A Sociedade do Ciclo do Ouro, ocorrida no século XVIII, foi marcada pela urbanização, diversificação social e intensificação do escravismo nas regiões de Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso. Diferente da sociedade açucareira, esta era mais móvel, propiciando o surgimento de uma classe média (comerciantes, artesãos) e uma intensa vida cultural e artística, embora a riqueza fosse concentrada.
Escravos e homens livres buscavam sua felicidade em meio à exploração do ouro. O Quinto era um imposto considerado imoral que a Coroa Portuguesa cobrava. Em 21 de abril de 1792, Joaquim José da Silva Xavier — apelidado de Tiradentes, aos 46 anos de idade — foi executado na forca por crime de “lesa-majestade”, isto é, traição contra a rainha D. Maria I.
A execução ocorreu no Rio de Janeiro, então capital da colônia, entre 11h e 12h. Os réus foram presos em março de 1789 e aguardaram três anos pelo veredito, proferido em 18 de abril de 1792. A leitura da sentença levou dezoito horas! Tiradentes e vários outros foram condenados à forca, mas, algumas horas depois, uma carta de clemência da rainha transformou todas as penas em degredo (expulsão do Brasil), com exceção da de Tiradentes.
Três dias depois, na manhã de sábado, 21 de abril de 1792, ele foi conduzido pelas ruas do centro do Rio, cercado pela tropa, até o Largo da Lampadosa. Com a cabeça e a barba raspadas, vestia uma túnica grosseira e carregava um crucifixo. Subiu os degraus calmamente, acompanhado pelo frei encarregado da última oração, enquanto a multidão assistia consternada.
Após a execução, o carrasco (conhecido como Capitania) jogou-se sobre os ombros do condenado para abreviar a morte. O corpo foi retalhado: a cabeça foi enviada a Vila Rica para exposição em um poste, e os demais pedaços foram distribuídos pelo Caminho Novo, onde ele fizera seus discursos revolucionários. Sua casa foi arrasada e o terreno salgado para que nada lá germinasse.
Será que o povo brasileiro continua formado por “pequenos tiranos”, passados mais de 200 anos da execução de Tiradentes? Os fatos atuais podem responder ao questionarmos quantas pessoas morrem nas ruas hoje, em uma verdadeira “derrama” social no Brasil de 2026.
Com base em dados disponíveis até janeiro de 2026, o cenário da população em situação de rua apresenta um crescimento acentuado:
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Mortalidade em 2024: Foram registradas 6.003 mortes de pessoas em situação de rua, segundo dados da Fiocruz/Ipea.
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Risco de Vida: Essa população possui uma taxa de mortalidade 348% maior que a média geral, frequentemente por doenças tratáveis.
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Crescimento Populacional: O número de pessoas vivendo nas ruas saltou cerca de 88% entre 2020 e o início de 2026, superando 365 mil pessoas.
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Expectativa de Vida: A longevidade desse grupo é drasticamente reduzida, chegando a ser 30 anos menor que a média nacional.
Os impostos continuam sendo um “quinto dos infernos”. A paisagem urbana mudou — veículos elétricos, entregadores e novas dinâmicas — e os “escravos” de hoje mudaram de nome: assalariados.
Golpes e tramoias partidárias garantem à burguesia uma vida regalada. A independência, sonhada por um homem que alguns afirmam ter herdado seis escravos de seu pai, só chegou trinta anos após sua morte. Liberdade, fraternidade e igualdade foram os ideais dos Inconfidentes, mas a força da espada e da cruz venceram, continuando a controlar uma população que ainda carece do pleno exercício da razão iluminista.





