O canal Operação Barbarussa publicou um mini documentário dedicado à trajetória política de Rui Costa Pimenta, presidente nacional do Partido da Causa Operária (PCO) e candidato à Presidência da República nas eleições de 2026. O vídeo integra uma série destinada a apresentar os candidatos ao Palácio do Planalto e faz um amplo levantamento da vida política, das campanhas eleitorais e das principais posições defendidas por Pimenta.
Ao contrário do tratamento normalmente dispensado ao PCO pela imprensa capitalista, que procura esconder o Partido ou reduzi-lo a caricaturas, o vídeo apresenta de maneira relativamente extensa diversas posições políticas de Pimenta, permitindo que o público tenha contato com propostas que dificilmente aparecem nos grandes meios de comunicação.
O documentário começa recuperando as origens políticas da família de Pimenta. Seu avô, João da Costa Pimenta, foi um importante militante do movimento operário brasileiro, participou da fundação do Partido Comunista Brasileiro, em 1922, e posteriormente integrou a formação da oposição trotskista no País.
A trajetória do atual presidente do PCO é apresentada a partir de sua participação no movimento estudantil durante a ditadura militar. Pimenta ingressou na Faculdade de Letras da Universidade de São Paulo (USP), onde dirigiu o Centro Acadêmico de Estudos Literários e Linguísticos, e participou do processo de reorganização da União Nacional dos Estudantes (UNE).
O vídeo também destaca sua participação na fundação do Partido dos Trabalhadores (PT), em 1980. Pimenta fazia parte da tendência Causa Operária, que desenvolveu uma política de oposição à burocracia do PT durante toda a década seguinte.
As divergências levaram à expulsão dos militantes da Causa Operária do PT no início da década de 1990. Em 1995, Pimenta participou da fundação do Partido da Causa Operária, tornando-se seu presidente nacional. Desde então, tornou-se uma das principais figuras da esquerda brasileira.
https://www.youtube.com/watch?v=d474NS7wQHw
Eleições como instrumento de luta política
Uma parte importante do mini documentário é dedicada à participação de Pimenta nas eleições. O vídeo recupera suas candidaturas anteriores e destaca um elemento central da política eleitoral do PCO: a eleição não é considerada um fim em si mesma, mas uma oportunidade de levar um programa revolucionário a milhões de trabalhadores.
Essa concepção diferencia profundamente o PCO dos partidos da esquerda parlamentar, que adaptaram seus programas às exigências do regime político para conquistar cargos no Estado.
O vídeo ressalta que Pimenta não apresenta a candidatura presidencial simplesmente como uma tentativa de obter votos, mas como meio de colocar em discussão questões fundamentais para o País e fortalecer a construção de um partido revolucionário da classe operária.
A candidatura de 2026 retoma essa orientação. Depois de não disputar a Presidência em 2018 e 2022, Pimenta volta às eleições presidenciais defendendo um programa de ruptura com os interesses dos grandes capitalistas e do imperialismo, o programa do PCO.
Estatização e combate ao capital financeiro
Entre os aspectos que recebem maior atenção estão as propostas econômicas do PCO. O documentário destaca a defesa da reestatização das empresas privatizadas e do controle estatal dos setores estratégicos da economia.
Também é apresentada a posição de Pimenta contra o pagamento dos juros da dívida pública, mecanismo utilizado pelos grandes bancos para retirar centenas de bilhões de reais todos os anos dos cofres públicos.
O vídeo recupera ainda uma comparação feita pelo candidato entre Brasil e China. Em meados da década de 1990, as duas economias possuíam dimensões semelhantes. Desde então, enquanto a economia chinesa avançou enormemente, o Brasil permaneceu submetido à política de privatizações, desindustrialização e domínio do capital financeiro.
Para Pimenta, esse processo demonstra o caráter destrutivo da política econômica imposta ao País desde o governo Fernando Henrique Cardoso e mantida, em seus aspectos fundamentais, pelos governos seguintes.
Outro ponto apresentado é a oposição ao chamado ajuste fiscal. Pimenta critica a política de equilibrar as contas públicas às custas dos salários, dos serviços públicos e das condições de vida da população enquanto os banqueiros continuam recebendo enormes recursos por meio da dívida pública.
Fim do vestibular e direitos dos trabalhadores
O mini documentário também dedica espaço à proposta do livre acesso às universidades públicas.
Pimenta defende o fim do vestibular e dos demais mecanismos destinados a restringir artificialmente o número de estudantes no ensino superior. A proposta parte da defesa de que todo jovem que conclua o ensino médio deve ter direito a ingressar na universidade.
No terreno trabalhista, são mencionadas a luta contra a terceirização, a recuperação dos direitos retirados dos trabalhadores e a necessidade de uma política de aumento dos salários.
São propostas que colocam a candidatura do PCO em oposição direta à política aplicada pelos governos burgueses, baseada na redução dos direitos trabalhistas e na transferência crescente da riqueza nacional para bancos e grandes empresas.
Contra a censura e a repressão
Outro tema destacado pelo canal é a defesa das liberdades democráticas.
O mini documentário apresenta as críticas de Pimenta à atuação do Supremo Tribunal Federal (STF) e à repressão política desencadeada sob o pretexto dos acontecimentos de 8 de Janeiro.
Pimenta rejeita a tese segundo a qual a invasão de prédios públicos, por si só, constituiria uma tentativa de golpe de Estado. Essa posição faz parte da denúncia mais ampla do PCO contra a utilização do Judiciário para restringir direitos democráticos e perseguir adversários políticos.
A mesma posição aparece no debate sobre as redes sociais. O candidato denuncia a chamada “regulação das mídias” como uma política de censura, particularmente quando o controle reivindicado não se dirige aos grandes monopólios da comunicação, mas aos usuários e às opiniões publicadas pela população.
O canal cita ainda a perseguição judicial contra dirigentes do PCO em razão da defesa da Palestina, mostrando que a questão das liberdades democráticas possui consequências práticas para o próprio Partido.
Palestina, Rússia e luta contra o imperialismo
O programa internacional defendido pelo PCO também aparece com destaque.
Pimenta manifesta apoio à resistência palestina, ao Irã, à Venezuela e à luta da Rússia contra a OTAN. Essas posições, particularmente a defesa incondicional do povo palestino contra o sionismo, colocaram o Partido no centro de sucessivas campanhas de perseguição política.
O documentário menciona o processo movido a partir de uma representação da Confederação Israelita do Brasil (Conib), utilizado para atacar dirigentes do Partido por suas manifestações contra “Israel” e em defesa da resistência palestina.
Ao abordar o tema, o vídeo acaba colocando diante de seu público uma das diferenças mais importantes entre o PCO e grande parte da esquerda brasileira: enquanto setores inteiros da esquerda pequeno-burguesa se adaptaram à política externa do imperialismo, o Partido mantém a defesa dos povos que lutam contra a dominação imperialista.
Uma candidatura distinta da esquerda institucional
Ao longo do perfil, o próprio caráter singular da candidatura de Rui Costa Pimenta torna-se evidente.
O presidente do PCO aparece como crítico tanto da direita tradicional quanto da política conciliadora da esquerda parlamentar. Embora o Partido tenha apoiado Lula contra Bolsonaro nas eleições anteriores, Pimenta mantém uma crítica sistemática à política do PT e à sua adaptação aos grandes capitalistas.
O mini documentário procura apresentar essa posição como uma das características fundamentais de sua trajetória política.
Mesmo utilizando em alguns momentos formulações típicas da imprensa burguesa para caracterizar determinadas propostas do Partido, o trabalho do canal possui o mérito de apresentar ao público temas sistematicamente excluídos do debate eleitoral.
A publicação do vídeo ocorre justamente no momento em que o PCO entra na campanha de 2026 com Rui Costa Pimenta novamente como seu candidato presidencial. O Partido aprovou sua candidatura depois de mais de uma década sem apresentar candidatura própria à Presidência e prepara uma campanha baseada na defesa de um programa independente da classe operária.
A presença de um perfil tão amplo em uma série dedicada aos presidenciáveis mostra também que, apesar do bloqueio imposto pela imprensa capitalista, as posições do PCO e de seu candidato encontram um espaço crescente no debate político nacional.





