O comandante da Força Quds do Corpo de Guardas da Revolução Islâmica (CGRI), general Esmail Qaani, anunciou, na segunda-feira (9), a criação de um novo “cinturão de segurança” do Eixo da Resistência, que se estende do Estreito de Ormuz ao Estreito de Babelmândebe, ligando o Golfo Pérsico ao Mar Vermelho.
A declaração ocorre em meio à escalada das agressões de “Israel” e dos Estados Unidos contra o Irã, o Líbano e a Palestina. O objetivo declarado da nova orientação é impedir que o imperialismo e o regime sionista utilizem as rotas marítimas estratégicas da região para manter a ofensiva militar contra os povos do Oriente Médio.
“Do Estreito de Ormuz a Babelmândebe e do Golfo Pérsico ao Mar Vermelho, um novo cinturão de segurança da Resistência será estabelecido”, afirmou Qaani.
O general iraniano elogiou as operações do Iêmen contra “Israel”, destacando o fechamento de Babelmândebe para navios ligados ao regime sionista. Segundo Qaani, a ação iemenita mostra o grau de coordenação alcançado pela frente anti-imperialista na região.
“A ação oportuna e poderosa do heroico Iêmen é um sinal da sabedoria da Frente de Resistência. Se necessário, outros também se somarão”, declarou o comandante da Força Quds.
A ameaça foi dirigida diretamente aos Estados Unidos e a “Israel”. “Combatentes sem fronteiras vigiam seus gargalos de trânsito. Se continuarem sua agressão, eles os agarrarão pela garganta”, disse Qaani.
O anúncio é mais uma demonstração de que o Eixo da Resistência atua de maneira cada vez mais unificada contra as agressões sionistas e norte-americanas. A região entre Ormuz e Babelmândebe reúne algumas das passagens marítimas mais importantes do mundo, por onde circula parte decisiva do comércio de petróleo e mercadorias entre a Ásia, a África e a Europa.
Na segunda-feira, o CGRI também anunciou o início da Operação Vitória, com ataques contra as bases aéreas de Tel Nof e Nevatim, em “Israel”. A operação foi uma resposta aos ataques sionistas contra instalações de radar iranianas e às violações cometidas pelo regime sionista no Líbano.
No domingo, aviões israelenses bombardearam o subúrbio sul de Beirute, em Danié. Em resposta, o Irã atacou a base aérea de Ramat David com mísseis balísticos. A República Islâmica já havia advertido que qualquer ataque contra Beirute constitui uma linha vermelha e exige resposta militar.
As autoridades iranianas também alertaram que novas operações israelenses no sul do Líbano ou contra Beirute provocam medidas “muito mais severas e esmagadoras” do que as represálias anteriores. A declaração reafirma que o Irã considera a agressão contra qualquer setor do Eixo da Resistência uma agressão contra si próprio.
Na terça-feira, o Quartel-General Central Khatam al-Anbiya anunciou uma suspensão condicional das operações militares. As autoridades iranianas, no entanto, ressaltaram que a medida não significa contenção. A interrupção depende do fim das agressões israelenses contra o Líbano, incluindo o sul do país.
A nova linha foi reforçada pelo presidente do Conselho de Discernimento do Irã, Sadeq Larijani. Segundo ele, a República Islâmica adotou uma nova doutrina estratégica de defesa, baseada na iniciativa. Isso significa que o Irã não aguardará a ampliação das ameaças para agir em defesa de seus aliados regionais.
Pela nova orientação, qualquer ataque contra um integrante do Eixo da Resistência exige resposta. Trata-se de uma mudança importante na correlação de forças regional: a defesa do Líbano, da Palestina, do Iêmen e do Irã passa a ser tratada como uma frente comum.
O Iêmen, por sua vez, já demonstrou a capacidade de impor sérios prejuízos à navegação ligada a “Israel” no Mar Vermelho e em Babelmândebe. Nesta semana, as Forças Armadas iemenitas lançaram um míssil balístico contra os territórios palestinos ocupados, obrigando o regime israelense a interromper todas as operações no aeroporto Ben Gurion.
As sirenes foram acionadas em Telavive e em regiões do centro e do sul da Palestina ocupada. As autoridades de aviação israelenses suspenderam chegadas e partidas no aeroporto, provocando uma paralisação direta do tráfego aéreo do regime sionista.
O porta-voz das Forças Armadas do Iêmen, Iáhia Saree, tem reiterado que essas operações fazem parte da guerra santa em defesa do povo palestino e contra a agressão norte-americana e israelense.





