A nova rodada de pesquisas eleitorais divulgada nos últimos dias mostra um quadro cada vez mais crítico para o governo Lula. O dado mais chamativo é o levantamento do Datafolha, publicado neste sábado (11), segundo o qual o presidente empata, dentro da margem de erro, com Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado e Romeu Zema em simulações de segundo turno. O resultado mais grave para o governo é o confronto com Flávio: o senador do PL aparece com 46% das intenções de voto, contra 45% de Lula.
A pesquisa do Datafolha ouviu 2.004 eleitores em 137 cidades, entre os dias 7 e 9 de abril, com margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos. No cenário de segundo turno contra Caiado, Lula aparece com 45%, contra 42% do ex-governador de Goiás. Contra Zema, o presidente repete os 45%, enquanto o ex-governador de Minas Gerais marca 42%.
O retrato é de desgaste. O governo entra na corrida eleitoral sem mostrar força para abrir distância relevante sobre nenhum dos principais nomes da direita.
O caso de Flávio Bolsonaro é o mais expressivo. Jair Bolsonaro, que foi o nome central do bolsonarismo por quase uma década, nem sequer está no cenário testado. Ainda assim, Lula aparece travado diante de seu filho. Isso mostra que a dificuldade do governo é profunda. Para um presidente da República em busca de reeleição, trata-se de um sinal inequívoco de fragilidade.
No primeiro turno, os números apontam na mesma direção. Lula aparece com 39% das intenções de voto, exatamente o mesmo índice da pesquisa anterior. Já Flávio Bolsonaro sobe de 33% para 35%. Embora a oscilação ainda esteja no limite da margem de erro, a tendência captada é clara: o governo está parado, enquanto o principal nome da direita cresce. Na pesquisa espontânea, o quadro é semelhante. Lula foi de 25% para 26%, ao passo que Flávio saltou de 12% para 16%. A diferença, que já foi mais confortável para o presidente, diminui rapidamente.
Outro dado importante é que, excluídos brancos, nulos e indecisos, o Datafolha aponta Lula com 45% dos votos válidos, contra 55% somados de seus adversários. A rejeição também pesa contra Lula. Segundo o Datafolha, 48% dizem não votar no atual presidente de jeito nenhum. Flávio Bolsonaro tem rejeição de 46%. Os dois aparecem praticamente empatados também nesse critério. Isso demonstra que Lula chega ao período pré-eleitoral com um teto alto de rejeição e com pouca margem para expansão. Já Caiado e Zema, embora ainda pouco conhecidos nacionalmente, apresentam rejeições bem menores: 16% e 17%, respectivamente. O desconhecimento é alto, mas isso também significa que ainda há espaço para crescimento desses nomes conforme a campanha avance.
O levantamento mostra ainda que Lula mantém força entre os mais pobres, os menos escolarizados e, sobretudo, no Nordeste, onde marca 55%. Flávio Bolsonaro, por sua vez, apresenta larga vantagem entre os evangélicos, com 49% contra 25% do petista, e obtém desempenho melhor entre os estratos de renda mais alta. Essa configuração não é nova, mas ganha outro significado quando o presidente deixa de crescer e o adversário começa a encostar. Numa disputa polarizada, qualquer estagnação de um lado favorece o outro.
Além do Datafolha, outras pesquisas divulgadas nesta semana reforçam o mesmo movimento. O Instituto Veritá apontou Flávio Bolsonaro com 35,9% no primeiro turno, contra 33,2% de Lula. Já a Futura/Apex, em levantamento no Rio Grande do Sul, mostrou Flávio com 50,1% e Lula com 39,3% num cenário de segundo turno. São institutos diferentes, com metodologias diferentes, e seus resultados precisam ser lidos com cautela. Mas o fato de todos apontarem dificuldades para o governo dá consistência à avaliação de que o governo entra em uma fase de maior vulnerabilidade.
O bolsonarismo sequer iniciou para valer sua campanha nacional. A máquina que impulsionou Jair Bolsonaro em 2018 e manteve sua influência nos anos seguintes ainda não foi acionada em toda a sua capacidade. Mesmo antes desse movimento mais intenso, o campo bolsonarista já consegue colocar Lula em situação de empate ou desvantagem. Isso torna o cenário ainda mais preocupante para o governo.
Também não há sinais de que a situação tenda a melhorar espontaneamente. Ao contrário. O desgaste do governo tende a aumentar à medida que a população sinta com mais força o aumento dos preços. A guerra eleva custos, pressiona alimentos, combustíveis e outros itens básicos. Em um país marcado por salários baixos e alto endividamento, esse tipo de pressão costuma ter efeito direto sobre a avaliação do governo.
A isso se somam os escândalos políticos e financeiros que cercam o regime. Os casos do Banco Master e do INSS ampliam a sensação de deterioração geral e alimentam a crise de credibilidade do governo e de suas instituições de sustentação. Mesmo quando o governo não aparece como responsável direto por cada episódio, o desgaste recai sobre ele, que é visto como parte de um regime cada vez mais desacreditado.





