A greve dos técnico-administrativos em educação (TAEs) ultrapassou 100 dias, tornando-se uma das maiores mobilizações da categoria. Com mais de 200 mil servidores em todo o País, os TAEs são responsáveis pelo funcionamento diário das universidades federais, da manutenção ao apoio à pesquisa, passando por bibliotecas, laboratórios e assistência estudantil.
O movimento, que atingiu mais de 30 instituições, como UFERSA, UFRGS, UFV e UFAL, denuncia o descumprimento do acordo firmado com o governo federal em 2024. Trata-se de uma traição ao que foi pactuado entre o governo e os trabalhadores.
Enquanto os TAEs permanecem em greve, acumulando perdas financeiras e desgaste, o governo demonstra agilidade para atender ao setor financeiro. O socorro bilionário ao Banco de Brasília (BRB), de R$6,6 bilhões, com possibilidade de chegar a R$23 bilhões em 15 anos, tramita em ritmo acelerado no STF. Paralelamente, o orçamento das universidades sofreu cortes de R$488 milhões em 2026, com bloqueios que comprometem o pagamento de terceirizados, a manutenção dos campi e a assistência estudantil.
A escolha política é clara: salvar bancos em detrimento da educação pública. A austeridade fiscal, que limita o orçamento público e favorece o rentismo, é a mesma que inviabiliza o cumprimento de acordos com servidores.
A greve dos TAEs não é apenas uma luta da categoria. É parte de um movimento maior que deve unir servidores, estudantes e terceirizados. A defesa da educação pública exige a organização de comitês de todos os setores da universidade que enfrentam os cortes, denunciem e combatam o socorro aos bancos e a política de arrocho.
Cada dia de greve, cada ato e cada assembleia devem servir para organizar uma luta contra o atual sistema e em defesa da gestão democrática da universidade e da sociedade, para que o trabalho e o conhecimento estejam a serviço do povo.





