Política internacional

NYT reconhece que subestimaram o poder iraniano – Parte 1

Imprensa norte-americana cumpre seu papel político como arma do imperialismo, mas tem que reconhecer o poderio do povo iraniano

Black Hawk

Thomas L. Friedman, editorialista de política internacional do The New York Times, teve seu artigo Trump tem uma saída para a guerra publicado na Folha de S. Paulo nesta sexta-feira (3). Um texto que chama a atenção pela arrogância com que os Estados Unidos tratam os outros países, mas que tem sua serventia ao mostrar como a imprensa é uma máquina de propaganda ideológica.

O texto inicia com Friedman afirmando que “se não estava claro antes, agora é inegável. O presidente Donald Trump e o primeiro-ministro Binyamin Netanyahu, de Israel, iniciaram uma guerra com o Irã presumindo que provocariam uma mudança de regime rápida e fácil”.

Friedman diz também que ambos “subestimaram enormemente a capacidade de resistência da liderança do Irã que sobreviveu e sua capacidade militar não apenas de infligir danos a Israel e aos aliados árabes dos Estados Unidos, mas também de bloquear a rota de transporte de petróleo e gás mais importante do mundo”. O que equivale praticamente a uma admissão de derrota. É claro que ninguém deve desdenhar o poderio do imperialismo; porém, até o momento, esse é o quadro: derrota.

O jornalista admite que o fechamento do Estreito de Ormuz “está causando sérios danos à economia global, incluindo o mercado de ações americano, e Trump não faz ideia de como sair da confusão que criou ao iniciar uma guerra sem pensar nas implicações”.

As posições vacilantes de Donald Trump são criticadas, bem como sua atitude de chamar seus aliados para tentarem, eles mesmos, desobstruir o canal, ou então azar, visto que os EUA teriam todo o petróleo de que necessitam.

Polarização

Existe uma falha na análise de Friedman quando diz que isso é o resultado de se colocar “no Salão Oval um homem impulsivo e instável que concorreu à presidência em grande parte para se vingar de seus adversários políticos”. Trump é fruto de enormes contradições dentro da sociedade americana, especialmente da alta burguesia doméstica, que vem perdendo dinheiro para o grande capital financeiro, mas tem algum fôlego para enfrentá-lo.

Após criticar o presidente, ao tratá-lo como um crianção, Friedman aproveita para lançar críticas sobre o secretário de Defesa, Pete Hegseth, “que defende crenças nacionalistas cristãs extremas”, e que teria realizado uma “sessão de oração no Pentágono na qual pediu que as tropas americanas aplicassem ‘violência avassaladora contra aqueles que não merecem misericórdia. Pedimos essas coisas com ousada confiança no poderoso nome de Jesus Cristo’”.

Parece que o secretário quer que se faça no Irã o mesmo que fizeram no Iraque e contra a antiga Iugoslávia.

Arrogância

Após lamentar seu governo, Friedman escreve o seguinte: “se esta não fosse a liderança do meu próprio país — e se o Irã não fosse, de fato, a força mais desestabilizadora do Oriente Médio e sua transformação não fosse um objetivo digno para seu próprio povo e seus vizinhos — eu simplesmente sentaria e assistiria ao espetáculo, saboreando a cena de Trump recebendo o que merece”.

O que o Irã está “desestabilizando” é a ação criminosa do imperialismo na região, onde mantém ditaduras para esmagar as populações, bem como comete todo tipo de atrocidades no Líbano, na Síria e na Faixa de Gaza, onde vem cometendo um genocídio.

Quem deu o direito a Friedman de dizer que a transformação do Irã seria um “objetivo digno para seu próprio povo e seus vizinhos”? Da última vez que os americanos e britânicos “transformaram” o país, foi para retirar do poder um governante eleito democraticamente, Mossadegh, e substituí-lo por um fantoche, um ditador sanguinário: o xá Reza Pahlavi. A esse capacho coube a tarefa de esmagar seu povo para garantir petróleo quase de graça para o “mundo civilizado”. A preocupação do grande capital é que o Irã poderá libertar seus vizinhos, o que trará um grande prejuízo para o grande parasita mundial.

“Mas é o meu país”, lamenta Friedman, que afirma que “o Irã obter armas atômicas é uma ameaça que poderia desencadear a proliferação nuclear por todo o Oriente Médio. E todos nós vamos receber o que Trump merece”, repetindo a velha mentira.

Desde 1992, Netaniahu repete que o Irã está prestes a adquirir uma bomba atômica. Qual seria a dificuldade de construir uma bomba para um país que já conseguiu até lançar seus próprios satélites e é um dos que mais formam engenheiros e cientistas em todo o mundo?

Ter arma nuclear para o Irã é apenas uma questão de decisão, e o aiatolá Khamenei, assassinado covardemente pelos EUA-“Israel”, havia proibido o país de produzir ou utilizar esse tipo de armamento. Ninguém sabe se o novo aiatolá promulgará uma nova fátua permitindo, finalmente, a produção desse tipo de arma.

Quanto à preocupação de Friedman sobre a proliferação de armas atômicas pelo Oriente Médio, qual seria o problema? Se “Israel” pode, por que outros não poderiam possuir esses artefatos? Além disso, qual foi o único país que atirou não uma, mas duas bombas atômicas sobre outro país? E, para piorar, foram atiradas sobre civis.

É a superioridade militar que garante, em última instância, a dominação imperialista. O desespero não diz respeito, como querem que todos creiam, à possibilidade de um país “maligno” possuir bombas nucleares. Diz respeito à perda do poder de dissuasão que esses armamentos proporcionam.

O imperialismo quer tudo, menos a paridade de armas, pois assim não poderá impor sua ditadura sobre os países atrasados.

A Guerra dos Doze Dias mostrou, e a guerra atual comprovou, que a capacidade militar iraniana de infligir pesadíssimos danos aos Estados Unidos, destruindo suas bases, atingindo sua frota e derrubando aviões, além de deter poderio para destruir “Israel”, é primordial para sua sobrevivência, ainda que venha recebendo golpes duros do imperialismo.

Continua…

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