Irã

Mulheres e homens do Irã recebem treinamento militar com fuzis

A atividade gratuita ensinou manuseio, carregamento, mira, montagem e segurança com armas, enquanto as mobilizações iranianas completavam mais de 80 noites consecutivas

Mulheres e homens do Irã receberam treinamento com fuzis em uma praça no centro de Teerã, no domingo (24), durante atos noturnos de apoio ao país. A atividade gratuita ensinou manuseio, carregamento, mira, montagem e segurança com armas, enquanto as mobilizações iranianas completavam mais de 80 noites consecutivas. O treinamento mostra uma ampliação do caráter popular dos atos, que deixaram de ser apenas manifestações de rua e passaram a incluir preparação prática para defesa nacional.

As aulas foram montadas em um estande instalado em uma praça de Teerã, fora de uma base militar. Mulheres que participavam dos atos noturnos puderam aprender a portar, carregar e mirar os fuzis, além de receber um certificado ao fim do curso. Em outra área da mesma praça, homens passaram pelos mesmos exercícios. A presença conjunta de mulheres e homens deu à atividade um aspecto de mobilização civil, voltado a preparar pessoas comuns para situações de guerra.

Conforme o relato exibido pela emissora estatal iraniana, os fuzis usados no treinamento eram reais e estavam carregados. A informação reforça que a iniciativa não foi apresentada como mera demonstração simbólica, mas como instrução direta sobre o uso de armas. Participantes ouvidos no local afirmaram que a motivação era defender a pátria diante das ameaças estrangeiras e mostrar unidade em torno da República Islâmica. Um dos homens disse que já havia servido às Forças Armadas, mas decidiu rever o treinamento por interesse em participar da mobilização ao lado de pessoas de diferentes setores sociais.

Após as instruções, os participantes se juntaram ao restante da multidão. As palavras de ordem, as bandeiras e os discursos voltaram ao centro da praça. Entre as falas registradas, manifestantes afirmaram que pretendem permanecer nas ruas até a derrota dos inimigos e prometeram defender a República Islâmica até o fim. Uma mulher declarou que a bandeira iraniana é símbolo da independência nacional e dirigiu recado ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e ao primeiro-ministro de “Israel”, Benjamin Netanyahu.

A Press TV apresentou os atos como demonstração de resistência prolongada. Segundo a reportagem, os iranianos vêm às ruas noite após noite para enviar uma mensagem de disposição de combate e de apoio ao Estado e às Forças Armadas. A incorporação do treinamento com fuzis aos atos reforça a intenção de transformar a mobilização política em preparação material para a defesa do país, em um ambiente de forte tensão militar na região.

O fato de a atividade ocorrer no centro de Teerã, em praça pública, também tem peso político. Ao colocar fuzis nas mãos de civis, inclusive mulheres, os organizadores buscaram apresentar a defesa nacional como tarefa popular, não restrita aos quartéis. A imagem de participantes comuns aprendendo a manusear armas foi usada para transmitir a ideia de que uma agressão externa encontraria resistência organizada e ampla dentro do país.

A presença feminina, em particular, aparece como elemento central da matéria. As mulheres não foram mostradas apenas como apoiadoras dos atos, mas como participantes de uma instrução militar prática. Isso contradiz a imagem frequentemente difundida por governos imperialistas de que a sociedade iraniana estaria paralisada ou afastada da defesa do país. Pelo contrário, a reportagem mostrou mulheres e homens participando lado a lado da preparação, em um momento descrito pelos manifestantes como decisivo para a soberania iraniana.

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