Estados Unidos

Lula realiza nova reunião amistosa com Donald Trump

Presidente brasileiro saiu “muito, muito satisfeito” da Casa Branca, evitou confronto público com Trump e disse que a relação entre os dois é como “amor à primeira vista”

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva esteve nesta quinta-feira (7) na Casa Branca para uma reunião com Donald Trump, presidente dos Estados Unidos. O encontro, realizado a portas fechadas, durou cerca de três horas e terminou sem declaração conjunta à imprensa. Depois da reunião, Lula falou com jornalistas na embaixada brasileira em Washington e fez um balanço amplamente positivo da conversa com o chefe do governo norte-americano.

“Eu saio daqui com a ideia de que nós demos um passo importante na consolidação da relação democrática, histórica que o Brasil tem com os Estados Unidos”, afirmou Lula. Segundo o presidente brasileiro, a boa relação entre os dois países seria uma “demonstração ao mundo” de que as “duas maiores democracias do hemisfério” poderiam servir de exemplo.

A declaração foi dada em um momento no qual os Estados Unidos estão em guerra contra o Irã, ameaçam Cuba e mantêm Nicolás Maduro sequestrado. Mesmo assim, Lula procurou apresentar Trump como um parceiro com quem seria possível manter uma relação de confiança.

A posição do presidente brasileiro ficou ainda mais clara quando ele tratou da relação pessoal com o republicano. “Eu tenho razões para acreditar que o Trump gosta do Brasil”, disse Lula. Em seguida, ao responder sobre como caracterizaria a relação com o presidente dos EUA, afirmou:

“A nossa relação é muito boa, mas muito boa. Eu diria, uma relação que pouca gente acreditava que pudesse acontecer com tanta rapidez.”

Lula completou a avaliação com uma comparação grotesca:

“É que sabe aquela história amor à primeira vista, aquele negócio da química. É isso que aconteceu. Eu espero que continue assim.”

A declaração contrasta com o próprio histórico recente de Trump em relação ao Brasil. O presidente norte-americano já apoiou abertamente o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e impôs tarifas contra produtos nacionais com objetivos explicitamente políticos. Questionado sobre uma eventual interferência dos EUA nas eleições brasileiras, Lula respondeu: “se ele tentou interferir nas eleições brasileiras, ele perdeu, porque eu ganhei as eleições”. Logo depois, porém, amenizou o assunto: “eu não acredito que ele vá ter qualquer influência nas eleições brasileiras”.

A reunião teve como temas centrais comércio, tarifas, minerais críticos, combate ao crime organizado e interesses estratégicos dos Estados Unidos. Trump, em publicação na Truth Social, afirmou que o encontro foi “muito produtivo” e disse ter tratado com Lula de “comércio e, especificamente, tarifas”. Lula confirmou que este foi um dos pontos principais da conversa.

Segundo o presidente brasileiro, Trump insistiu que o Brasil cobraria impostos elevados dos EUA. Lula disse ter respondido que a média das tarifas brasileiras seria de “2,7%, apenas 2,7%”. Diante da divergência, propôs a criação de um grupo de trabalho:

“Vamos colocar um grupo de trabalho e vamos permitir que esse moço da indústria e do comércio do Brasil junto com o teu moço do comércio sentem e em 30 dias apresentem para nós uma proposta pra gente poder bater o martelo.”

Lula também deixou claro que está disposto a fazer concessões. “Quem tiver errado vai ceder. Se a gente tiver que ceder, nós vamos ceder. Se vocês tiverem que ceder, vocês vão ter que ceder”, afirmou.

Lula disse ter defendido a criação de uma cooperação internacional, embora a possibilidade dos Estados Unidos classificarem facções brasileiras como organizações terroristas não foi discutida, segundo o próprio Lula.

Outro tema sensível, o Pix, também ficou fora da conversa. “Ele não tocou no assunto do Pix, então também não toquei”, afirmou Lula. O presidente brasileiro disse que levou o ministro da Fazenda, Dario Durigan, justamente porque imaginava que Trump poderia tratar do tema, mas preferiu não levantar a questão quando o republicano não o fez.

Sobre a guerra contra o Irã, Lula afirmou que expressou discordância, mas sem confronto com Trump. “Eu acredito muito mais no diálogo do que na guerra”, disse. “Eu acho que a invasão do Irã vai causar mais prejuízo do que ele está imaginando”. Em seguida, porém, acrescentou: “ele acha que a guerra já acabou, não é o real, mas ele acha, eu não vou ficar brigando com ele por causa da visão que ele tem da guerra”.

Lula disse ainda que está disposto a conversar sobre Cuba, Venezuela e Irã, mas afirmou que a prioridade da viagem era outra:

“Eu vim aqui especialmente para discutir os assuntos brasileiros. Eu não queria mudar de prioridade. Eu queria discutir o comércio brasileiro com os Estados Unidos. Eu queria discutir a participação do Brasil no crime organizado junto com os Estados Unidos. Eu queria discutir as questões da participação dele nos minerais críticos”.

Sobre Cuba, Lula afirmou ter ouvido, por meio da intérprete, que Trump “não pensa em invadir Cuba”. O presidente brasileiro avaliou isso como “um grande sinal”, embora Cuba permaneça submetida ao bloqueio norte-americano.

Lula saiu da reunião celebrando o encontro com Trump. “Eu saio muito, muito satisfeito da reunião”, afirmou. “Acho que foi uma reunião importante para o Brasil e importante para os Estados Unidos.

O presidente brasileiro chegou a comentar as fotos divulgadas do encontro, nas quais aparece sorrindo ao lado de Trump. “Eu sempre acho que a fotografia vale muito”, disse.

Gostou do artigo? Faça uma doação!

Rolar para cima

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Diferentemente de outros portais , mesmo os progressistas, você não verá anúncios de empresas aqui. Não temos financiamento ou qualquer patrocínio dos grandes capitalistas. Isso porque entre nós e eles existe uma incompatibilidade absoluta — são os nossos inimigos. 

Estamos comprometidos incondicionalmente com a defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo pobre e oprimido. Somos um jornal classista, aberto e gratuito, e queremos continuar assim. Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Diferentemente de outros portais , mesmo os progressistas, você não verá anúncios de empresas aqui. Não temos financiamento ou qualquer patrocínio dos grandes capitalistas. Isso porque entre nós e eles existe uma incompatibilidade absoluta — são os nossos inimigos. 

Estamos comprometidos incondicionalmente com a defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo pobre e oprimido. Somos um jornal classista, aberto e gratuito, e queremos continuar assim. Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.

Quero saber mais antes de contribuir

 

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.