Nesta sexta-feira (1º), militantes e ativistas de vários estados do Brasil compareceram ao ato do Dia Internacional do Trabalhador convocado pelo Partido da Causa Operária (PCO) e pelos comitês de luta. A manifestação aconteceu em frente ao Theatro Municipal, localizado no bairro da República, no centro da cidade de São Paulo.

Entre o rufar da Bateria Zumbi dos Palmares e um mar de bandeiras da Palestina, do Irã e da Venezuela, representantes de diversos setores do movimento operário e popular se revezaram ao microfone para defender um programa classista, revolucionário e independente.




A abertura do ato ficou a cargo de Nivaldo Orlandi, ex-prefeito de Embu das Artes. Com o olhar fixo na multidão que começava a ocupar o asfalto, Orlandi afirmou que o ato era, acima de tudo, um espaço de aprendizado prático:
“Uma saudação especial para todos os que estão bandeirando: bandeira da Venezuela, da Palestina, do Irã, do Partido da Causa Operária e do Hamas. São todas bandeiras de seus povos, que podem nos ensinar como a luta se faz e como se obtém as vitórias.”

Em seguida, a intervenção de Simone Souza, do Coletivo de Mulheres Rosa Luxemburgo, denunciou a “jornada dupla e tripla” das mulheres e a falta de creches. O ponto alto de sua fala, no entanto, foi a denúncia da perseguição contra os militantes do parto humanizado. Citando o caso do médico obstetra Rick Jones, do Rio Grande do Sul, que passou quase um ano na cadeia, Souza afirmou que o julgamento deles foi uma farsa;
Segundo ela, o Judiciário não julgou fatos, mas o direito de escolha das mulheres. “Ao invés de julgarem os fatos, julgaram o parto humanizado. Quer dizer, nós não temos o direito nem de escolher como vai ser o nosso parto”.

Henrique Simonard, dirigente nacional do PCO e representante da caravana vinda do Rio de Janeiro, subiu ao caminhão de som com uma fala voltada à denúncia do imperialismo.
“Queria denunciar a esquerda que só pensa em eleição e nada faz para defender os povos oprimidos. Vimos o presidente da Venezuela ser sequestrado dentro do seu próprio país para um julgamento farsa nos EUA. Vimos o genocídio em Gaza. E a esquerda, preocupada com o resultado das urnas, não faz nada. Isso é uma vergonha!”

Logo após, Víctor Assis, de Pernambuco, sublinhou o cenário de desgraça para o bolso do brasileiro. Assis lembrou que 25% da população ainda depende de auxílio para comer e criticou a política de preços da Petrobrás. Para ele, o governo brasileiro está “refém dos vampiros norte-americanos que controlam a bolsa de valores”. Ele defendeu, sob aplausos, a “estatização da Petrobrás e da Eletrobrás sob controle operário”.

O professor Robson, da Escola de Atenas, fez uma intervenção voltada aos trabalhadores que passavam pelo local. “O trabalhador não é cavalo para trabalhar seis por um. Defendemos uma jornada de 35 horas semanais sem redução de salário. E mais: um salário mínimo que seja, no mínimo, de R$ 7.000,00. Ninguém vive com R$ 1.500,00 com a gasolina e o aluguel subindo”, explicou.

Representando os aposentados, Clenilza Panato trouxe a perspectiva de quem viveu décadas dentro do sistema público. Ela definiu o Judiciário como um “carma” e denunciou a existência de uma casta de juízes que oprime os próprios funcionários da base. “A esquerda deve aprender o que é realmente de fato o imperialismo. Está havendo uma grande confusão, mas o PCO tá aqui para ensinar”.

João Jorge Pimenta, da Aliança da Juventude Revolucionária (AJR), defendeu a “imediata ruptura de relações do Brasil com o Estado sionista de Israel” e afirmou que o governo Lula, apesar do apoio popular, não conseguiu levar adiante um programa nacionalista por estar cercado por interesses contrários.
“Precisamos reconstruir a esquerda brasileira. Uma esquerda que defenda o direito irrestrito de greve e o direito dos povos de resistir à opressão de armas na mão. Viva o Irã, viva a resistência palestina!”, finalizou João Jorge.

Na penúltima intervenção antes da passeata, o jornalista Breno Altman, do Opera Mundi e do Partido dos Trabalhadores (PT), afirmou que o 1º de Maio está indissociavelmente ligado ao que acontece na Faixa de Gaza. Altman não poupou o governo brasileiro de cobranças diretas e descreveu o cenário internacional como uma prova de fogo para a humanidade.
“Atenção, cidade de São Paulo, queremos dar um recado claro: o governo Lula precisa romper imediatamente com o Estado sionista e assassino de Israel. A população palestina não aguenta mais ser massacrada enquanto o mundo assiste em silêncio diplomático!”
Altman elevou o tom ao descrever as atrocidades reportadas no conflito: “São 60.000 mulheres e crianças vítimas das piores formas de tortura e assassinato. Estamos falando de crianças desmembradas, de mulheres grávidas sendo degoladas. Isso não é guerra, é barbaridade!”. De forma enfática, ele sentenciou que a neutralidade é impossível: “qualquer pessoa que seja, no mínimo, humana, não pode apoiar esse genocídio. Não existe meio-termo diante de uma limpeza étnica.”
Altman encerrou sua participação convocando os trabalhadores a expulsar a influência imperialista da região, unindo o grito de “Palestina Livre” à soberania da América Latina. Para ele, a liberdade em Gaza é a mesma liberdade que o trabalhador brasileiro busca contra as amarras econômicas estrangeiras.

Concluindo a primeira etapa do ato, Rui Costa Pimenta, pré-candidato à presidência da República pelo PCO, fez uma intervenção longa e densa, atacando o que chamou de “conversa fiada” das reformas institucionais. Rui começou denunciando a desigualdade na distribuição de recursos públicos, apontando para onde o dinheiro do Estado realmente flui:
“O Brasil dá dinheiro para o Banco Master, dá dinheiro para a Rede Globo, sustenta os ministros do STF… mas cadê o dinheiro da classe trabalhadora? Pelo contrário, o que vemos é que o chicote só estrala no lombo de quem produz. Nós estamos na rua para dizer que a revolução está chegando e que o trabalhador não vai mais aceitar as migalhas do sistema!”

Pimenta defendeu a redução para 35 horas semanais sem qualquer redução salarial, reafirmou que o salário mínimo deveria ser de R$ 7.000,00, baseando-se no custo de vida real e não nos cálculos oficiais e afirmou que “as conquistas dos trabalhadores não vão vir com as eleições”. Segundo ele, as conquistas “virão somente pela luta, de armas na mão se necessário, e pela transformação real. O resto é conversa fiada de quem quer manter o povo manso”.

Pimenta também saudou os movimentos de resistência no Oriente Próximo e a Rússia.
“Este Primeiro de Maio celebra o levante dos povos oprimidos. Saudamos a luta espetacular da República Islâmica do Irã e a resposta da Rússia contra as tropas da OTAN. É uma guerra libertadora contra os ianques que querem dominar o mundo!”

Após a fala de Rui Pimenta, o ato saiu em caminhada até a Praça da Sé. O trajeto foi animado pelos gritos de guerra da Bateria Zumbi dos Palmares, que entoou cantos como “Viva o Irã!”, “Viva o Aiatolá!”, “Viva o Hesbolá!”, “Maduro Livre!”, “Agora é hora do Hamas” e“Chega de chacina! PM na favela, Israel na Palestina!”.

Após chegar à Praça da Sé, o ato retornou ao Theatro Municipal para o encerramento, realizando uma passeata combativa, pondo nas ruas as principais palavras de ordem para a situação política nacional e internacional.

O dia, no entanto, estava apenas começando para os militantes e ativistas. Bem próximo dali, na Rua Crispiniano, o Centro Cultural Benjamin Péret (CCBP) recebeu os manifestantes para um grande churrasco de 1º de Maio. Em clima de festa, os manifestantes puderam comer à vontade pelo valor módico de R$60 até o final da tarde. A festa no CCBP contou ainda com um open bar de chope, que durou até 20h.

O CCBP é o maior centro cultural independente do Brasil, tendo se destacado no último período pela realização de debates, palestras, cursos e até mesmo atividades carnavelescas.







