Uma obra da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) provocou uma explosão no Jaguaré, zona oeste de São Paulo, na segunda-feira (11), durante intervenção em tubulação. A explosão deixou uma pessoa morta, três feridas, uma delas em estado grave, atingiu ao menos 46 imóveis e desalojou cerca de 160 pessoas, segundo os Bombeiros.
O caso ocorreu durante uma obra de reconstituição de tubulação da Sabesp, empresa privatizada, em área urbana densamente ocupada. Dez imóveis foram interditados pela Defesa Civil, e apartamentos de um condomínio próximo tiveram vidros quebrados. O cenário, mais que acidente isolado, expõe o risco imposto a moradores quando obras de saneamento avançam sobre redes antigas sem controle público rigoroso e sem segurança suficiente para a população.
A intervenção usava método não destrutivo, com furo direcional, segundo explicação das autoridades. A escolha teria o objetivo de reduzir o tamanho da abertura no solo e diminuir os transtornos. Ainda assim, a explosão mostrou que a técnica não impediu a tragédia. Em áreas com tubulações antigas, redes de gás, água, esgoto e outros serviços subterrâneos, qualquer erro de cadastro, perfuração ou fiscalização pode transformar uma obra em ameaça direta às casas e vidas ao redor.
A informação de que obras desse porte contam com técnico da empresa de gás reforça a gravidade do episódio. Se havia acompanhamento especializado, a pergunta central passa a ser por que a proteção falhou. O governo afirmou que o Instituto de Criminalística faria laudo pericial e que as empresas seriam cobradas pelos órgãos reguladores caso fossem encontrados problemas. Para os moradores, porém, o dano já estava consumado: morte, feridos, imóveis interditados e famílias fora de casa.
O auxílio inicial aos afetados foi elevado de R$ 2 mil para R$ 5 mil. Também foi dito que reformas e indenizações seriam custeadas pela Sabesp e pela Comgás, com possibilidade de compra assistida ou reconstrução nos casos em que os imóveis não puderem ser recuperados. Essas medidas, embora necessárias, não substituem a apuração de responsabilidade. A vida perdida e o trauma causado aos moradores não podem ser tratados apenas como custo posterior de obra mal conduzida.
O dado de que São Paulo tem 1.200 canteiros de obras da Sabesp em 371 municípios aumenta a preocupação. Quando uma empresa desse tamanho, agora sob direção privatizada, espalha frentes de trabalho por centenas de cidades, a fiscalização precisa ser proporcional ao risco. A busca por rapidez, redução de custos ou menor intervenção aparente não pode se sobrepor à segurança de quem mora ao lado dos canteiros.
A explosão no Jaguaré tornou visível uma forma de negligência que muitas vezes só aparece depois da tragédia. A população não tem meios de verificar mapas subterrâneos, procedimentos técnicos ou acordos entre empresas. Cabe ao poder público garantir que uma obra de saneamento não se transforme em crime contra moradores. Sem responsabilização concreta, a promessa de perícia e indenização tende a soar como tentativa de administrar danos, não de impedir que o mesmo se repita.



