Governo Lula 4

Lula cogita encobrir submissão aos generais nomeando mulher para a Defesa

Enquanto prepara novos ataques aos trabalhadores, governo estuda colocar uma mulher no comando das Forças Armadas, que permaneceram praticamente intactas desde a ditadura

Enquanto prepara um quarto mandato marcado pelo ajuste fiscal, pelo aumento de impostos e pela continuidade das privatizações, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) estuda uma grande novidade para o Ministério da Defesa: colocar uma mulher no comando das Forças Armadas.

Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, o atual ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, comunicou ao presidente que não pretende continuar no cargo e indicou sua secretária-geral, Cinara Wagner Fredo, como sucessora. Lula ainda não tomou uma decisão e consulta aliados sobre os nomes disponíveis.

Cinara é formada em Direito, tem mestrado em Administração Pública pela Fundação Getúlio Vargas e especialização na Escola Superior de Guerra. Desde 2016, ocupou cargos em diferentes órgãos federais, incluindo os ministérios da Cidadania e da Previdência Social.

Além dela, foram mencionadas a presidente do Superior Tribunal Militar (STM), Maria Elizabeth Guimarães Teixeira Rocha, e a ex-ministra do Planejamento Simone Tebet. O senador Renan Calheiros (MDB-AL) também apareceu entre os possíveis candidatos.

A preferência por uma mulher tem uma finalidade política bastante clara. Segundo a CNN Brasil, o governo pretende fazer um aceno à “diversidade” e atrair a atenção da militância petista para uma área tradicionalmente criticada pela esquerda. A primeira-dama, Rosângela da Silva, a Janja, seria a principal defensora da iniciativa.

O mais interessante é que a escolha deverá contar com a aprovação dos próprios militares. Conforme a CNN, Lula não pretende indicar alguém que encontre forte resistência nos comandos das Forças Armadas. Cinara teria a vantagem de já possuir boas relações com a cúpula militar.

Um grupo formado pelos ex-ministros Jaques Wagner, Nelson Jobim e Celso Amorim também procura uma alternativa que tenha bom trânsito entre os generais.

Essa é uma boa demonstração do conteúdo da política identitária. A questão fundamental deixa de ser o caráter das Forças Armadas e passa a ser o sexo de quem ocupa o ministério. Uma instituição historicamente utilizada contra os trabalhadores e suas organizações seria apresentada como mais democrática simplesmente porque passou a ser dirigida por uma mulher.

O regime militar terminou formalmente em 1985, mas seus principais responsáveis conservaram a impunidade. Nenhum dos torturadores da ditadura foi condenado criminalmente pelos crimes de tortura praticados naquele período. O Alto Comando manteve sua organização, seus privilégios e uma enorme influência sobre a política nacional.

Os sucessivos governos civis não realizaram uma depuração do aparelho militar. Pelo contrário, procuraram acomodar seus interesses e preservar as relações com os generais. O próprio governo Lula demonstrou essa preocupação ao manter José Múcio no Ministério da Defesa durante todo o terceiro mandato.

Agora, a grande novidade seria substituir o ministro por uma mulher, sem modificar a organização das Forças Armadas ou sua relação com o Estado brasileiro. É difícil imaginar uma transformação mais superficial.

A própria situação da defesa nacional demonstra o tamanho do problema. Em agosto, José Múcio afirmou que, diante de uma eventual invasão norte-americana, preferiria abrir o portão, pois o Brasil não teria condições de resistir.

“Abro o portão, porque a gente não tem equipamento para enfrentá-los e nem tem dinheiro para consertar o portão. Eu prefiro abrir o portão”, declarou durante uma cerimônia na Confederação Nacional da Indústria.

A declaração expôs o estado de submissão do País ao imperialismo. O ministro responsável pela defesa nacional admitiu publicamente que não conseguiria enfrentar uma agressão dos Estados Unidos.

Ao mesmo tempo, projetos militares importantes enfrentam dificuldades orçamentárias. Segundo o Estadão, a entrega do submarino nuclear brasileiro foi adiada para 2038. A aquisição dos caças Gripen também acumula atrasos e custos adicionais.

Nenhum dos nomes mencionados para substituir Múcio foi apresentado como parte de uma política de ruptura com essa situação. Pelo contrário, a principal preocupação nas negociações parece ser encontrar alguém que preserve as boas relações do governo com o Alto Comando.

O que o Brasil necessita é de uma política de defesa nacional independente do imperialismo e de uma transformação profunda do aparelho militar, não de uma campanha publicitária destinada a satisfazer os identitários.

Gostou do artigo? Faça uma doação!

Rolar para cima

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Diferentemente de outros portais , mesmo os progressistas, você não verá anúncios de empresas aqui. Não temos financiamento ou qualquer patrocínio dos grandes capitalistas. Isso porque entre nós e eles existe uma incompatibilidade absoluta — são os nossos inimigos. 

Estamos comprometidos incondicionalmente com a defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo pobre e oprimido. Somos um jornal classista, aberto e gratuito, e queremos continuar assim. Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Diferentemente de outros portais , mesmo os progressistas, você não verá anúncios de empresas aqui. Não temos financiamento ou qualquer patrocínio dos grandes capitalistas. Isso porque entre nós e eles existe uma incompatibilidade absoluta — são os nossos inimigos. 

Estamos comprometidos incondicionalmente com a defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo pobre e oprimido. Somos um jornal classista, aberto e gratuito, e queremos continuar assim. Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.

Quero saber mais antes de contribuir

 

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.