrados.
Ao comentar a limitação imposta por Alexandre de Moraes ao compartilhamento de dados da CPI, Rui Costa Pimenta afirmou que o Supremo Tribunal Federal (STF) atua para encobrir os escândalos. Segundo ele, não há justificativa para que as investigações sobre o INSS e o Banco Master permaneçam envoltas em segredo.
“Não há motivo nenhum para que esses processos aí, o inquérito do Banco Máster, do INSS, ocorra em segredo de justiça ou haja partes que não são apresentadas. Não é nenhum problema de segurança de ninguém, são casos de corrupção e, portanto, deveriam ser colocados às claras. O fato de que nada disso é colocado às claras, que o STF, primeiro sob a batuta do Dias Toffoli e agora sob a batuta do Mendonça, não abre essa caixa preta do Banco Máster e não abre a caixa preta do INSS, só pode gerar na população uma revolta contra o que está acontecendo.”
Pimenta declarou ainda que Moraes, por estar envolvido politicamente no caso, não deveria interferir no andamento das apurações. Para ele, o bloqueio das informações fortalece a direita.
“É um regime político onde uma pessoa, como eu li recentemente, contribui R$500,00 para a caravana do 8 de janeiro e pega 14 anos de cadeia, enquanto que o escândalo do Banco Master fica oculto. Isso daqui nem dá para ocultar. Vai ser uma festa para a direita nacional, para a extrema direita, e depois o pessoal vai ficar aqui se lamentando e chorando que o bolsonarismo cresce, que a extrema direita cresce. Só pode crescer nessas condições.”
Ainda sobre o Banco Master, Pimenta avaliou que uma eventual delação de Daniel Vorcaro será usada de forma seletiva, com vazamentos calculados para influenciar o processo eleitoral. Segundo ele, o problema não está apenas na imprensa burguesa, mas no próprio aparato policial e judicial que seleciona o que será exposto ao público.
Ao passar para a situação eleitoral, o dirigente do PCO afirmou que o governo Lula chega desgastado à disputa de 2026. Para ele, medidas assistenciais como o Vale Gás têm pouco impacto político, enquanto a alta da gasolina e do petróleo pode provocar um desgaste muito maior.
Pimenta declarou que o PT nunca compreendeu a força do bolsonarismo e se iludiu com a ideia de que o movimento estaria liquidado pela ação do Judiciário.
“O PT nunca analisou de uma maneira correta a importância e a força da oposição bolsonarista. Eles acreditaram durante muito tempo que o bolsonarismo estava morto, que as medidas judiciais contra o bolsonarismo iriam acabar com o bolsonarismo. Eles nunca se deram conta da profundidade com que o bolsonarismo está enraizado em uma parcela da população. E agora eles estão enfrentando um movimento de oposição organizado, amplo, que tem bastante apoio na população.”
Sobre a notícia divulgada pela Veja de que setores petistas estariam discutindo a possibilidade de Lula não disputar a eleição, Pimenta disse não ver sinais concretos disso dentro do partido, mas afirmou que a burguesia tenta plantar essa hipótese para abrir caminho a uma candidatura de “terceira via”.
A parte internacional do programa foi dedicada à guerra contra o Irã. Comentando as ameaças feitas por Donald Trump e pelo Estado de “Israel” contra a infraestrutura civil iraniana, Pimenta disse que a guerra entrou em um momento decisivo e que os ataques já assumem caráter aberto de guerra contra o povo iraniano.
“A ameaça do Trump de atacar infraestrutura de energia elétrica, pontes e dos criminosos sionistas de atacar o transporte por via férrea no Irã já é a declaração de crime de guerra. Eles falaram no começo que a guerra era contra o regime iraniano e que eles estavam defendendo o povo iraniano. Agora eles declararam guerra ao povo iraniano. Não é só uma declaração de guerra contra o governo, é uma declaração de guerra contra o povo.”
Para Pimenta, a escalada em curso aponta para os primeiros passos de uma guerra mundial. Segundo ele, o imperialismo montou um plano contra seus principais adversários internacionais e ataca o Irã por considerá-lo o elo mais vulnerável na relação com China e Rússia.
O presidente do PCO também afirmou que a ameaça de bombardear usinas nucleares iranianas revela uma irresponsabilidade de grandes proporções, já que um vazamento radioativo poderia atingir os países do Golfo. Ele relacionou a situação atual à impunidade concedida ao massacre promovido por “Israel” em Gaza.
Na mesma discussão, Pimenta avaliou que a guerra fortaleceu os setores mais duros do regime iraniano e aumentou o apoio popular à República Islâmica. Ao comentar a hipótese de o país avançar para a construção de uma bomba atômica, declarou que a política de ameaça já foi ultrapassada pelos fatos.
“Eles ultrapassaram a política de pressão diplomática, que tinha como principal instrumento a ameaça militar, eles passaram da pressão diplomática para a ação militar. Isso esvazia a capacidade de pressão, não há mais pressão. Eu acho que para os dirigentes iranianos a situação é clara, não há nada a perder e tudo a ganhar.”
Na parte final do programa, Pimenta respondeu a perguntas dos ouvintes sobre a política do PT, a questão palestina e o projeto de lei de Tabata Amaral que equipara críticas ao Estado de “Israel” ao chamado antissemitismo. Ele afirmou que o texto é uma tentativa de impor uma mordaça aos que denunciam os crimes sionistas e criticou o silêncio da esquerda parlamentar diante da proposta.
“É um projeto criminoso. O projeto abre a possibilidade de que uma pessoa seja processada com ameaça de 12 anos de cadeia por criticar o Estado de Israel. Não tem precedente na legislação brasileira. Você pode criticar o Estado brasileiro quanto você quiser. Você pode até falar que o Estado brasileiro não deveria existir. Não é crime. Agora, criticar o Estado de ‘Israel’ é crime.”
Pimenta afirmou ainda que deputados do PT que assinaram o projeto e depois recuaram o fizeram porque concordavam com o seu conteúdo e só voltaram atrás após a repercussão negativa. Segundo ele, o caso mostra a força do lobby sionista dentro da política nacional e a covardia da esquerda institucional diante dessa pressão.
Ao encerrar a transmissão, o dirigente também comentou a multa aplicada ao bar Partizano, no Rio de Janeiro, por um cartaz contra cidadãos dos Estados Unidos e de “Israel”. Para ele, a medida da prefeitura foi uma perseguição política ilegal e mais um exemplo da ação do sionismo no Brasil.
“Essa multa é absolutamente ilegal, o que mostra, pela rapidez com que a prefeitura interveio, que o senhor Eduardo Paes é mais um sionista. E ele vai ser apoiado para o governo do Rio de Janeiro pelo PT. Vão apoiar uma pessoa que defende os assassinos de crianças. ‘Ah, mas é porque a gente precisa ganhar a eleição’. Veja, se para ganhar a eleição você tem que vender a alma para o diabo, precisa perguntar se vale a pena ganhar a eleição. Porque há certas coisas que a pessoa deveria ter vergonha de fazer.”




