A Central Operária Boliviana (COB) e setores camponeses mantiveram bloqueios e mobilizações na Bolívia, no sábado (23), apesar de uma operação policial e militar para liberar estradas. A ação tentou abrir rotas entre La Paz e Oruro, mas manifestantes voltaram a interromper trechos em diferentes pontos. A Confederação Sindical Única de Trabalhadores Camponeses da Bolívia (CSUTCB) chamou suas bases a ampliar as medidas em escala nacional.
Policiais e militares participaram da chamada operação Banderas Blancas, apresentada pelo governo como uma tentativa de reabrir vias de acesso à capital boliviana após mais de 20 dias de protestos e bloqueios contra o governo de Rodrigo Paz. A liberação da estrada La Paz-Oruro e de outras rotas terminou em confrontos entre agentes e manifestantes. Pouco depois, vários pontos foram novamente bloqueados por setores em luta, prolongando a crise que afeta o abastecimento, a circulação de combustíveis e os preços de produtos básicos.
Em Senkata, em El Alto, a polícia recorreu a agentes químicos para dispersar manifestantes. Mesmo assim, os grupos resistiram, e mais pessoas se somaram aos bloqueios. Relatos da imprensa boliviana indicaram avanços parciais da operação em algumas regiões, mas também a reinstalação de obstáculos em outros trechos. O ministro de Obras Públicas, Mauricio Zamora, reconheceu que, depois do avanço de uma caravana oficial rumo a Oruro, os grupos de protesto voltaram a cortar a rota, repetindo a dinâmica das últimas semanas.
As mobilizações são lideradas por setores camponeses e sindicatos ligados à COB. Nos últimos dias, os bloqueios se estenderam por regiões como Cochabamba, Santa Cruz, Potosí e Chuquisaca. Os manifestantes reivindicam aumentos salariais, estabilização da economia, rejeição à privatização de empresas estatais e a renúncia de Paz, acusado por organizações sociais de aprofundar a crise e não responder às demandas populares.
A COB denuncia que o governo pretende impor privatizações que podem elevar os preços da eletricidade, da água potável, do gás liquefeito de petróleo e do gás natural veicular. A pauta inicial das mobilizações reuniu mais de 100 demandas sindicais e passou a incorporar a defesa dos recursos naturais e das empresas estatais. O dirigente Mario Argollo, alvo de uma ordem de apreensão, reapareceu em vídeo para criticar uma declaração de Paz e acusar o governo de não oferecer respostas claras à população.
No mesmo sábado, a CSUTCB instruiu suas federações departamentais a ampliar o bloqueio nacional de estradas por tempo indeterminado e a organizar outras medidas em todo o país. O comunicado afirmou que a luta seguirá em defesa dos recursos naturais, da economia popular e da soberania nacional.
O governo declarou que buscará diálogo, mas mantém preso o sindicalista Mario Argollo, uma das lideranças ligadas às mobilizações. Em declaração oficial, também afirmou que “tudo tem um limite” e que poderá tomar decisões “amparadas na Constituição”.





