Ricardo Machado

É dirigente do Sindicato dos Bancários de Brasília e ex-dirigente da CUT-DF. Integra a Coordenação dos Comitês de Luta do DF e Membro do Partido da Causa Operária (PCO)

Coluna

Mais uma derrota organizada pelas direções sindicais

É engano arrumar desculpas esfarrapadas como esses burocratas políticos, que veem no trabalhador brasileiro um atrasado

Os trabalhadores bancários tiveram, nos últimos períodos, como outras categorias, um arrocho salarial sem precedentes, imposto pelos planos de privatizações, demissões e provocações dos banqueiros.

O que estava colocado no período de preparação da campanha salarial era um movimento agudo de organização, mobilização e unificação.

Só que, por parte das direções sindicais, faltaram interesse e vontade política para implementar essa tarefa.

Na verdade, os Congressos Nacionais e a Conferência Nacional dos Bancários tornaram-se burocratizados e foram criminosamente divididos pela direção do movimento. A base da categoria não participa desses encontros, que contam com a presença quase exclusiva de dirigentes sindicais.

Como é possível que uma categoria que sofre o maior arrocho da história deste País tenha sua campanha salarial desmontada e receba um pouco mais de 10% do que reivindicava (a reivindicação era de 5%, e a burocracia fechou acordo por 0,6%) e, o que é pior, sem luta?!

É um engano apresentar desculpas esfarrapadas, como fazem esses burocratas políticos, que veem o trabalhador brasileiro como atrasado e lhe atribuem uma suposta “indisposição” para lutar, que recorrem ao mito da tal conjuntura adversa (?) e que enxergam no medo (?) dos trabalhadores a impossibilidade de ir à luta.

Os trabalhadores, em que pese o isolamento a que são levados pelas suas direções, deram, neste período, uma demonstração de bravura e de disposição de luta nas greves, como as da Caixa, dos Correios, dos petroleiros, dos ferroviários, dos metalúrgicos e dos rodoviários, dentre outras.

O medo e a covardia não vêm dos trabalhadores, mas da política suja das suas principais direções, que dividiram as lutas para poderem ir às mesas de negociação com os patrões, de pires na mão, sem a menor consulta às bases (sim, sem consulta às bases; hoje, as assembleias são virtuais, nas quais se abre um aplicativo para consultar a aceitação ou não da proposta).

Com o maior cinismo, tentam passar para a categoria que, na última Campanha Salarial, os trabalhadores foram vitoriosos e que “a unidade dos trabalhadores segue sendo a principal força para preservar direitos, enfrentar retrocessos e arrancar avanços possíveis em uma conjuntura difícil” (Bancários DF, 14/10/2026).

Mas aí cabe a pergunta: que avanços foram esses, que a categoria não viu e, principalmente, não sentiu nos seus contracheques? As condições de vida dos bancários ficarão piores nos próximos dois anos, já que a burocracia sindical adotou o famigerado acordo bienal, que só beneficia os banqueiros. Pior ainda, mal terminada a campanha salarial, o Banco Itaú/Unibanco anunciou uma leva de demissões e o fechamento de agências, medida que, logicamente, será seguida pelos demais bancos, já que, segundo os banqueiros, essa é uma tendência do mercado com as novas tecnologias. Essas demissões são aceitas passivamente por essa mesma burocracia, que está interessada somente em seus próprios interesses particulares.

Diante das duras condições de vida a que os bancários estão submetidos, o que se coloca para os trabalhadores bancários é superar os obstáculos colocados em seu caminho pelo conjunto dessa burocracia sindical e organizar uma luta sem trégua pelas suas verdadeiras reivindicações. Para isso, é necessário superar os atuais dirigentes, ou seja, estabelecer uma nova direção para os sindicatos, uma direção de luta, independente dos patrões e do governo, que não tenha rabo preso, que não esteja atada às tetas do governo e que defenda intransigentemente os interesses da categoria bancária.

* A opinião dos colunistas não reflete, necessariamente, a opinião deste Diário

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