O artigo Lula na linha de fogo: entre Trump e a soberania brasileira, de Reynaldo José Aragon Gonçalves, publicado no Brasil 247 nesta terça-feira (5), conformam quase 32 mil caracteres de especulações sobre a reunião entre Lula e Trump na Casa Branca.
As recentes derrotas de Lula no Congresso deram vez a uma série de artigos tentando analisar ponto os possíveis motivos do recente fracasso, bem como o que se deve fazer, como se essas análises tivessem o condão de apontar um caminho para a vitória de Lula nas eleições do final do ano.
De todos os modos, como o artigo é muito longo, achamos pertinente fazer um resumo do que o texto contém:
- Um Encontro Além da Diplomacia
O autor argumenta que a reunião não é um evento diplomático comum, mas o ápice de um “cerco” coordenado contra o Brasil. Nos meses anteriores, o país teria enfrentado tarifas comerciais, sanções contra autoridades do Judiciário e pressão sobre as instituições brasileiras (especialmente o STF) por parte do governo e do Congresso americano, além de big techs.
- O Brasil como “Alvo” Estratégico
O texto descreve uma estratégia americana de “enquadramento”, onde o Brasil é deslocado da posição de parceiro para a de “problema”.
- Narrativa de Censura: Alegações de falta de liberdade de expressão no Brasil foram usadas para justificar pressões institucionais e econômicas.
- Ação Coordenada: O uso de sanções e investigações comerciais seria uma forma de forçar o Brasil a uma nova arquitetura de dependência.
- Interesses Econômicos e Tecnológicos Ocultos
Por trás do discurso político, o artigo aponta interesses materiais profundos dos EUA:
- Controle Financeiro e Digital: Pressão contra sistemas de pagamento digital brasileiros (como o Pix) e contra a regulação de plataformas, visando manter a hegemonia das empresas americanas.
- Recursos Estratégicos: A disputa por minerais críticos e terras raras, essenciais para a transição energética e inteligência artificial, onde o Brasil é peça-chave na competição dos EUA contra a China.
- Agronegócio e Energia: Questões como o etanol e exportações agrícolas são usadas como moedas de troca política e econômica.
- A Eleição de 2026 na Casa Branca
O autor destaca que a disputa eleitoral brasileira já está internacionalizada. Enquanto Lula negocia formalmente, lideranças da direita brasileira estariam em Washington atuando como um “governo paralelo”, oferecendo-se como alternativa mais alinhada aos interesses americanos para o próximo ciclo eleitoral.
- Conclusão do Artigo
O texto serve como um alerta: o governo brasileiro não deve ver a reunião como uma simples negociação de ajustes, mas como um teste decisivo de soberania. O risco apontado é o de que o Brasil saia do encontro com menos autonomia política e econômica, caso não consiga resistir às pressões integradas que buscam redefinir seu papel global.
Eleições presidenciais
A primeira coisa a se considerar nessa viagem de Lula aos EUA é o que este pretende com isso em termos eleitorais. As derrotas no Congresso e as recentes pesquisas apontam que o cenário eleitoral para o presidente não anda nada bem.
Se Lula conseguir bons acordos com Donald Trump, como redução de tarifas, etc., poderá ter o que mostrar para a burguesia nacional, mas o fato, considerando os principais editoriais dos grandes jornais, é que a burguesia não quer o petista em um quarto mandato, assim como não quer Flavio Bolsonaro. Demonstram, por outro lado, que ainda sonham com um candidato de terceira via.
Alguns candidatos, como Romeu Zema, prometem o mundo para o grande capital, até a regulamentação do trabalho infantil, uma espécie de política epstein para aumentar o lucro do capital.
Outro ponto a ser considerado, é o que Trump poderia ganhar cedendo para Lula. E o quanto estaria disposto a ceder, visto que a reeleição do petista pode muito bem não se concretizar.
A posição de Lula na mesa de negociação é muito desfavorável, o que o presidente norte-americano sabe e não terá pudores em explorar.
Ninguém poderá negar a inclinação de Lula em negociar. Basta ver a atitude de seu governo ainda durante a gestão de Joe Biden, quando o presidente não reconheceu a vitória de Nicolás Maduro e exigiu a apresentação das atas da eleição.
Lula também foi quem vetou a entrada da Venezuela no BRICS, o que gerou um mal-estar com a Rússia e com a China, que não mandaram seus presidentes para a cúpula do Mercosul no Rio de Janeiro.
Essas atitudes do governo brasileiro, claramente alinhadas aos interesses dos Estados Unidos, andaram sacudindo a base petista.
A coisa não parou por aí, Lula também chegou a dizer que a libertação de Nicolás Maduro e sua esposa, Cília Flores, não eram prioridade, mas sim o bem-estar da população venezuelana. Falou em restabelecer a democracia na Venezuela e que o presidente sequestrado deveria ser julgado no próprio país, não nos Estados Unidos, apesar de que Lula não tenha comprovado quais crimes teriam sido cometidos.
Consequências
Caso Lula consiga bons acordos com Donald Trump, e caso vença as eleições, quais serão as atitudes de um novo mandato seu com o presidente norte-americano?
Não é impossível que o petista consiga acordos, pois Trump não é um fator de desagregação dentro do imperialismo, que é o setor que quer a saída de Lula. Com um acordo em mãos, Trump pode conseguir melhores condições para enfrentar o imperialismo, que também quer sua cabeça.
O quadro que forma para uma possível reeleição de Lula aponta para um governo ainda mais acuado pelo burguesia e pelo grande capital. A maioria dos jornalistas da imprensa alternativa estão se limitando a tentar achar uma fórmula de sucesso para o petista e deixam escapar o essencial: quais interesses estão em jogo, pois o que move o mundo é a luta de classes.





