O mandato de Jerome Powell como presidente do Federal Reserve (Fed) chega ao fim na sexta-feira (15), após anos de choques econômicos e pressões políticas. Powell será sucedido por Kevin Warsh, indicado por Donald Trump e ex-integrante do conselho do banco central entre 2006 e 2011. Mesmo deixando a presidência da instituição, Powell continuará como governador do Fed, afirmando ter a intenção de “ajudar a preservar a independência do Banco Central” norte-americano.
A saída encerra uma gestão marcada por uma pandemia, inflação elevada, juros altos e conflito aberto com Trump. Powell havia sido indicado pelo próprio Trump em 2018, mas logo se tornou alvo de críticas quando o Fed elevou juros naquele ano. No segundo governo Trump, a pressão aumentou novamente, com o presidente exigindo cortes mais agressivos nas taxas de juros. Powell resistiu a essas cobranças e defendeu que a política monetária não deveria ser conduzida por interesses eleitorais ou ordens da Casa Branca. Para Powell, os interesses do mercado financeiro eram a prioridade, enquanto para Trump, sob pressão de suas bases, seria necessária uma política monetária que incentivasse o investimento produtivo.
Durante sua gestão, o Fed teve papel central na resposta econômica à pandemia de covid-19. A autoridade monetária reduziu os juros de curto prazo para a faixa de 0% a 0,25%, comprou títulos do governo e ativos lastreados em hipotecas e, em conjunto com o Tesouro, participou de programas de crédito e apoio econômico. A mesma instituição depois da pandemia promoveu o ciclo de alta de juros mais rápido em décadas para conter a inflação, que atingiu o maior nível em 40 anos no período pós-pandemia, voltando a retirar capital da economia produtiva.
A relação com Trump voltou a se deteriorar quando Powell não cedeu à pressão por cortes rápidos na taxa de juros, que, estando alta, reduziria o crescimento econômico dos EUA, enriquecendo banqueiros e rentistas improdutivos, enquanto empobreceria todo o restante da população. O presidente o apelidou de “Too Late Powell” e chegou a ameaçar demiti-lo caso permanecesse no Fed após o fim do mandato como presidente. O governo também lançou uma investigação relacionada a reformas na sede do Federal Reserve em Washington, mas promotores não encontraram irregularidades. A investigação acabou suspensa, abrindo caminho para a confirmação de Kevin Warsh, o nomeado para suceder Powell como presidente do Fed.
O novo presidente do Fed assume sob forte desconfiança. Warsh prometeu independência em audiência no Senado, mas sua proximidade com Trump e mudanças de posição sobre cortes de juros levantam dúvidas para o mercado financeiro. O banco central deve manter as taxas entre 3,5% e 3,75% até 2027, enquanto a inflação anual voltou a acelerar para 3,8%, o que indica uma política de juros baixos da nova liderança de política monetária dos EUA.



