Eleições 2026

PCO lança Rui Pimenta candidato a presidente da República

Partido volta a apresentar candidatura própria ao Planalto depois de 12 anos e lança campanha sob as palavras de ordem “revolução, governo operário e comunismo”

O Partido da Causa Operária (PCO) lançou neste sábado (8), em São Paulo, a candidatura de Rui Costa Pimenta à Presidência da República nas eleições de 2026. O ato, realizado na Casa de Portugal, no bairro da Liberdade, apresentou também Antônio Carlos Silva como candidato a vice-presidente e reuniu candidatos do Partido de diferentes estados do País. 

É a primeira vez desde 2014 que o PCO apresenta uma chapa própria para a Presidência. Nas eleições de 2018 e 2022, em meio à ofensiva golpista iniciada com o impeachment de Dilma Rousseff, o Partido apoiou a candidatura de Lula. Agora, a decisão é intervir nas eleições com um programa próprio, rompendo com a política de frente ampla e de conciliação com os partidos da direita.

Rui Pimenta disputará a Presidência pela quinta vez. Jornalista, dirigente político desde a década de 1970 e fundador do PCO, foi candidato ao Planalto em 2002, 2006, 2010 e 2014. Seu companheiro de chapa, Antônio Carlos Silva, é professor de Matemática da rede estadual paulista, dirigente sindical e um dos fundadores do Partido.

A campanha foi lançada com as palavras de ordem “Salário, trabalho e terra” e “Revolução, governo operário e comunismo”. A diferença entre essas bandeiras e a propaganda tradicional dos partidos eleitorais ocupou parte central do discurso de Rui Pimenta. Em vez de apresentar uma lista de promessas a serem realizadas caso o candidato seja eleito, o PCO pretende utilizar o período eleitoral para defender um programa de mobilização da classe trabalhadora.

Logo no início de sua intervenção, Pimenta procurou estabelecer o caráter da campanha: combater a ilusão de que os problemas fundamentais do País poderão ser resolvidos por meio das urnas.

“As eleições, nem agora, nem nunca, são um instrumento para mudar o país em que a gente vive, ou qualquer outro país. As eleições não vão mudar absolutamente nada.”

O presidente do PCO contrapôs essa posição à política predominante na esquerda brasileira, em particular no PT. Para ele, a justificativa de que seria necessário ampliar alianças com a direita para vencer as eleições e, depois, melhorar as condições da população foi desmentida pela própria experiência dos governos petistas.

Lula chegou ao governo pela primeira vez há mais de duas décadas e atualmente encerra seu terceiro mandato presidencial, buscando um quarto. Pimenta chamou atenção para o fato de que problemas elementares como os baixos salários, a fome, a precariedade dos serviços públicos e a submissão da economia brasileira ao capital financeiro permanecem sem solução.

Ao comentar a propaganda em torno da retirada do Brasil do mapa da fome, o candidato questionou que isso possa ser apresentado como a grande realização de uma experiência de governo iniciada em 2003.

“Você coloca no poder um governo de esquerda para ele falar que ele conseguiu alimentar precariamente a população nacional. E isso no Brasil! Enquanto isso, os banqueiros se apropriam de metade do orçamento federal. Isso não é uma vitória, isso não é uma conquista dos trabalhadores, isso é uma derrota, é uma derrota política e é uma derrota social.”

A crítica não significa equiparar o governo Lula à direita golpista. O próprio PCO esteve na linha de frente contra o impeachment de Dilma, pela liberdade de Lula e contra a cassação de seus direitos políticos. Em 2022, apesar de denunciar a presença de Geraldo Alckmin na chapa, o Partido apoiou Lula diante da situação criada pelo golpe de Estado.

Passados quatro anos, porém, o PCO considera que a política da frente ampla mostrou seus limites de maneira ainda mais clara. Integrantes da direita ganharam posições dentro e ao redor do governo, enquanto medidas essenciais para os trabalhadores foram subordinadas às exigências do ajuste fiscal, do Congresso Nacional, dos bancos e dos grandes capitalistas.

João Pimenta, candidato a deputado federal em São Paulo, tratou desse problema durante o ato. Segundo ele, a volta de uma candidatura presidencial do PCO depois de 12 anos corresponde justamente ao esgotamento da tentativa de governar em entendimento com a direita.

“Por que, depois de 12 anos, nós decidimos lançar um candidato à presidência da República? O motivo é simples. Nesses últimos quatro anos, nós vimos um colapso total da política de frente ampla, de acordo com a direita, com o Geraldo Alckmin, do mundo, com o PSDB, com o PSB e similares.”

Para Rui Pimenta, a conclusão deve ser apresentada claramente aos trabalhadores. Não se pode transformar o País aceitando previamente os limites econômicos e políticos impostos pela burguesia.

“Por isso, nós temos que tirar a conclusão, e nós temos que tirar a conclusão agora, de que a proposta formulada pela esquerda, pelo setor majoritário da esquerda nacional, que é o PT, de mudar o país de acordo com as regras do jogo impostas pela burguesia, se demonstrou um completo fracasso e um beco sem saída para o país e para o povo brasileiro.”

É nesse sentido que a candidatura se apresenta como socialista. Pimenta criticou a tendência de setores da esquerda de transformar o programa em uma relação de propostas consideradas administrativamente “possíveis”. Citou, entre outros exemplos, a discussão sobre o salário mínimo e rejeitou a ideia de que um partido operário deveria estabelecer suas reivindicações de acordo com aquilo que os capitalistas dizem poder pagar.

“As nossas propostas não são para recauchutar o sistema capitalista, o nosso programa é um programa de luta pelo governo operário, pelo governo dos trabalhadores e pelo socialismo, pelo comunismo. Esse é o nosso programa, é o programa da revolução proletária.”

A candidatura presidencial aparece, portanto, como o centro de uma campanha mais ampla. O PCO lançou candidatos aos governos estaduais, ao Senado, à Câmara dos Deputados e às assembleias legislativas, procurando apresentar militantes diretamente ligados às lutas políticas e sindicais do Partido. O lançamento nacional sucede as convenções estaduais realizadas em diferentes regiões do Brasil.

Em São Paulo, Izadora Dias foi lançada candidata ao governo, tendo Nivaldo Orlandi como vice. Ednelson Cesaretti concorrerá ao Senado. Izadora, dirigente do Coletivo de Mulheres Rosa Luxemburgo, definiu sua candidatura durante o ato como uma tarefa partidária, e não como um projeto individual.

“E a minha candidatura também não é minha, é da classe operária, dos militantes, daqueles que atuam com a gente também na construção desse partido.”

Para ela, as eleições devem funcionar como uma tribuna para a propaganda e a organização política. A campanha eleitoral seria apenas uma etapa de uma atividade desenvolvida permanentemente pelo Partido.

“As eleições não têm nada de excepcional para nós. É mais uma etapa, mais um momento de luta política. O nosso partido atua o ano todo. Em todas as oportunidades, o partido atua para desenvolver a nossa política. Então, as eleições são apenas mais uma tribuna.”

A candidata paulista também denunciou a exclusão sistemática dos nomes do PCO de pesquisas eleitorais. Em levantamentos recentes da Quaest, Rui Pimenta e candidatos do Partido aos governos de São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Minas Gerais, Pernambuco e Bahia foram retirados dos cenários estimulados, apesar de o instituto ter sido informado das candidaturas.

O bloqueio eleitoral foi um dos problemas levantados por Rui Pimenta. O candidato criticou a curta duração das campanhas brasileiras e o poder dado às grandes redes privadas de televisão para decidir quem participa dos principais debates.

“Quando acontece um debate, todo mundo tem que lembrar o seguinte: nós não estamos no debate não é porque há uma lei que proíbe a nossa participação no debate, é que quem escolhe os debatedores é a Rede Globo, é o SBT, é a Record, eles que escolhem, eles que dizem quem são os candidatos.”

O Partido considera particularmente significativa a promoção da candidatura de Renan Santos, do Missão, legenda criada pelo Movimento Brasil Livre (MBL). Para Pimenta, a burguesia procura fabricar uma terceira via enquanto utiliza a imprensa para selecionar quais candidaturas receberão projeção nacional.

O PCO pretende responder a esse bloqueio com uma campanha concentrada nas ruas. Pimenta convocou militantes, filiados e simpatizantes a distribuírem material, conversarem diretamente com os trabalhadores e utilizarem a Internet para ampliar o alcance das posições partidárias.

“Nós queremos mostrar para o maior número possível de pessoas que nós temos que sair desse jogo de cartas marcadas, que a gente precisa botar o povo na rua, que nós precisamos mobilizar a população, que nós precisamos lutar com os meios próprios da população ao invés de delegar aos partidos que estão no Congresso Nacional, que não mandam nada no país, ou pior, delegar ao STF, que é um grupo de pessoas que ninguém elegeu, ou ao presidente da República, a resolução dos problemas que dizem respeito ao povo.”

Outro aspecto destacado no lançamento foi a composição social das chapas do Partido. No Paraná, Adriano Teixeira encabeça a candidatura ao governo como representante operário. Em Santa Catarina, o candidato a governador Bruno Andrade é operário da construção civil. No Rio de Janeiro, o metalúrgico Luiz Eugênio Honorato disputa o Senado. Em Mato Grosso do Sul, o Partido lançou candidatos índios, entre eles Valderi Garcia, guarani-terena, pedreiro e agricultor.

Ao falar sobre essas candidaturas, Rui contrapôs a composição do PCO à profissionalização da política nos partidos burgueses.

“O PCO tem vários candidatos operários, será o único partido que tem candidatos operários.”

Victor Assis, candidato ao governo de Pernambuco, desenvolveu o mesmo argumento por outro ângulo. Para ele, os candidatos do PCO são, antes de tudo, militantes que utilizam a eleição como continuidade de sua atividade política.

“Ao contrário de todos os outros partidos, aqui nós lançamos militantes candidatos. Antes de tudo, nós somos militantes.”

Assis criticou o abandono das candidaturas próprias por diversos partidos da esquerda. Em sua avaliação, a multiplicação de acordos com PSB, PSD, MDB e outras legendas burguesas revela um problema programático: quando um partido deixa de defender uma política própria, a candidatura também passa a ser tratada apenas como instrumento de negociação por cargos.

A política internacional também ocupará lugar de destaque na campanha. Rui Pimenta afirmou que a defesa do povo palestino deve estar presente durante todo o processo eleitoral e classificou Gaza como o principal divisor político da atualidade. Durante o ato, defendeu abertamente a resistência palestina e denunciou os processos e campanhas de perseguição movidos no Brasil contra aqueles que se opõem ao sionismo.

Para o candidato, a posição diante do massacre em Gaza permite distinguir os que efetivamente se colocam contra o imperialismo daqueles que adaptam suas posições à pressão da imprensa, dos governos imperialistas e dos apoiadores de “Israel”. O dirigente criticou especialmente a influência sionista dentro da própria esquerda e defendeu que a questão palestina seja transformada em um dos eixos da agitação eleitoral.

A campanha lançada no sábado terá, assim, dois pontos apresentados por Rui Pimenta como fundamentais: combater a ilusão de que uma simples vitória eleitoral solucionará a crise nacional e utilizar as eleições para organizar uma luta política independente dos trabalhadores.

“O Brasil não vai mudar pela eleição, o PT demonstrou isso por um longo período de tentativas infrutíferas, e nós temos que colocar o problema da Palestina como uma questão central, e temos que defender um programa que expresse efetivamente os anseios da população trabalhadora e de todos que defendem os direitos do povo brasileiro de fato.” 

 

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