Uma unidade de saúde deixou de atender moradores de Engenheiro Leal e Madureira na manhã de 19/10. Na mesma região, seis escolas tiveram o funcionamento afetado. Não foi uma falha no abastecimento ou uma paralisação dos profissionais: a interrupção ocorreu durante operações policiais em comunidades do Rio de Janeiro.
Na Serrinha, na Primavera e em São José da Pedra, a Polícia Militar mobilizou cerca de 200 agentes, inclusive integrantes do Bope, do Batalhão de Choque e de outras unidades especiais. A PM afirmou que pretendia retirar barricadas e agir contra disputas entre grupos armados, roubos de veículos e cobranças impostas aos moradores. A Secretaria Municipal de Educação registrou quatro escolas afetadas na Serrinha e duas na Primavera, mas não informou o número de alunos prejudicados.
A Polícia Civil também cumpriu mandados no Morro da Coroa, no Catumbi, em uma investigação sobre uma tentativa de assassinato ocorrida durante um assalto no Leblon. Houve ainda notícia de uma ação na Patolinha, em Engenheiro Leal. Cada corporação apresentou um objetivo para sua operação. Nenhuma delas evitou que moradores perdessem acesso a serviços básicos ao longo da manhã.
Em setembro, uma operação da PM na zona oeste havia afetado dez escolas. À época, o DCO mostrou como a população das áreas ocupadas paga pelo método policial: aulas interrompidas, circulação limitada e bairros tratados como terreno de guerra. Agora, o mesmo método alcançou também o atendimento de saúde em Madureira.
A polícia entra e sai das favelas sob a promessa de combater os grupos armados. A moradora que precisava de atendimento e o estudante impedido de seguir a rotina ficam onde sempre estiveram. Para o DCO, a saída exige acabar com a PM, submeter a segurança à população organizada e legalizar todas as drogas, retirando do comércio proibido uma fonte de recursos das facções e uma justificativa permanente para as incursões.





