Espanha, Irlanda e Eslovênia decidiram não transmitir a Eurovision em seus países, em protesto contra a participação de “Israel”, em anúncio feito nesta segunda-feira (11). A decisão acompanha a retirada de emissoras desses países do concurso e expressa a pressão popular contra os crimes cometidos por “Israel” contra os palestinos em Gaza. Eslovênia anunciou ainda que exibirá filmes palestinos no lugar do festival.
O boicote atingiu uma das maiores vitrines culturais da Europa. A União Europeia de Radiodifusão manteve “Israel” na disputa, apesar das pressões para sua exclusão, e vários países reagiram retirando participação ou transmissão. Espanha, Irlanda e Eslovênia deram o passo mais direto ao não exibir o concurso em seus canais públicos, transformando a programação televisiva em gesto político diante da destruição de Gaza.
A Eslovênia anunciou que substituirá a transmissão da Eurovision por uma série de filmes chamada “Vozes da Palestina”, com documentários e longas palestinos. A escolha é simbólica: em vez de abrir espaço para a presença de “Israel” em um concurso musical de grande audiência, a emissora pública eslovena dará visibilidade às narrativas audiovisuais de um povo submetido a ocupação, bombardeios, deslocamento e morte.
O boicote também envolve outros países. Países Baixos e Islândia decidiram se retirar da competição, embora ainda tenham mantido a transmissão. A diferença mostra níveis distintos de enfrentamento. Governos, emissoras e organizações culturais sofrem pressão de suas populações para não aceitar a participação de “Israel” em eventos internacionais enquanto o genocídio contra os palestinos persistir.
Na Irlanda, até o clube oficial de fãs da Eurovision apoiou a retirada da emissora pública e cancelou atividades tradicionais ligadas ao festival. O gesto mostra que a oposição à presença de “Israel” não se restringe às emissoras. Ela chegou ao público consumidor do evento, a grupos culturais e a pessoas que normalmente se mobilizam para acompanhar a competição.
A pressão contra “Israel” na Eurovision é parte de uma reação internacional mais ampla. Festivais, universidades, sindicatos, artistas e torcedores passaram a cobrar que os crimes contra a população palestina sejam combatidos. A tentativa de tratar o concurso como espaço neutro não resiste ao fato de que a participação de “Israel” serve como vitrine de normalidade para um Estado que bombardeou hospitais e escolas, mantém dezenas de milhares de palestinos em campos de concentração, promoveu estupros e tortura indiscriminadamente e visou em seus ataques principalmente crianças e mulheres em idade reprodutiva. A população, com acesso a Internet, consegue acompanhar de perto esses crimes e pressiona as instituições públicas e privadas para que esse genocídio seja freado.
O boicote de Espanha, Irlanda e Eslovênia demonstra que a população desses países não aceitará que não haja festa cultural possível quando ela ajuda a encobrir uma monstruosidade política e humanitária.





