Brasil

Mascarar a realidade não fará Lula vencer as eleições

Articulista continua com sua mania de imaginar um ambiente eleitoral que não condiz com a realidade

lula e alckmin (1)

O artigo Por que a próxima eleição do Lula é mais fácil que a anterior?, de Emir Sader, publicado no Brasil247 nesta segunda-feira (30) segue o caminho dos anteriores: a recusa de olhar a realidade.

Tanto otimismo contraria até o senso comum do brasileiro, que evita a postura do “já ganhou”. Para além da superstição, quem acha que venceu antes do final de uma disputa acaba cometendo erros primários e pode amargar uma derrota.

Sader pondera que “Na eleição anterior, o Lula havia saído da prisão enquanto enfrentava o Bolsonaro, que havia sido eleito presidente do Brasil na eleição anterior” e que por conta disso “Lula não podia contar com a imagem dos seus governos, que tinham ficado mais longe no tempo, longe da memória das pessoas, ainda mais sob o efeito do trabalho da grande mídia de criminalizá-lo, de destacar esse lado da imagem do Lula e não a do governante de sucesso”.

No entanto, Sader se esquece que Lula tinha chance de vencer até mesmo quando estava aprisionado ilegalmente. E deveria ter concorrido, mas o STF passou por cima da Constituição e o impediu de competir.

Não “era um enfrentamento mais difícil do que o da próxima eleição”, pois Lula, ao contrário do que muitos acreditam, acabou sendo visto (o que é verdade) como perseguido pelo sistema. Vimos o mesmo fenômeno nos EUA com Donald Trump, que recebia mais apoio conforme aumentavam contra ele os processos.

Também não é verdade afirmar que nesta eleição “Lula conta com o sucesso do seu governo, com todos os índices positivos do seu governo, com os efeitos reais da distribuição de renda promovida pelo seu governo, pelo pleno emprego e por outros efeitos do seu governo”.

Pleno emprego é uma ilusão, milhões de brasileiros estão dependendo o Bolsa Família. Outro tanto simplesmente desistiu de procurar empregos. Se o governo Lula estivesse sendo um sucesso, seus números nas pesquisas estariam muito melhores. De qual distribuição de renda Sader está falando? Talvez da Petrobrás, que entrega montanhas de dinheiro de lucro para os acionistas, ou dos 15% de juros que transferem a renda da União e das famílias para os parasitas dos bancos.

Bolsonaro

Emir Sader diz que, “enquanto isso, o Bolsonaro está preso, condenado por tentativa clara de golpe de Estado. Seu filho, designado por ele como seu candidato, não tem o que apresentar, nem de si mesmo nem de seu pai. A que herança ele pode apelar?”. Mas se esquece que a prisão coloca Bolsonaro, como aconteceu com Lula, um perseguido pelo sistema aos olhos do eleitorado.

Também se engana ao acreditar que Flávio Bolsonaro não herdaria os votos de seu pai. Sader deve estar fazendo uma comparação com Fernando Haddad, que não herdou praticamente nada de Lula nas eleições contra Jair Bolsonaro.

Iludido, Sader afirma que “basta ver a última manifestação dos bolsonaristas na Avenida Paulista. Não havia nenhuma proposta sobre o que fazer com o Brasil, apenas o Fora Lula, sem nem mesmo argumentos que se contrapusessem ao país resultado do governo Lula”. E quantas pessoas estiveram lá? Quem mobiliza mais sua base, o petismo, ou o bolsonarismo?

Deboche

O articulista insiste na história de que Flávio Bolsonaro “desmaiou e sujou as calças em debate com a Jandira Feghali”, e isso não faz diferença para eleitor, mas acusa que o debate político anda bem rebaixado.

Outro ponto que Sader insiste é que Flávio Bolsonaro não vai ter coragem de ir a um debate contra o Lula. Porém, não ir pode ser uma tática.

Fácil x difícil

Ainda não se pode saber se Lula vencerá ou perderá as eleições. O que é incontestável é que a chance existe, e não é pequena.

Nada indica que “as condições em que se deram as eleições anteriores eram claramente menos favoráveis às desta eleição”. O próprio Bolsonaro sabia, deve ter feito pesquisas próprias, tanto que começou a liberar verbas desesperadamente, além de ter distribuído subsídios.

Emir Sader reclama da imprensa “invocando suas pesquisas” e “joga com a cartada de uma disputa equilibrada nestas eleições”, e aproveita para avisar que “a esquerda não pode cair nessa esparrela”.

No mesmo parágrafo, o articulista diz que o eleitor tem que “reafirmar a força do Lula e as razões com que ele conta para enfrentar o filho do Bolsonaro”.

Na tentativa de levantar o moral da tropa, Sader diz para “o favoritismo do Lula não exige grandes pelejas pela frente.” E que “Lula conquistou novos aliados, como o Alckmin, a Tebet, entre outros.” Não apenas isso, “até setores do Centrão, que, dando-se conta do favoritismo do Lula e sem condições de ficar muito tempo fora do governo, se aproximam dele”.

Resta ao leitor acreditar que Alckmin e Tebet seriam aliados. Continua fresco na memória o que fez Michel Temer em 2016.

É estranha a conclusão de que “Donald Trump também debilitou a hegemonia norte-americana na América Latina e no mundo. Um cenário claramente favorável ao Lula”. Pode ser que, perdendo posições no Oriente Médio, os Estados Unidos decidam colocar peso na América Latina.

O cenário eleitoral

No mundo real, as eleições continuam indefinidas, mas isso não deve durar muito, pois logo a burguesia deverá decidir seu candidato. Se a coisa pender para o lado do bolsonarismo, Lula vai enfrentar uma verdadeira avalanche de notícias falsas; não das redes sociais, mas da grande imprensa.

Exite o caso do Banco Master e a imagem de Lula ligada ao Supremo Tribunal Federal, que tem ministros em uma relação que levanta enormes dúvidas na população, que vê a corte como um antro de corrupção.

Pelo jeito, Lula vai para as eleições com a mesma política. Então, não se deve esperar muito. Pois, dificilmente, Lula emplaca ou empolga sua base.

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