Cisjordânia

Mulheres palestinas se formam, mas não existe emprego para elas

Quase 40% dos jovens palestinos da Cisjordânia ocupada com diploma ou formação equivalente estão desempregados

Estudantes palestinas apresentaram seus projetos de conclusão de curso na Universidade de Belém, na Cisjordânia ocupada, na quinta-feira (28). A formatura ocorreu em meio ao desemprego, ao atraso no pagamento de salários públicos e ao bloqueio imposto por “Israel” ao trabalho de palestinos da Cisjordânia em áreas controladas pelo país artificial.

Siwar Abu Kamal, de 21 anos, estudante de administração, disse que entrou na universidade com a expectativa de se formar, conseguir emprego e ter uma vida estável. No último ano do curso, a perspectiva mudou. A conclusão da graduação passou a vir acompanhada da incerteza sobre trabalho e salário.

Quase 40% dos jovens palestinos da Cisjordânia ocupada com diploma ou formação equivalente estão desempregados. O desemprego geral mais que dobrou desde outubro de 2023. Chegou a 35,2% no começo de 2024 e estava em 27,5% no fim de 2025.

Após o início da guerra genocida contra Gaza, “Israel” congelou por tempo indeterminado 115 mil permissões de trabalho de palestinos da Cisjordânia que atuavam no território controlado pelo país artificial. Pouquíssimas autorizações foram renovadas. A medida retirou uma fonte de renda de milhares de famílias e aumentou a disputa por emprego dentro da economia palestina.

Salsabyl Salama, de 25 anos, formou-se em fisioterapia em 2023, após cinco anos de estudo e treinamento. A única vaga que conseguiu na área foi temporária, por quatro meses, em um programa da Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina no Oriente Próximo (UNRWA, na sigla em inglês), em um campo de refugiados de Belém. Depois disso, passou a trabalhar como caixa de supermercado.

A disputa por vagas é grande. Quando um hospital anuncia duas posições, dezenas de graduados concorrem. Muitos empregadores exigem experiência anterior, o que dificulta a entrada de recém-formados no primeiro emprego.

O setor público também deixou de ser uma alternativa segura. A Autoridade Palestina, controlada pelo sionismo, enfrenta dificuldades para pagar salários desde 2021, depois que “Israel” passou a reter receitas palestinas. Em meados de 2025, servidores acumulavam bilhões de dólares em pagamentos atrasados.

Com poucas vagas locais, parte dos profissionais qualificados deixa a Palestina. Na região de Belém, cerca de 1.080 pessoas com mestrado ou formação superior equivalente emigraram nos últimos três anos. Médicos, enfermeiros, arquitetos e professores aparecem em ocupações fora de suas áreas ou procuram trabalho no exterior.

Antes mesmo da guerra, muitos profissionais palestinos aceitavam trabalhos manuais em áreas controladas por “Israel” porque recebiam mais do que em vagas qualificadas na economia palestina. Com o bloqueio das permissões de trabalho, essa saída também foi fechada para a maior parte dos trabalhadores da Cisjordânia ocupada.

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