O Conselho Estudantil Nacional da Índia (ABVP) convocou uma paralisação escolar em Telangana, na Índia, na terça-feira (23), contra aumentos de mensalidades e cortes de investimento na rede pública. A ação levou escolas privadas e corporativas a suspender aulas diante dos protestos.
A ABVP, organização estudantil fundada em 1949 e ligada ao partido nacionalista hindu Organização Nacional de Voluntários (RSS), pediu apoio de estudantes, pais e direções escolares. A pauta combinou reivindicações contra cobranças privadas com críticas à proposta estadual de “racionalização” escolar, responsável pelo fechamento de escolas.
No caso das escolas privadas, a ABVP cobrou uma lei rígida para regular mensalidades. A entidade afirmou que instituições aumentam valores sem fiscalização suficiente, impondo peso financeiro às famílias. Também criticou compras obrigatórias de uniformes e outros itens escolares vinculados às próprias escolas.
A organização reivindicou maior transparência em admissões, atividades acadêmicas e estrutura de taxas. Entre as medidas cobradas estão a criação de uma autoridade para monitorar mensalidades, inspecionar instituições e supervisionar revisões anuais. O conjunto das reformas alcançaria cerca de 23 mil escolas privadas em Telangana.
A crítica mais sensível envolve a “racionalização” da rede pública. Essa política do governo indiano é usada para o fechamento ou fusão de unidades com baixa matrícula, transferência de alunos, redistribuição de professores e concentração de estudantes em prédios maiores, em nome de uma suposta otimização de recursos.
Na prática, a medida pode funcionar como fechamento disfarçado. Em áreas pobres, rurais ou afastadas, a fusão de escolas aumenta distâncias, exige transporte e dificulta a permanência de crianças na sala de aula. Experiências indianas anteriores indicam que esse tipo de política reduz o acesso dos mais pobres à educação pública.
A ABVP também denunciou atrasos na entrega de uniformes fornecidos pelo governo, falta de professores e cargos administrativos vagos. A entidade pediu edifícios permanentes para escolas residenciais Gurukul, fiscalização da merenda e cumprimento da reserva de 25% para estudantes economicamente mais frágeis nas escolas privadas.
A paralisação expôs os custos crescentes no ensino privado e a fragilidade da rede pública. Ao mesmo tempo em que cobra controle sobre mensalidades, o movimento se opõe a uma reorganização que pode reduzir a presença física de escolas públicas, atingindo famílias com menos condições de pagar pelo ensino.



