Segundo levantamento publicado pelo Poder360 nesta segunda-feira (4), apenas três dos 12 pré-candidatos à Presidência da República criticam as urnas eletrônicas ou defendem algum mecanismo de verificação do voto. Entre os partidos da esquerda, o PCO aparece isolado ao questionar a ideia, repetida pela imprensa burguesa e pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), de que a urna eletrônica seria um sistema acima de qualquer suspeita.
A matéria do Poder360 foi publicada no momento em que o voto eletrônico completa 30 anos no Brasil. O TSE realizou, também nesta segunda-feira, um evento comemorativo conduzido pela ministra Cármen Lúcia, presidente da Corte. O levantamento ouviu pré-candidatos, analisou publicações em redes sociais e declarações à imprensa sobre o tema.
Entre os nomes ligados à esquerda, a posição do PCO se destaca. Rui Costa Pimenta, presidente nacional do partido e pré-candidato à Presidência, afirmou em 2022 que o melhor modelo é o voto em papel, por permitir a conferência direta dos votos.
“Nós achamos que o melhor modelo é do voto em papel. Você tem o voto lá, você pode contar a qualquer hora. Qualquer um pode contar os votos”, disse Rui Pimenta, em declaração resgatada pelo Poder360. O dirigente também afirmou que o cidadão comum não consegue auditar a urna eletrônica caso suspeite de alguma irregularidade.
A posição contrasta com a de outras candidaturas da esquerda. Edmilson Costa, do PCB, declarou ao Poder360 que as urnas eletrônicas brasileiras seriam “altamente seguras”. Hertz Dias, do PSTU, afirmou não haver motivos para questionar o resultado das urnas. Samara Martins, da UP, disse considerar as urnas confiáveis e defendeu inclusive ampliar seu uso em consultas populares. Já Lula, do PT, classificou críticas às urnas feitas por Bolsonaro como “idiotice”, embora o próprio petista tenha defendido, em 2002, mecanismos de verificação do resultado, como a impressão de comprovante.
O levantamento revela, portanto, que o PCO é o único partido da esquerda que não aderiu ao consenso oficial em torno da urna eletrônica. Para o partido, não se trata de repetir a campanha da direita bolsonarista, que utiliza o tema de maneira oportunista, mas de defender um princípio democrático elementar: qualquer sistema eleitoral deve poder ser conferido pela população.
A campanha em defesa da urna “infalível” serve, na prática, para blindar o regime político de qualquer questionamento. Em vez de permitir que trabalhadores, partidos e organizações populares possam fiscalizar diretamente a contagem dos votos, o sistema exige confiança nas instituições que controlam o processo eleitoral.
O regime apresenta a urna eletrônica como uma espécie de dogma: quem questiona o sistema é imediatamente tratado como inimigo da “democracia”. Ao contrário dessa posição, o PCO defende que a esquerda não deve depositar sua confiança cega nas instituições do Estado burguês. A possibilidade de fiscalização direta do voto é uma reivindicação democrática básica. Se o voto é popular, sua conferência também deve estar ao alcance da população.



