Um vazamento em uma adutora interrompeu o abastecimento de água em vários bairros de Santa Rita, na Região Metropolitana de João Pessoa, na segunda-feira (25). A falha atingiu as regiões de Tibiri, Marcos Moura e Heitel Santiago, deixando moradores sem água nas torneiras e sem prazo de normalização informado pela empresa Águas do Nordeste (ANE). O problema expõe a fragilidade do serviço e a ausência de resposta concreta à população afetada.
A ANE informou que o vazamento foi localizado em uma adutora de água tratada responsável por abastecer as áreas atingidas. A empresa afirmou que equipes trabalhavam no local, mas não apresentou prazo para retomada do abastecimento.
A companhia ainda alegou que a área da adutora é de difícil acesso, em região alagada pelo Rio Tibiri e com vegetação intensa, o que dificultaria a manutenção e a localização exata do rompimento. Esse tipo de justificativa não pode ser tratado como resposta suficiente. Se a empresa é responsável pelo abastecimento, deve conhecer previamente os riscos da rede, manter plano de emergência e garantir meios de acesso a estruturas essenciais. A existência de área alagada e vegetação não deveria surpreender a prestadora de serviço depois que o rompimento já deixou bairros inteiros sem água.
A falta de abastecimento atinge diretamente a vida cotidiana. Sem água, famílias precisam adiar limpeza, improvisar armazenamento ou comprar galões. Pequenos comércios e serviços também sofrem. Em bairros populares, onde muitos moradores não têm caixas d’água grandes, nem renda para comprar água mineral, uma interrupção sem previsão pesa muito mais. A empresa informa manutenção, mas não apresenta solução imediata para quem ficou sem o serviço.
A prefeitura também não pode aparecer como ausente diante de uma crise dessa natureza. Mesmo quando a operação é de uma companhia concessionária, o poder público municipal tem responsabilidade de fiscalizar, cobrar plano emergencial, informar a população e organizar medidas de apoio. Também é papel da prefeitura reestatizar o serviço diante das falhas recorrentes da concessionária. A ausência de uma resposta pública reforça a negligência.
O vazamento, por si só, já demonstra erro grave. Redes de abastecimento exigem manutenção constante, monitoramento e capacidade de reação rápida. Quando uma adutora rompe e deixa vários bairros sem água, o discurso técnico não resolve a situação. O serviço essencial deve funcionar antes da crise, não apenas mobilizar equipes depois que a população sofre as consequências. A falta de previsão de normalização torna o problema ainda mais grave, porque impede os moradores de se planejarem minimamente.


