A governadora do Pará, Hana Ghassan (MDB), iniciou a segunda fase da operação Escudo Feminino em todo o estado na segunda-feira (18). A ação mobilizou mais de 1.600 agentes de segurança pública e 310 viaturas em 121 municípios paraenses, em nome do enfrentamento à violência contra a mulher, com fiscalização do cumprimento de medidas protetivas e reforço do policiamento ostensivo em áreas estratégicas.
A primeira fase da operação ocorreu nos dias 16 e 17 de abril de 2026, resultando em 23 prisões em flagrante e 2.602 atendimentos a mulheres. A governadora declarou que a operação representa a maior ação já realizada no Pará para combater a violência contra a mulher, afirmando que no estado “agressor de mulher não terá espaço”.
A segunda fase mantém o mesmo formato da primeira: mobilização massiva das forças de repressão, fiscalizações domiciliares de endereços com medidas protetivas e utilização da plataforma tecnológica chamada de Proteção Sem Palavras, que permite atendimento de emergência sem comunicação verbal. A governadora apresentou a iniciativa como estratégia única no Brasil de proteção às mulheres. O secretário de Segurança Pública, Ed-Lin Anselmo, ressaltou que a integração das forças de segurança tem impacto direto na proteção das mulheres paraenses.
Ao mobilizar 1.600 agentes para fazer rondas e fiscalizações, o governo do Pará reforça que a solução para a violência está na polícia, mesmo que a própria polícia cause uma violência infinitamente maior, ignorando os problemas materiais que resultam na opressão feminina. As 23 prisões da primeira fase são apresentadas como resultado positivo, mas nada garantem em termos de proteção duradoura para as mulheres. A prisão de um homem, mesmo que seja comprovadamente um agressor, não oferece alternativas para que a vítima se liberte da relação violenta quando não tem renda, moradia ou rede de apoio.
A plataforma tecnológica Proteção Sem Palavras exemplifica bem essa política repressiva travestida de proteção contra a mulher. O recurso permite que a mulher acione a polícia silenciosamente em situações de emergência, mas não oferece nenhuma estrutura para que ela possa ter autonomia financeira. Uma mulher que depende economicamente do marido nunca poderá acionar a polícia contra ele sem, muitas vezes, levar a um empobrecimento próprio e dos filhos. É uma solução ilusória.
O investimento maciço em operações policiais desvia recursos que poderiam financiar creches públicas, permitindo que mulheres trabalhem, casas de acolhimento com estrutura adequada, programas de qualificação profissional e geração de emprego para mulheres em situação de violência e políticas de moradia popular que garantam alternativas habitacionais para quem precisa sair de casa. A governadora afirma que no Pará agressor não terá paz, mas o que as mulheres precisam não é que seus agressores sejam perseguidos pela polícia, mas que elas tenham condições materiais de se libertarem dessas relações.
O aparato repressivo se fortalece enquanto as causas da violência permanecem intocadas.





