‘Israel’

Novo chefe do Mossad usou adolescente em operação de guerra psicológica

General escolhido por Netaniahu para comandar o serviço secreto de “Israel” esteve ligado a caso envolvendo rapaz de 17 anos em campanha de influência pela Internet

O primeiro-ministro de “Israel”, Benjamin Netaniahu, anunciou no domingo (12) a nomeação do major-general Roman Gofman para a chefia do Mossad, o serviço de espionagem externa do país artificial. O general é responsável por um caso de 2022 em que um adolescente de 17 anos foi utilizado em uma operação de guerra psicológica pela Internet conduzida por uma unidade do Exército de “Israel” subordinada a Gofman.

Atualmente secretário militar de Netaniahu, Gofman substituirá David Barnea, cujo mandato de cinco anos à frente do Mossad termina no fim de junho. Ao anunciar a escolha, Netaniahu apresentou o general como um comandante “ousado e criativo”, capaz de atuar de maneira não convencional. A nomeação, no entanto, foi alvo de questionamentos na própria imprensa israelense, tanto por sua proximidade política com o primeiro-ministro quanto devido a sua atuação no episódio envolvendo o adolescente Ori Elmakayes.

Elmakayes, cidadão judeu de “Israel”, participou quando tinha 17 anos de uma operação de guerra psicológica e influência pela Internet organizada por uma unidade militar sob o comando de Gofman. Mais tarde, ele foi detido sob a acusação de ter vazado material sigiloso, mas acabou libertado sem acusação formal depois que veio a público que os documentos haviam sido entregues a ele por outra unidade do próprio Exército de “Israel”.

A indicação de Gofman havia sido apresentada pela primeira vez em dezembro e passou por um exame prolongado do Comitê Consultivo para Altas Nomeações. Na semana passada, o órgão deu sinal verde para a nomeação por maioria, com três membros votando a favor e o presidente do comitê, o ex-presidente da Suprema Corte Axer Grunis, votando contra.

Grande parte da análise do comitê concentrou-se justamente no caso de Elmakayes. O relatório concluiu que Gofman não sabia a idade do rapaz no momento da operação e também não tinha conhecimento de sua prisão até que o caso se tornasse público. Grunis contestou essa conclusão e afirmou que, mesmo que ela fosse aceita, o episódio revelava falhas graves de comando.

Elmakayes também atacou o parecer do comitê. Em publicação na rede X, afirmou que as conclusões eram “ridículas” e declarou que uma testemunha importante não foi ouvida. Segundo ele, “quem abandonou um rapaz de 17 anos abandonará agentes do Mossad também”.

O próprio comitê reconheceu que parte dos documentos relativos ao caso apareceu com trechos fortemente tarjados. Grunis acrescentou que sua divergência completa não pôde ser divulgada por restrições de segurança, tendo sido incluídas no relatório apenas observações resumidas.

Nascido na Bielorrússia, Gofman imigrou com a família para “Israel” aos 14 anos e fez carreira no corpo blindado do Exército israelense. Sua ascensão ao comando do Mossad ocorre em meio à continuidade das operações clandestinas do Estado sionista na região. Em março, o New York Times informou que Barnea apresentou a autoridades norte-americanas e israelenses planos para estimular uma revolta interna no Irã em paralelo à campanha de bombardeios conduzida pelos dois países. Segundo o jornal, a operação não alcançou o resultado pretendido.

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