O povo brasileiro foi gestado no forno da colonização. Desde o ensino jesuítico, há segregação na ocupação dos nichos sociais, ou melhor, socioeconômicos.
Independência e liberdade ainda não formam o binômio necessário ao desenvolvimento humano e humanístico da nossa sociedade.
O ato legítimo do voto faz parte da instituição democrática. Porém, não é — e não deveria ser — o único. Há outras formas de gerar democracia, inclusive no que tange à resistência.
Resistência diante da barbárie que advém de mentes e corações. Nem tudo que brilha é ouro. Será que a nossa democracia atual é feita de latão pintado de dourado?
Vivemos em uma democracia com uma Constituição cidadã, promulgada em 1988. Por que o artigo 5º não vem sendo defendido como deveria? Afinal, ele faz parte da Lei Maior. Com um salário mínimo de R$ 1.621, um cidadão brasileiro consegue sobreviver com dignidade?
A Constituição Federal de 1988 — artigo 5º
Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:
A soberania e a consciência cidadã
Mas o que significa ser soberano? A Constituição Federal de 1988 estabelece, em seu artigo 1º, a soberania e a cidadania como fundamentos da República e afirma que todo o poder emana do povo. Entretanto, para que essa soberania se realize plenamente na vida cotidiana, não basta ao cidadão delegar sua vontade a representantes. É preciso que cada indivíduo tenha condições intelectuais de compreender a realidade, reconhecer seus direitos, questionar as estruturas de poder e lutar por aquilo que lhe é assegurado.
O Brasil precisa de um exército de soberanos: cidadãos conscientes, críticos e autônomos, capazes de defender seus direitos sem depender exclusivamente da iniciativa ou da representação de terceiros.





