Forças paquistanesas atingiram alvos nas províncias de Paktia, Paktika e Kunar, no Afeganistão, na madrugada de segunda-feira (29), após ataque em Karachi. O governo do Paquistão afirmou que mirou esconderijos de grupos armados e declarou ter matado 25 combatentes. O governo afegão denunciou o Paquistão por bombardear áreas residenciais, matar civis e violar a soberania afegã.
A ofensiva foi apresentada como resposta ao ataque de 27 de junho contra uma base dos Rangers de Sindh, força paramilitar paquistanesa, no bairro de Gulistan-i-Jauhar, em Karachi. A ação matou três integrantes da força e feriu outros quatro. Três atacantes morreram em confronto e um foi capturado vivo.
A autoria foi reivindicada pelo Jamaat-ul-Ahrar (JuA), facção ligada ao Tehreek-e-Taliban Pakistan (TTP), o Talibã paquistanês, independente em relação ao Talibã afegão. No entanto, o governo do Paquistão acusa o Afeganistão de abrigar organizações usadas para ataques dentro do país.
O ministro da Informação paquistanês, Attaullah Tarar, disse que os bombardeios atingiram três províncias afegãs. Uma operação terrestre separada em Bajaur, na província paquistanesa de Khyber Pakhtunkhwa, também teria matado integrantes do JuA, incluindo um comandante graduado, além de destruir armas e munições.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Paquistão, Tahir Andrabi, confirmou que o encarregado de negócios do Afeganistão recebeu um protesto diplomático formal. O embaixador paquistanês em Cabul entregou outra nota ao Ministério das Relações Exteriores afegão. Andrabi declarou que solo e cidadãos afegãos continuam sendo usados para organizar ataques dentro do Paquistão.
O porta-voz do governo afegão, Zabihullah Mujahid, publicou imagens de crianças feridas e acusou o Paquistão de atacar casas. O Afeganistão informou que os bombardeios em Kunar, Paktia e Paktika mataram 36 civis e feriram 163, além de constituírem violação do espaço aéreo afegão.
Segundo atesta a ONG Pak Institute for Peace Studies, registrou-se aumento de 34% nos ataques em 2025, com 699 incidentes, ao menos 1.034 mortos e 1.366 feridos. Mais de 95% dos ataques se concentraram nas províncias paquistanesas de Khyber Pakhtunkhwa e Balochistão.
Analistas apontam que a repetição de bombardeios, deportações e protestos diplomáticos não produziu solução duradoura. Desde setembro de 2023, o Paquistão deportou quase um milhão de cidadãos afegãos e realizou rodadas de negociação com o Talibã. As pausas na violência foram temporárias. O resultado é um ciclo em que ataques dentro do Paquistão são seguidos por ofensivas em território afegão, enquanto cresce a tensão política entre os dois países.





