A Via Campesina Brasil e a Coordenação Latino-Americana de Organizações do Campo denunciaram os impactos do bloqueio dos Estados Unidos contra Cuba em nota publicada em Brasília, na segunda-feira (25). As entidades afirmaram solidariedade ao povo cubano e lançaram campanha internacional contra as medidas que atingem alimentos, remédios, combustíveis, tecnologias e insumos agrícolas. A denúncia coloca o bloqueio como agressão direta à soberania alimentar e à produção camponesa.
A nota afirma que Cuba sofre há décadas com repressões, perseguições políticas e medidas impostas pelo imperialismo norte-americano. Segundo as organizações, a política de bloqueio restringe o acesso da população a itens básicos e atinge de modo especial as comunidades do campo, pois prejudica a produção agrícola, a circulação de insumos e a capacidade de organizar a vida econômica do país.
As entidades anunciaram a campanha “Contra o bloqueio! Solidariedade camponesa, agroecologia e soberania alimentar!”, lançada em 17 de maio em articulação com a Associação Nacional de Pequenos Agricultores de Cuba (ANAP), organização integrante da Via Campesina. A iniciativa busca ampliar ações de denúncia e solidariedade internacional, destacando que as sanções não são medidas abstratas de disputa diplomática, mas instrumentos que afetam diretamente o alimento, o transporte, a saúde e o cotidiano da população.
O bloqueio aparece, na denúncia, como tentativa de esmagar uma experiência política que mantém formas próprias de organização social. A Via Campesina afirma que o povo cubano tem direito de decidir seus caminhos, cultivar sua agricultura camponesa e manter processos organizativos sem interferência estrangeira. Ao vincular a luta contra o bloqueio à agroecologia e à soberania alimentar, a organização destaca que a questão não é apenas comercial: é também o direito de um país produzir, distribuir e planejar sua própria alimentação.
A política dos Estados Unidos (EUA) contra Cuba atravessa gerações e se renova por meio de restrições financeiras, comerciais e tecnológicas. Para uma ilha, as dificuldades de importação e acesso a crédito pesam ainda mais. Quando faltam medicamentos, peças, combustível ou insumos agrícolas, a pressão imperialista deixa de ser discurso e se torna privação concreta para trabalhadores, camponeses, estudantes e famílias.
A denúncia da Via Campesina reforça que ataques desse tipo contra qualquer país ameaçam toda a América Latina e o Caribe. O bloqueio a Cuba, portanto, não é um problema isolado do povo cubano; é parte de uma política de intimidação contra povos que tentam manter soberania diante dos EUA. A resposta proposta pelas organizações camponesas é a solidariedade ativa, internacionalista e vinculada à defesa da produção popular.


