O Brasil recebe entre 21 de março e 5 de abril de 2026 uma missão de especialistas do Máli dedicada ao intercâmbio de experiências na cadeia produtiva do algodão. A iniciativa é coordenada pela Agência Brasileira de Cooperação, do Ministério das Relações Exteriores, em resposta a uma solicitação do governo malinense. Ao longo da agenda, a delegação visita instituições brasileiras ligadas à produção algodoeira, à agricultura familiar, à assistência técnica e à pesquisa agropecuária.
A comitiva é composta por representantes da Associação Interprofissional do Algodão do Máli, da Confederação das Sociedades Cooperativas de Produtores de Algodão no Máli, da Companhia Malinense para o Desenvolvimento dos Têxteis, do Instituto de Economia Rural do Máli e do Ministério da Agricultura do país africano. A composição mostra que a missão envolve tanto o setor produtivo quanto organismos estatais e técnicos ligados ao desenvolvimento agrícola.
No Brasil, os especialistas conheceram experiências voltadas à produtividade, à sustentabilidade e à geração de renda no campo. A programação inclui visitas ao Centro de Difusão de Tecnologias Algodoeiras de Catuti, à Emater de Janaúba, à Epamig Norte, à Associação Mineira dos Produtores de Algodão, em Patos de Minas, e à Embrapa Algodão, em Campina Grande. O objetivo é observar práticas de produção de algodão articuladas com produção de alimentos, gestão rural, formação profissional e uso mais eficiente dos recursos naturais.
O intercâmbio também envolve a discussão de práticas agrícolas circulares e regenerativas, além do papel da assistência técnica e da extensão rural no aumento da produtividade e na melhoria das condições de vida no meio rural. Para o Máli, o fortalecimento da cadeia do algodão é uma questão central, dada a importância histórica dessa cultura para a economia do país e para a vida de milhares de produtores.
A missão ocorre num momento político de grande transformação no Máli. O país passou recentemente por um golpe de Estado de caráter nacionalista, apoiado pelas massas, e vem adotando medidas de afirmação nacional diante do imperialismo. Esse processo incluiu a nacionalização de setores estratégicos da economia e o enfrentamento aberto de empresas estrangeiras, atingindo em especial os interesses da fração francesa do imperialismo. O movimento se aproxima do que ocorreu em Burquina Fasso, onde um processo semelhante também alterou a relação de forças no interior do país e contra o domínio imperialista




