Neste sábado (30), durante a Análise Política da Semana, da Causa Operária TV (COTV), Rui Costa Pimenta, pré-candidato à Presidência da República e presidente nacional do Partido da Causa Operária (PCO), detalhou os processos movidos contra o partido em razão de sua defesa da Palestina e de sua denúncia contra o sionismo.
O comentário foi feito após a repercussão do indiciamento de Pimenta e de Henrique Áreas, secretário nacional do Partido, em um dos processos movidos contra o PCO.
“Todo mundo viu na imprensa que nós fomos indiciados, eu e o companheiro Henrique Áreas, em um dos processos. Isso teve uma repercussão, mas o que é importante mostrar é que esse indiciamento é apenas a ponta do iceberg”, afirmou.
Segundo levantamento do setor jurídico do partido, o PCO enfrenta atualmente 12 processos ativos, além de outros quatro já arquivados. Pimenta afirmou que a ofensiva tem como centro a tentativa de intimidar o Partido por sua posição em defesa do povo palestino.
“O nosso partido se destaca como objeto de perseguição do sionismo. E nós temos que acrescentar aqui também o Judiciário e o Ministério Público, porque o Ministério Público brasileiro, aparentemente, aceita qualquer coisa, por mais absurda que você possa imaginar”, declarou.
Em uma frente, a Confederação Israelita do Brasil, a Conib, atua como representante política do sionismo no País, tentando apresentar qualquer denúncia contra o Estado de “Israel” como antissemitismo. Em outra, setores da direita, do Ministério Público, do Judiciário e da imprensa capitalista dão forma jurídica a essa campanha.
Um dos processos citados por Pimenta está na Justiça Eleitoral do Distrito Federal e surgiu a partir de uma matéria publicada no portal Metrópoles. Segundo o dirigente, o Ministério Público afirma que o PCO teria usado recursos do Fundo Eleitoral para financiar militantes que defendem o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas).
Pimenta destacou que a acusação se apoia no fato de uma empresa contratada pelo partido ter como titular uma pessoa que apoiaria o partido palestino. Para ele, a tese é absurda.
“Segundo o Ministério Público (não há limite para o ridículo), nós teríamos que pedir uma certidão, um certificado de antecedentes ideológicos dos donos das empresas que nós contratamos na campanha eleitoral. Quer dizer, não basta você prestar o serviço e pagar. Você tem que ir ao dono da empresa e fazer um questionário com ele e ver qual é a posição política dele”, afirmou.
O presidente nacional do PCO acrescentou que, mesmo se a pessoa contratada apoiasse o Hamas, não haveria crime.
“Ninguém está proibido no Brasil de apoiar o Hamas. Não é proibido. Então, por que a investigação? E daí que a pessoa da qual nós contratamos o serviço apoia o Hamas? Qual é o crime? Qual é o problema? Isso sem falar no fato de que o PCO, enquanto partido, apoia o Hamas”, disse.
Outro processo citado envolve a Conib e tramita no Foro Central Criminal da Barra Funda, em São Paulo. A ação mira Rui Costa Pimenta, Henrique Áreas e o dirigente estadual Francisco Weiss por declarações políticas em defesa da resistência palestina, por fala em atividade no centro cultural Al Janiah e até pela atuação da bateria Zumbi dos Palmares, acusada de entoar cânticos favoráveis ao Hamas, ao Hesbolá e ao Talibã.
A Conib também apontou como prova contra o partido a circulação de jornais com a manchete “Pelo fim do Estado de Israel”. Pimenta questionou a acusação. “Por que uma manchete seria antissemita? Ninguém sabe”, afirmou. Para o dirigente, a acusação de incitação ao terrorismo procura transformar em crime a posição política do partido contra o sionismo.
A ofensiva chegou também à Câmara dos Deputados. Em Taubaté, a perseguição atingiu Ahmed Shehada, presidente do Instituto Brasil-Palestina (Ibraspal), depois de uma denúncia da Conib sobre uma fala em evento oficial. “Nem na Câmara dos Deputados você pode falar livremente”, comentou Pimenta, ao citar o processo.
Outro inquérito foi aberto a partir de uma atividade realizada na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), em 7 de outubro de 2025, sobre os dois anos da Operação Dilúvio de Al-Aqsa. A ação, assinada pela Conib, pelo deputado estadual Danilo Campetti, do Republicanos, e por Luiz Augusto Modolo de Paula, mira Rui Costa Pimenta, Ahmed Shehada, os dirigentes nacionais João Jorge Pimenta e Antonio Carlos Silva, do PCO, os militantes Charles Gentil e Breno Altman, do Partido dos Trabalhadores (PT), e o ativista André Constantine, do Movimento Revolucionário Carlos Marighella. A acusação, novamente, é baseada na Lei do Racismo.
Há ainda um processo sigiloso na Justiça Federal contra Rui Costa Pimenta, João Jorge Pimenta e o militante Camilo Duarte, do PCO, motivado por textos, análises políticas e falas públicas em defesa da Palestina. A acusação combina a Lei Antiterrorismo e a Lei do Racismo. Pimenta destacou o caráter grave do sigilo. “O processo corre sob sigilo. Sigilo para nós; os outros sabem muito bem o que está acontecendo nesse processo”, afirmou.
O caso que resultou no indiciamento de Rui Costa Pimenta e Henrique Áreas tramita na 10ª Vara Criminal Federal de São Paulo. A Conib acusa Pimenta de incentivar a destruição do chamado “Estado judeu” e de apoiar uma organização apontada como terrorista pelo imperialismo. A acusação contra Henrique Áreas refere-se à publicação, em suas redes sociais, de uma música da banda punk Garotos Podres.
A campanha de censura também chegou ao pedido de remoção total do PCO da Internet. Em ação movida pela Conib e pela chamada Frente Ampla Democrática pelos Direitos Humanos, o Ministério Público encampou a tese de que o PCO e seus dirigentes promovem conteúdo antissemita por denunciarem “Israel”, apoiarem a resistência palestina e defenderem o fim do Estado sionista.
“O Ministério Público pede a remoção imediata do canal do PCO no YouTube, dos perfis do partido no X, dos perfis no Instagram, do sítio do Diário Causa Operária e do sítio oficial do PCO. Quer dizer, o Ministério Público quer tirar o PCO da Internet totalmente”, denunciou Pimenta.
A ação pede ainda condenação por “dano moral coletivo” e “dano social” no valor de R$240 mil. Segundo o material citado no programa, o cálculo foi feito com base em uma estimativa de 120 mil judeus no Brasil, com valor inicial de R$1 mil por integrante da comunidade judaica, depois multiplicado em razão da suposta gravidade.
É uma censura abertamente política. Não se busca punir uma declaração específica, mas retirar da vida pública digital um partido político, seu jornal e seus canais de comunicação.
Pimenta também citou o Inquérito das “Fake News”, conduzido pelo Supremo Tribunal Federal. O PCO foi incluído de ofício após matéria da Revista Oeste mencionar publicações em que o Partido criticava o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e Alexandre de Moraes, então presidente da Corte. As contas do Partido chegaram a ser bloqueadas, depois foram liberadas, mas o inquérito continua.
O dirigente também mencionou processos já arquivados. Entre eles, uma ação movida pelo ex-senador e ex-procurador Deltan Dallagnol contra Francisco Weiss por apoio ao povo palestino e ao Hamas; uma denúncia da ex-deputada Carla Zambelli contra Henrique Áreas, Rangel Alves Carvalho e militantes do Grupo Operário Internacionalista por panfletagem pró-Palestina no Al Janiah; uma ação do deputado Paulo Bilynskyj contra o militante Ieri de Souza Braga Júnior, do PCO, por circular na Câmara dos Deputados com uma camiseta do Hamas; e uma ação de Carla Zambelli e outros deputados de direita contra João Jorge Pimenta por uma fala pública em defesa da resistência palestina.
No Tribunal Superior Eleitoral, três processos pediram o cancelamento do registro do PCO por sua posição em relação ao Hamas. Foram movidas ou estimuladas por figuras da direita, como Marcos Pontes e Guto Zacarias, além de denúncia anônima. Todas foram extintas.
Pimenta afirmou que esse conjunto de ações forma uma verdadeira indústria da perseguição judicial. O objetivo, segundo ele, é impedir que o partido continue denunciando “Israel” e o sionismo.
“Essa indústria do processo que a Conib usa — os que mais usam isso são justamente os sionistas — é um mecanismo para tentar atolar as pessoas que fazem críticas para que elas não possam fazer críticas. Depois, vêm os pedidos de indenização por coisas que você falou, por opiniões políticas que você mencionou. O pedido de indenização também visa dificultar ainda mais que se possa fazer críticas”, disse.
Segundo o presidente do PCO, a perseguição não atinge declarações abstratas de solidariedade à Palestina. Ela aparece quando a denúncia aponta os responsáveis pelo massacre.
“Ninguém vai processar ninguém que fala: ‘Nossa, veja a situação dos palestinos, coitados, estão morrendo’. Mas se você for além, se você começar a denunciar os crimes, falar que matar 80 mil pessoas através de bombardeios, pessoas desarmadas, pessoas indefesas, destruir a residência dessas pessoas, procurar matar esse povo de fome, se você falar que tudo isso é fascismo, pode esperar o processo”, afirmou.
O indiciamento de Rui Costa Pimenta e Henrique Áreas, portanto, aparece como parte de uma ofensiva muito maior contra o PCO, contra o Diário Causa Operária e contra a campanha em defesa da Palestina. A tentativa de transformar a atividade política do partido em caso de polícia revela o alcance da campanha movida pela Conib, pela direita e por setores do aparato judicial.
Diante dos processos, Pimenta indicou que o partido não recuará. O PCO seguirá denunciando o Estado de “Israel”, defendendo a resistência palestina e combatendo a tentativa de transformar a Justiça em instrumento de perseguição política.





